23 de julho de 2026

Professor da USP explica como tecnologia brasileira de frenagem automática pode aumentar a segurança no trânsito

Sistema desenvolvido no Brasil utiliza radar e câmera para identificar obstáculos e acionar os freios automaticamente quando há risco de colisão. Tecnologia poderá equipar os veículos fabricados no país a partir de 2029.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 23/07/2026 às 13h30
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frenagem automática
Sistema desenvolvido no Brasil utiliza radar e câmera para detectar obstáculos e acionar automaticamente os freios, aumentando a segurança durante a condução. Foto: LanaStock para Depositphotos

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil promete reforçar a segurança dos veículos e reduzir acidentes provocados por distração ao volante. Trata-se de um sistema de frenagem automática de emergência que utiliza radar e câmera para identificar obstáculos à frente do veículo e acionar os freios quando detecta risco de colisão e o motorista não reage a tempo. A expectativa é que esse tipo de equipamento passe a integrar todos os veículos fabricados no país a partir de 1º de janeiro de 2029.

Conhecido internacionalmente como Automatic Emergency Braking (AEB), o recurso faz parte dos chamados Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS), conjunto de tecnologias que auxiliam a condução e têm como principal objetivo reduzir acidentes causados por falhas humanas.

Conforme o professor Marcelo Augusto Leal Alves, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), a frenagem automática representa mais um passo na evolução da automação veicular e já é adotada em diversos países, especialmente na Europa.

Como funciona a frenagem automática

O sistema combina informações obtidas por um radar e por uma câmera instalada no veículo. Enquanto o radar mede a distância e a velocidade dos objetos à frente, a câmera identifica o tipo de obstáculo, como outro veículo, um pedestre ou qualquer elemento presente na via. Essas informações são processadas em tempo real por um software, que calcula o risco de colisão e, quando necessário, aciona automaticamente os freios.

De acordo com Marcelo Alves, a tecnologia foi desenvolvida justamente para atuar em situações nas quais o motorista demora a reagir.

“Em uma situação típica de trânsito, em que os veículos andam e param constantemente, o motorista pode se distrair e não perceber que o carro à frente freou. O sistema evita esse tipo de colisão traseira, que, embora muitas vezes não seja grave, provoca prejuízos materiais e contribui para aumentar os congestionamentos. Ele também pode impedir que o veículo atinja um pedestre ou um obstáculo que tenha surgido na pista”, explica.

Tecnologia poderá se tornar obrigatória

A adoção da frenagem automática acompanha um movimento internacional de incorporação de sistemas eletrônicos voltados à segurança veicular.

No Brasil, a previsão é que o equipamento passe a integrar os veículos produzidos no país a partir de 1º de janeiro de 2029, conforme resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Além da frenagem automática, os sistemas ADAS podem incluir recursos como assistência de permanência em faixa, monitoramento de obstáculos e outros dispositivos capazes de auxiliar o motorista durante a condução.

Desenvolvimento nacional busca ampliar o acesso à tecnologia

O projeto é desenvolvido pelo Senai Park de Suape, em Pernambuco, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB) e as montadoras Volkswagen e Stellantis. A iniciativa busca criar uma tecnologia nacional capaz de reduzir a dependência de equipamentos importados assim como ampliar a competitividade da indústria automotiva brasileira.

Segundo Marcelo Alves, embora a tecnologia ainda apresente custo elevado, a tendência é que esse valor diminua à medida que a produção em escala avance, repetindo o que ocorreu com outros equipamentos de segurança, como o airbag.

Tecnologia complementa, mas não substitui o motorista

Apesar dos avanços proporcionados pelos sistemas de assistência à condução, especialistas destacam que eles não eliminam a responsabilidade do condutor.

A frenagem automática funciona como uma camada adicional de segurança, capaz de reduzir as consequências de distrações ou falhas de percepção, mas continua dependendo da atenção do motorista para que a condução seja realizada de forma segura.

Com a evolução da eletrônica embarcada, recursos antes restritos a veículos de categorias superiores começam a ganhar espaço no mercado e podem representar um importante avanço para a redução de acidentes nos próximos anos.

Com informações do Jornal da USP

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