03 de fevereiro de 2026

Novas rotas aéreas impulsionam turismo além das capitais

A interiorização dos voos comerciais altera o mapa das viagens no Brasil e movimenta destinos antes pouco conhecidos.


Por Agência de Conteúdo Publicado 17/08/2025 às 13h30
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Rotas aéreas
As estratégias de divulgação e promoção de destinos também passaram por transformações. Foto: iStock

O crescimento da malha aérea regional no Brasil tem alterado os hábitos de consumo de pacotes de viagens. Este movimento incentiva deslocamentos mais rápidos, práticos e com foco em experiências fora dos grandes centros urbanos. 

Com a expansão de aeroportos regionais, cidades do interior passam a receber voos comerciais diretos, o que contribui para o fortalecimento do turismo local e a diversificação dos fluxos de visitantes.

Segundo o relatório de Demanda e Oferta da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a região Nordeste ultrapassa a marca de 12 milhões de passageiros movimentados em seus dez principais aeroportos regionais em 2025. Este total representa um aumento de 170 mil pessoas, em comparação ao mesmo período de 2019, antes da pandemia. 

Em relação a 2024, o crescimento foi de 668 mil passageiros a mais, o que equivale a uma alta de 5,9%. Além disso, apenas em abril deste ano, os principais terminais da região registraram 2,8 milhões de embarques e desembarques em voos nacionais e internacionais. 

Já na região Norte, em maio de 2025, foram transportados 972.453 passageiros, o que representa um aumento de 10,8%, em comparação com o mesmo mês de 2024. Se comparado com maio de 2019, o crescimento foi de 22,1%. 

Este novo cenário pode impactar as estratégias de marketing adotadas por empresas do setor de turismo, que passam a explorar destinos fora do eixo das capitais. Ainda, o fortalecimento da aviação regional também amplia a concorrência entre rotas e cria novas possibilidades de conexão entre regiões.

Interiorização 

A entrada de voos comerciais em aeroportos regionais tem permitido uma interiorização real do turismo nacional. Segundo dados da ANAC, o número de aeroportos de pequeno e médio porte com operações regulares aumentou significativamente nos últimos anos, o que estimula a criação de novas rotas turísticas.

Alguns efeitos diretos desta expansão incluem:

  • redução no tempo de deslocamento entre cidades de diferentes regiões;
  • valorização de atrativos turísticos regionais;
  • estímulo à economia local, com o crescimento de setores como hotelaria e alimentação;
  • maior capilaridade dos serviços turísticos, com foco em experiências autênticas;
  • descentralização da demanda turística, antes concentrada em grandes capitais.

Com este novo arranjo logístico, destinos que antes eram considerados secundários começam a ganhar visibilidade, atraindo visitantes interessados em explorar regiões com menor densidade populacional e rica diversidade cultural, natural e gastronômica.

Marketing 

As estratégias de divulgação e promoção de destinos também passaram por transformações. Com a descentralização do turismo, empresas têm voltado seus esforços para valorizar aspectos locais, como festas populares, culinária regional, patrimônio histórico e natureza preservada.

Cidades médias do interior, agora mais acessíveis, são tratadas como produtos turísticos completos, com potencial para atrair diferentes perfis de viajantes, do turismo de aventura ao cultural, do religioso ao gastronômico. A aposta está em oferecer experiências únicas, associadas a deslocamentos mais rápidos e a uma infraestrutura em crescimento.

Além disso, de acordo com o portal gov.br, os órgãos públicos e o setor privado têm intensificado campanhas de marketing cooperado, envolvendo secretarias de turismo municipais, companhias aéreas e operadoras de turismo, no intuito de criar narrativas atrativas para os novos destinos emergentes.

Roteiros 

A mudança na malha aérea regional não apenas amplia o acesso a novas cidades, mas também impacta diretamente o desenho dos pacotes de viagens oferecidos pelas operadoras. O formato tradicional, focado em capitais e pontos turísticos de grande apelo, dá lugar a roteiros mais personalizados e com foco em diferentes regiões do país. 

A lógica de conectividade aérea, portanto, altera não apenas os trajetos físicos, mas também as decisões de compra dos consumidores. Muitos optam por viagens mais curtas e segmentadas, com foco em imersão cultural e atividades específicas.

Impactos nos negócios

Além do turismo de lazer, a ampliação dos aeroportos regionais favorece o de negócios. Ou seja, que também se beneficia das rotas alternativas e do acesso facilitado a polos comerciais fora das capitais. Eventos, feiras e encontros corporativos passam a ser realizados em cidades de porte médio, o que gera movimentação econômica local.

Ainda, o desenvolvimento da aviação regional, aliado a políticas públicas de incentivo e à digitalização dos serviços turísticos, também colabora para a formação de uma cadeia econômica mais robusta no interior do país. 

Desafios 

Apesar do avanço, a manutenção da malha aérea em cidades menores exige planejamento logístico eficiente, políticas de incentivo à operação em rotas menos rentáveis e investimentos em infraestrutura aeroportuária.

Aponta-se a conectividade entre diferentes modais (aéreo, rodoviário e ferroviário), por exemplo, como um dos pontos-chave para garantir a continuidade da expansão. Além disso, a capacitação de mão de obra local e a preservação das características culturais dos destinos são fundamentais para que o crescimento não resulte em descaracterização.

O marketing turístico, neste contexto, atua como ferramenta estratégica para atrair visitantes. Assim, para respeitar a vocação de cada local e integrar a comunidade à cadeia de valor.

Agência de Conteúdo

Conteúdo enviado por agência especializada em parceria com o Portal do Trânsito.

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