11 de janeiro de 2026

Por que dirigir bem não é só saber as regras, mas entender o outro

Dirigir bem vai além de conhecer regras. Entenda por que empatia e percepção do outro são essenciais para um trânsito mais seguro.


Por Redação Publicado 11/01/2026 às 08h15
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Dirigir bem
Enquanto dirigir for visto apenas como cumprir regras ou chegar mais rápido, conflitos continuarão se multiplicando. Foto: luismolinero para Depositphotos

Quando se fala em “dirigir bem”, muitos motoristas associam imediatamente à ideia de cumprir regras: respeitar o limite de velocidade, parar no semáforo, usar o cinto de segurança. Embora esses comportamentos sejam fundamentais, eles não esgotam o conceito de boa condução. No trânsito real, cotidiano e imprevisível, dirigir bem exige algo que não está escrito em placas ou artigos de lei: entender o outro.

O trânsito é um espaço compartilhado por pessoas com níveis diferentes de experiência, pressa, atenção, medo e fragilidade. Pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas profissionais, idosos e crianças convivem no mesmo ambiente, muitas vezes sem qualquer mediação física adequada. Nesse contexto, conhecer as regras é apenas o ponto de partida.

Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, costuma destacar que o maior erro do motorista é acreditar que o trânsito é um jogo individual.

“O trânsito não é uma competição. Ele só funciona quando cada um entende que suas decisões afetam diretamente a segurança do outro”, afirma.

A dificuldade de enxergar o outro se manifesta de várias formas.

Motoristas que não reduzem a velocidade em áreas de pedestres, que fecham motociclistas no corredor ou que avançam sobre ciclistas demonstram, muitas vezes, não desconhecimento da regra, mas falta de percepção da vulnerabilidade alheia.

Outro exemplo comum está nas reações emocionais. Pequenos erros cometidos por terceiros — uma seta esquecida, uma saída tardia, uma hesitação — costumam ser interpretados como afrontas pessoais. O resultado é uma escalada de agressividade que transforma situações simples em conflitos perigosos.

Para Celso Mariano, esse comportamento revela um problema cultural.

“A gente aprende a dirigir o veículo, mas não aprende a conviver no trânsito. Falta trabalhar empatia, paciência e leitura do comportamento humano”, analisa.

Dirigir bem também envolve antecipação. Entender que um pedestre idoso atravessa mais devagar, que um motociclista precisa de espaço para manobrar ou que um motorista inseguro pode cometer movimentos inesperados permite decisões mais seguras e menos reativas.

Essa leitura do outro é ainda mais importante em ambientes urbanos complexos, onde a sinalização nem sempre é clara e o improviso se torna frequente. Nesses casos, a rigidez excessiva na aplicação das regras, sem sensibilidade ao contexto, pode aumentar riscos em vez de reduzi-los.

A boa condução, portanto, não se resume a “estar certo”.

Muitas vezes, ceder, esperar ou reduzir a velocidade é a atitude mais segura, mesmo quando se tem prioridade. Essa postura não significa abrir mão de direitos, mas reconhecer que preservar vidas é mais importante do que afirmar razão.

Construir um trânsito mais seguro passa, necessariamente, por essa mudança de mentalidade. Enquanto dirigir for visto apenas como cumprir regras ou chegar mais rápido, conflitos continuarão se multiplicando. Quando o motorista passa a enxergar o outro como parte do mesmo sistema — e não como obstáculo — o trânsito começa a mudar de forma concreta e cotidiana.

Redação

Matérias escritas pela equipe de Redação do Portal do Trânsito.

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