07 de janeiro de 2026

A cultura da motocicleta no Brasil: desafios, riscos e caminhos possíveis

A motocicleta é essencial para a mobilidade brasileira, mas concentra altos índices de sinistros. Entenda os desafios culturais e caminhos para reduzir riscos.


Por Redação Publicado 05/01/2026 às 13h30
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motociclista no Brasil
Hoje, motos disputam espaço com carros, ônibus, bicicletas e pedestres. Foto: joasouza para Depositphotos

A motocicleta ocupa um papel central na mobilidade brasileira. Presente tanto nas grandes cidades quanto no interior, ela representa agilidade, baixo custo e oportunidade de trabalho para milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, concentra uma parcela desproporcional das vítimas graves e fatais do trânsito, o que revela um problema estrutural que vai além do veículo em si.

O crescimento da frota de motocicletas ocorreu de forma acelerada, sem que as cidades, a legislação e a cultura de trânsito acompanhassem esse movimento. Hoje, motos disputam espaço com carros, ônibus, bicicletas e pedestres em vias que não foram projetadas para essa convivência intensa.

Um dos principais desafios está no comportamento induzido pelo ambiente. Corredores improvisados, pressa constante e pressão por produtividade — especialmente entre profissionais de entrega — criam um cenário de risco permanente. A motocicleta, por sua própria dinâmica, expõe mais o condutor e exige leitura precisa do ambiente.

Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, avalia que o problema não está apenas no motociclista.

“O erro é tratar a motocicleta como exceção no trânsito. Ela é parte do sistema e precisa ser considerada no planejamento, na educação e na fiscalização”, afirma.

Outro fator relevante é a formação do condutor.

Muitos motociclistas aprendem a conduzir focados apenas na técnica básica, sem aprofundamento em percepção de risco, direção defensiva específica para motos e convivência com outros modais. Isso fragiliza a capacidade de antecipar perigos.

Para Celso Mariano, há uma distorção na forma como se encara o risco. “O motociclista costuma ser responsabilizado sozinho, quando na verdade ele circula em um ambiente hostil, pouco preparado para recebê-lo com segurança”, destaca.

A infraestrutura também pesa. Ausência de faixas exclusivas, pavimento irregular, sinalização apagada e obstáculos urbanos afetam muito mais quem está sobre duas rodas. Pequenas falhas na via, quase imperceptíveis para carros, podem ser fatais para motos.

Apesar do cenário desafiador, há caminhos possíveis. Investir em educação continuada, adaptar o desenho viário, fiscalizar de forma inteligente e reconhecer a motocicleta como modal legítimo são passos essenciais.

Reduzir mortes de motociclistas não depende de proibição ou culpabilização, mas de integração. Quando o sistema passa a enxergar a motocicleta como parte da solução de mobilidade — e não apenas como problema — os resultados começam a aparecer.

Redação

Matérias escritas pela equipe de Redação do Portal do Trânsito.

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