Pneus: pressão, desgaste e sulcos fazem diferença para a segurança no trânsito
Calibragem incorreta, desgaste dos sulcos, bolhas, rachaduras e deformações podem comprometer a aderência e a resposta do veículo.

O pneu é o único ponto de contato entre o veículo e o pavimento. Por isso, seu estado de conservação interfere diretamente na capacidade do automóvel de acelerar, fazer curvas e, principalmente, frear com segurança.
Mesmo veículos equipados com recursos como ABS e controle eletrônico de estabilidade dependem da aderência dos pneus para responder adequadamente aos comandos do motorista. A tecnologia embarcada, portanto, não substitui cuidados básicos como calibragem, verificação dos sulcos e inspeção periódica.
Um dos principais pontos de atenção é a profundidade da banda de rodagem. O limite mínimo indicado no material é de 1,6 mm, mas a Dunlop recomenda atenção antes disso, especialmente para a condução em pista molhada.
Segundo a fabricante, a partir de 3 mm a capacidade de aderência no molhado já começa a diminuir.
Pneus em números: o que o motorista precisa saber
| Dado | Valor | Fonte/Base |
|---|---|---|
| Profundidade mínima legal do sulco | 1,6 mm | CTB, art. 230* |
| Ponto em que a aderência no molhado começa a cair | 3 mm | Recomendação Dunlop |
| Multa por pneu abaixo do limite | R$ 195,23 | Infração grave (CTB)* |
| Pontos na CNH | 5 pontos | Infração grave* |
| Consequência imediata | Retenção do veículo | CTB, art. 230* |
| Frequência recomendada de verificação da pressão | Semanal, com pneus frios | Orientação Dunlop |
Por que a pressão dos pneus é importante?
Manter os pneus com a pressão adequada contribui para estabilidade, frenagem, durabilidade e consumo de combustível.
A recomendação da Dunlop é verificar a calibragem semanalmente e sempre com os pneus frios. O estepe também deve fazer parte dessa checagem.
O motorista deve seguir a pressão especificada pelo fabricante do veículo, informação normalmente encontrada no manual ou nas etiquetas localizadas na porta do motorista ou na tampa do combustível.
Rodar com pressão inadequada pode provocar desgaste irregular, alterar o comportamento do automóvel, aumentar o consumo de combustível e prejudicar a dirigibilidade.
Pneu dentro do limite também exige atenção na chuva
Um dos alertas apresentados pela fabricante é que o motorista não deve considerar apenas o limite mínimo de 1,6 mm para avaliar a segurança dos pneus.
De acordo com a Dunlop, em condições de chuva, a redução da capacidade de escoar água começa a se tornar relevante quando os sulcos chegam a 3 mm, aumentando a atenção necessária em relação à aderência e à aquaplanagem.
A fabricante divide a condição dos sulcos em três patamares. Acima de 3 mm, considera-se preservada uma boa capacidade de aderência, inclusive no molhado. Entre 1,6 mm e 3 mm, o pneu ainda está acima do limite mínimo, mas apresenta menor capacidade de escoamento da água. Abaixo de 1,6 mm, o limite de desgaste foi atingido.
Como saber se o pneu chegou ao TWI?
Não é necessário esperar que o pneu fique visualmente “careca” para perceber que atingiu seu limite de desgaste.
Os pneus possuem o chamado TWI (Tread Wear Indicator), ou indicador de desgaste da banda de rodagem. São pequenas elevações de borracha localizadas no fundo dos sulcos.
Na lateral do pneu, marcações com a sigla “TWI” ou pequenos triângulos ajudam a encontrar esses indicadores.
Quando a superfície da banda de rodagem fica nivelada com o TWI, o pneu atingiu 1,6 mm de profundidade dos sulcos e deve ser substituído.
É importante observar diferentes partes do mesmo pneu, pois o desgaste pode não acontecer de maneira uniforme. A avaliação deve considerar as regiões interna, central e externa da banda de rodagem.
Bolhas, rachaduras e desgaste irregular são sinais de alerta
A profundidade dos sulcos não é o único aspecto que merece atenção.
Uma inspeção visual permite identificar sinais que indicam a necessidade de uma avaliação profissional, como pregos, parafusos ou outros objetos cravados na borracha, bolhas na lateral, rachaduras, cortes, deformações e desgaste irregular.
Também é preciso observar o envelhecimento. Segundo a Dunlop, a condição de um pneu não depende exclusivamente do tempo ou da quilometragem rodada. Forma de utilização, armazenamento e conservação também interferem.
Por isso, rachaduras, ressecamento e outros sinais de envelhecimento devem ser considerados mesmo quando o pneu apresenta pouca quilometragem.
Vibração no volante pode indicar necessidade de manutenção
O próprio comportamento do automóvel pode indicar problemas que precisam ser avaliados.
Desgaste irregular dos pneus, vibração no volante ou tendência de o veículo puxar para um dos lados são sinais de que alinhamento, balanceamento e rodízio merecem atenção.
A manutenção preventiva contribui para preservar o desempenho dos pneus, evitar desgaste irregular e manter o comportamento do veículo mais previsível.
“A tecnologia embarcada é uma aliada, não uma substituta da manutenção. Enquanto o carro depende dos pneus para transmitir forças à pista, a segurança começa e termina no cuidado com eles”, afirma Fabio Torres Klabacher, gerente de Vendas e Marketing da Dunlop Brasil.
Mais do que verificar se o pneu chegou ou não ao limite de desgaste, portanto, a segurança depende de uma combinação de cuidados: pressão correta, profundidade adequada dos sulcos, ausência de danos e manutenção do conjunto. São condições que influenciam diretamente a capacidade do veículo de responder quando o motorista precisa frear, desviar ou manter a trajetória.
