07 de janeiro de 2026

Uso da luz alta para sinalizar ultrapassagem: o que diz o CTB e como usar corretamente


Por Mariana Czerwonka Publicado 06/01/2026 às 08h15
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luz alta
Embora pareça um recurso simples, utilizar a luz alta de forma incorreta pode gerar problemas sérios no trânsito. Foto: Sutichak para Depositphotos

Em rodovias e vias movimentadas, é comum ver motoristas utilizando a luz alta como forma de sinalizar que desejam ultrapassar. O gesto, tão difundido no cotidiano, levanta uma questão importante: o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) permite esse tipo de comunicação?

A resposta é sim, mas com limites. O CTB autoriza o uso da luz alta intermitente em curtos intervalos como sinal de intenção de ultrapassagem, mas condena o uso excessivo ou como forma de pressionar outros motoristas.

O que diz a legislação sobre o uso da luz alta

O artigo 40 do CTB regula o uso dos faróis no Brasil. Ele estabelece que a luz alta deve ser utilizada apenas em vias não iluminadas, substituindo-se pela luz baixa sempre que houver veículo transitando em sentido contrário ou à frente.

Já o artigo 251 do CTB trata especificamente das situações em que se considera o uso das luzes infração. O inciso II aponta que é proibido utilizar a luz alta de forma intermitente, exceto em curtos intervalos, quando for conveniente advertir outro condutor sobre a intenção de ultrapassá-lo.

Ou seja, a lei permite o uso da luz alta como sinal de ultrapassagem, desde que seja rápido, pontual e utilizado de forma segura.

Quando a luz alta se torna infração

Apesar da permissão legal, o uso incorreto da luz alta pode resultar em multa. O artigo 251 prevê que:

  • Transitar com o farol desregulado ou com o facho de luz alta de forma a perturbar a visão de outro condutor é infração grave, com multa de R$ 195,23, acréscimo de 5 pontos na CNH e retenção do veículo para regularização;
  • Já, fazer uso do facho de luz alta dos faróis em vias providas de iluminação pública é infração leve, com multa de R$ 88,38 e 3 pontos na CNH.

Portanto, o que a lei proíbe não é o sinal breve e pontual, mas o uso excessivo, intimidador ou em desacordo com a segurança viária.

Por que o uso inadequado da luz alta é perigoso

Embora pareça um recurso simples, utilizar a luz alta de forma incorreta pode gerar problemas sérios no trânsito:

  • Ofuscamento da visão: o facho intenso reduz a capacidade de enxergar do motorista à frente ou em sentido contrário;
  • Estresse e intimidação: ser pressionado com luz alta pode levar a reações perigosas, como freadas bruscas ou manobras apressadas;
  • Risco em ultrapassagens: o uso excessivo da luz pode atrapalhar tanto o motorista que será ultrapassado quanto quem vem em sentido contrário.

O que a lei prevê como sinal de ultrapassagem

O CTB estabelece sinais oficiais que o condutor pode utilizar quando deseja ultrapassar:

  • Uso breve da buzina, em toques leves, conforme o art. 41;
  • Luz alta intermitente a curtos intervalos, como prevê o art. 251, II, “a”;
  • Luz baixa em piscadas rápidas, especialmente em áreas urbanas onde não é possível usar a buzina.

Deve-se entender esses sinais como formas de comunicação e cortesia, e não como imposição de passagem.

Como agir corretamente em situações de ultrapassagem

Para quem deseja ultrapassar:

  • Use o sinal correto: buzina breve ou luz alta intermitente em curtos intervalos;
  • Aguarde o momento seguro, respeitando a sinalização e as condições da via;
  • Evite insistência ou gestos que possam intimidar.

Para quem recebe o sinal de ultrapassagem:

  • Mantenha sua velocidade constante;
  • Se possível, facilite a manobra deslocando-se levemente à direita, sem sair da faixa de rolamento;
  • Nunca acelere para impedir a ultrapassagem.

Educação e respeito à lei são fundamentais

Há a previsão do uso da luz alta como sinal de ultrapassagem na legislação, desde que aconteça de forma breve, correta e segura. O que não se admite é transformar esse recurso em uma forma de pressão, colocando em risco a segurança de todos.

Mais do que evitar multas, respeitar as regras é preservar vidas. No trânsito, cada gesto conta — e até mesmo um simples sinal de luz pode fazer a diferença entre uma manobra segura e um acidente.

Mariana Czerwonka

Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

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