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Transporte Público: os impactos da bilhetagem aberta na mobilidade urbana 

Transporte Público: os impactos da bilhetagem aberta na mobilidade urbana
Foto: Pixabay.com

A bilhetagem aberta pode ter impactos significativos na experiência do usuário, na desoneração do poder público e na geração de novos negócios.

A abertura da comercialização de créditos, ou seja, a bilhetagem aberta, assim como do desbloqueio e da gestão dos cartões de transporte público no Brasil, pode ter impactos significativos na mobilidade, experiência do usuário, na desoneração do poder público e na geração de novos negócios.

Atualmente, o mercado de bilhetagem do país é fechado, ou seja, todas as etapas da operação são controladas por um único operador.

Com a digitalização da venda de crédito e o crescente aumento ao acesso aos smartphones pela população, a separação da comercialização de bilhetes da operação do transporte público incentiva a transparência e a abertura do mercado, possibilitando que diversas empresas promovam a qualificação e inovação do serviço de vendas de bilhetes de transporte, explica Luisa Peixoto, especialista em Políticas Públicas da Quicko – startup brasileira de mobilidade urbana.

“Atuando com formatos e dinâmicas diversos, estes empreendimentos vão impulsionar a competição e a qualificação do segmento. Dessa forma, as chances de falhas nas transações e os impactos negativos aos usuários podem ser minimizados. A delegação da comercialização de dados a terceiros também reduz os riscos e custos do operador do transporte uma vez que os custos com atendimento ao cliente e possíveis fraudes são absorvidos pela plataforma de comercialização de créditos”, detalha.

Com isso, também há oportunidade para o surgimento de novos produtos.

Isso, de acordo com a especialista, têm como objetivo oferecer uma melhor experiência e maior controle ao usuário, como a flexibilização das formas de pagamento, assinaturas de créditos mensais, passagens válidas para multimodais públicos e privados, integrações metropolitanas, entre outros. “A Quicko já faz um trabalho bastante robusto nas praças de atuação em que a bilhetagem é descentralizada. Em São Paulo e em Salvador, por exemplo, o aplicativo concede a experiência mais completa de pagamentos para o transporte público do Brasil, com a possibilidade da compra digital de créditos, disponível inclusive com o PIX, que proporciona grande comodidade ao usuário”, exemplifica.

De acordo com ela, na plataforma, também é possível conferir o saldo e o extrato do cartão. Bem como, fazer o bloqueio e o desbloqueio e cadastrar o CPF. Assim, é possível recuperar em créditos o valor que se usou para a adquirir o cartão e ainda resgatar o saldo em caso de perda ou furto.

Mercado fechado

Atualmente, o mercado de bilhetagem do país é fechado, ou seja, um único operador controla todas as etapas.

O principal ganho para o usuário final é a facilidade em acessar o transporte público. Assim sendo, evita filas para compra de créditos, escolhe qual plataforma oferece o melhor serviço de crédito. E, também, usufrui de serviços exclusivos e benefícios oferecidos pelas plataformas.

Outro ponto interessante da bilhetagem aberta na mobilidade, segundo Luisa, é que a maior participação do setor privado possibilita a colaboração e o compartilhamento de dados e informações com o poder público. Isso possibilita o aperfeiçoamento da inteligência de dados do setor e torna a gestão do transporte muito mais eficiente. Com isso, os serviços poderão ser entregues com mais qualidade e precisão. “É uma boa oportunidade para que o setor público e privado atuem de forma integrada e complementar. Dessa forma, abrindo espaço para que iniciativas privadas contribuam com ideias e projetos com potencial para transformar o segmento”, afirma.

Em São Paulo

No entanto, na maior cidade do País, o cenário é diferente. Em São Paulo a gestão fica a cargo de autoridades públicas. Já, a comercialização de créditos é aberta a qualquer empresa que se interesse através de um credenciamento.

Deste modo, diversas empresas podem fazer a comercialização de créditos de transporte e oferecer os diferenciais de seus produtos. No entanto, é preciso repensar em como o sistema incentiva a adoção de novas tecnologias. Além disso, trabalhar pela atualização constante do serviço ao cidadão, alerta a especialista em Políticas Públicas da Quicko.

Cartão TOP

Neste cenário, as novas tecnologias estão sendo implementadas constantemente através do cartão TOP – uma iniciativa do Governo de São Paulo para substituir o antigo Bom, no pagamento de ônibus metropolitanos e nas linhas do Metrô e CPTM, incorporando diversas tecnologias na sua operação, como a compra e o desbloqueio digital de catracas.

Luisa acredita que apenas com a abertura para mudanças e atualizações desses sistemas será possível haver um ponto inicial para a abertura e qualificação dos serviços de venda na esfera metropolitana de São Paulo. Nesse sentido, beneficiando usuários do transporte público em todo o Estado.

“No estado, podemos ter a chance da criação de iniciativas que insiram o país na nova era da mobilidade. Como, por exemplo, projetos de integração de pontos de bikes às linhas de ônibus e metrô com tarifas mais baixas. Essa estratégia é fundamental para tornar a mobilidade mais atraente e incentivar o não uso de carros particulares”.

Ela enfatiza, ainda, uma vantagem que já está sendo cada vez mais utilizada, principalmente ao longo do período de pandemia. É a possibilidade de fazer recarga dos bilhetes de forma 100% digital através de aplicativos, como a Quicko.

Oportunidades e tendências da bilhetagem aberta na mobilidade

Apesar de a maioria das cidades brasileiras ainda operarem com sistemas tradicionais, ela garante que já é possível observar uma tendência de alterar este cenário. Isso porque algumas regiões já estão se mobilizando. “O estado do Rio de Janeiro está em processo de estudo e proposta para uma nova concessão para o estado. Em Porto Alegre, a migração da gestão da bilhetagem do operador de transportes para gestão pública já está acontecendo. E, em São Paulo, como já dito, a gestão fica a cargo de autoridades públicas e a comercialização de créditos é aberta a qualquer empresa interessada através de um credenciamento”, detalha.

“Os benefícios da bilhetagem aberta são diversos e contribuem para a entrada do país na nova era da mobilidade. Nesse sentido, a coletividade e a conveniência para o usuário estão no cerne da discussão. Do surgimento de novos produtos e serviços ao aperfeiçoamento da complexidade do sistema de dados do transporte público, tudo contribui para a modernização do segmento de mobilidade urbana. E, consequentemente, democratiza o acesso à cidade de forma mais sustentável, propondo outras alternativas além do uso de carros particulares”, descreve e finaliza Luisa Peixoto, especialista em Políticas Públicas da Quicko, startup brasileira de mobilidade urbana.


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