03 de março de 2026

Opinião – Dualismo Seletivo

Rodrigo Vargas alerta não acredite cegamente em tudo o que você encontra na internet, pesquise, investigue, procure a fonte das informações que você consome e que você compartilha.


Por Rodrigo Vargas de Souza Publicado 26/11/2022 às 18h00
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Dualismo é um conceito religioso e filosófico que admite a coexistência de dois princípios necessários, de duas posições ou de duas realidades contrárias entre si, como o espírito e matéria, o corpo e a alma, o bem e o mal, e que estejam em eterno conflito.

É interessante refletir sobre esse conceito, sobretudo diante do cenário político pelo qual passamos atualmente. Entretanto, o dualismo não é visível apenas na política, mas em diversos outros âmbitos de nossas vidas.

No trânsito, no entanto, tenho percebido ultimamente um tipo de dualismo seletivo por parte de uma pequena parcela da sociedade. Tal percepção ficou ainda mais evidente há alguns dias, quando assisti surpreso a uma postagem nas redes sociais, onde um colega da fiscalização de trânsito era acusado de uma suposta agressão a um condutor durante uma operação.

Assista o vídeo, clique aqui.

O vídeo, embora não mostre agressão alguma, viralizou rapidamente nos grupos de whatsapp e nas redes sociais, causando a indignação de várias pessoas. A tal ponto que, algumas horas após o ocorrido, eu tive acesso a esse outro material:

Os vídeos você pode acessar aqui!

Eis que dois dias após, recebo essa postagem do amigo Naian Meneghetti, que é bombeiro civil, multiplicador de educação para mobilidade e ex-fotógrafo do canal que postou o vídeo da suposta agressão:

Assista aqui!

A realidade é uma moeda de dois lados. Pode até parecer algo óbvio, mas muitas vezes o óbvio é como um local esquecido que precisa ser revisitado. Não acredite cegamente em tudo o que você encontra na internet, pesquise, investigue, procure a fonte das informações que você consome e que você compartilha.

Essa situação toda só me deixou duas coisas ainda mais claras. A primeira é a responsabilidade que existe quando se está na posição de um formador de opinião. A segunda, como já abordei há algum tempo quando falei sobre HATERS, é que o ódio, infelizmente, ainda segue unindo muito mais pessoas que qualquer outro de sentimento.

Rodrigo Vargas de Souza

Sou formado em Psicologia pela Unisinos, atuo desde 2009 como Agente de Fiscalização de Trânsito e Transporte na EPTC, órgão Gestor do trânsito na cidade de Porto Alegre. Desde 2015, lotado na Coordenação de Educação para Mobilidade do mesmo órgão. Procuro nos meus textos colocar em discussão alguns dos processos envolvidos na relação do sujeito com o automóvel, percebendo a importância que o trânsito, espaço-tempo desse encontro, vem se tornando um problema de saúde pública. Tendo como objetivos, além de uma crítica às atuais contribuições (ou falta delas) da Psicologia para com a área do trânsito, a problematização da relação entre homem e máquina, os processos de subjetivação derivados dessa relação e suas consequências para o trânsito. Sendo assim, me parece urgente a pesquisa na área, de forma a se chegar a uma anuência metodológica e ética. Bem como a necessidade de a Psicologia do Trânsito posicionar-se de forma a abrir passagem para novas formas heterogêneas de atuação, que considerem as singularidades ao invés de servirem como mais um mecanismo de serialização das experiências humanas.

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