Patinetes e e-bikes: acidentes crescem mais rápido que a regulamentação

O número de patinetes elétricos em circulação mais que triplicou na cidade de São Paulo nos primeiros oito meses de 2025, segundo reportagem do G1. O aumento acelerado, segundo a matéria, também trouxe um efeito colateral preocupante: os acidentes cresceram na mesma proporção.
A cena não é exclusiva da capital paulista. Em várias cidades brasileiras, a micromobilidade urbana — que inclui patinetes, bicicletas elétricas (e-bikes) e scooters — está em franca expansão. Praticidade, custo acessível e rapidez em trajetos curtos são as principais vantagens, mas especialistas alertam que a falta de infraestrutura adequada e a regulamentação desigual entre municípios podem colocar usuários em risco.
O que diz a regulamentação sobre patinetes e e-bikes
O Contran publicou a Resolução nº 996/2023, que estabelece parâmetros para a circulação de patinetes e bicicletas elétricas. Entre os pontos estão regras sobre potência máxima, velocidade permitida e obrigatoriedade de equipamentos de sinalização.
Apesar disso, a aplicação prática da norma cabe aos municípios, que definem questões específicas como:
- limite de velocidade;
- exigência de capacete;
- locais permitidos para circulação (ruas, ciclovias ou calçadas).
Esse modelo faz com que a regulamentação varie bastante de uma cidade para outra. Salvador, por exemplo, está elaborando leis locais que preveem uso obrigatório de capacete e ciclovias exclusivas para veículos de micromobilidade.
Comparação internacional: o que deu certo lá fora
Na Europa, a rápida popularização dos patinetes elétricos também trouxe desafios. Em Paris, o crescimento desordenado levou a prefeitura a adotar regras rígidas: limite de velocidade de 20 km/h, proibição nas calçadas e fiscalização intensiva. Segundo a Comissão Europeia, as medidas ajudaram a reduzir em 32% os acidentes graves com esse tipo de veículo.
Essa experiência serve como referência para o Brasil, onde especialistas defendem a criação de regras mais uniformes, sem desconsiderar as particularidades de cada município.
Acidentes com patinetes: por que acontecem?
Segundo especialistas, os acidentes com patinetes e e-bikes estão ligados a diferentes fatores:
- altura reduzida e menor estabilidade do veículo;
- falta de proteção do condutor em caso de colisão;
- ausência de infraestrutura, como ciclovias e áreas exclusivas;
- convivência conflituosa com carros, ônibus e pedestres.
“O que estamos vendo no Brasil é um fenômeno semelhante ao que ocorreu em grandes capitais do mundo: o crescimento desordenado da micromobilidade. Sem planejamento e infraestrutura adequados, o risco de acidentes aumenta significativamente”, analisa Celso Mariano, especialista em trânsito.
O futuro da micromobilidade no Brasil
Especialistas apontam que a tendência é de crescimento contínuo do uso de patinetes elétricos e e-bikes, impulsionado por fatores econômicos e ambientais. Para que esse avanço seja seguro, três caminhos são fundamentais:
- Infraestrutura urbana adaptada, com ciclovias e espaços dedicados;
- Regulamentação clara e uniforme, com fiscalização efetiva;
- Educação e conscientização, voltadas para usuários, motoristas e pedestres.
Enquanto isso, os números apresentados pelo G1 sobre São Paulo acendem um sinal de alerta. A rápida expansão da frota, acompanhada do aumento de acidentes, mostra que a micromobilidade urbana precisa de mais atenção das autoridades para se consolidar como alternativa segura e sustentável de transporte.
