15 de março de 2026

Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito: especialista alerta para riscos de afrouxar regras e medidas para salvar vidas

Especialista aponta que flexibilizar normas de habilitação, somado a problemas estruturais e comportamentais, pode aumentar acidentes. O Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito, em 16 de novembro, reforça a urgência da reflexão e da ação.


Por Mariana Czerwonka Publicado 16/11/2025 às 08h15
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dia mundial em memória às vítimas do trânsito
O Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito, em 16 de novembro, serve como alerta. Foto: Denny18 para Depositphotos

O trânsito brasileiro permanece entre os mais perigosos do mundo, com mais de 35 mil mortes registradas em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. Para o especialista Celso Mariano, as causas vão além da imprudência individual e envolvem falhas estruturais, culturais e políticas, e qualquer tentativa de afrouxar regras de habilitação pode agravar ainda mais essa tragédia.

“O trânsito seguro não depende apenas da educação do condutor. Estradas mal conservadas, sinalização inadequada e ausência de ciclovias aumentam o risco de acidentes. E se ainda afrouxarmos regras para habilitação, corremos o risco de colocar nas ruas motoristas menos preparados, aumentando vítimas e feridos”, alerta Mariano.

Segundo o especialista, problemas como buracos, iluminação deficiente, faixas de pedestre mal posicionadas e falta de ciclovias contribuem diretamente para acidentes graves, principalmente envolvendo pedestres, ciclistas e motociclistas. Ele reforça que investir em infraestrutura é tão essencial quanto conscientizar os condutores.

“Não basta orientar os motoristas. É preciso investir em vias planejadas, seguras e acessíveis, que protejam todos os usuários do trânsito. Afrouxar regras na formação de condutores seria um passo na direção contrária à segurança”, afirma Mariano.

Além da infraestrutura, comportamento cultural e hábitos de risco ainda contribuem significativamente para mortes no trânsito. Velocidade acima do limite, ultrapassagens perigosas, uso de celular ao volante e desrespeito à sinalização refletem uma cultura de impunidade, que pode se agravar se motoristas menos preparados forem liberados com facilidade.

“Grande parte das mortes acontece porque as pessoas ainda desrespeitam regras básicas, como limite de velocidade, uso do cinto e respeito ao pedestre. Se condutores menos preparados forem liberados com facilidade, veremos ainda mais acidentes graves e fatais”, explica Mariano.

A legislação brasileira evoluiu, mas a fiscalização insuficiente e a demora na aplicação de penalidades reduzem sua eficácia.

Para Mariano, flexibilizar regras de habilitação, como reduzir aulas práticas ou dispensar exames, é uma temeridade que ameaça reverter avanços conquistados em segurança viária.

“Leis existem, mas se não houver fiscalização efetiva e condutores bem preparados, elas pouco adiantam. Afrouxar a formação de motoristas é um risco desnecessário para toda a sociedade”, reforça o especialista.

O impacto humano dessas mortes é profundo. Cada vítima representa uma família destruída, amigos traumatizados e altos custos sociais e econômicos, desde gastos com saúde até perda de produtividade. O Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito, celebrado em 16 de novembro, lembra que não se trata apenas de números, mas de vidas humanas, e que a prevenção é responsabilidade coletiva.

“O Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito é uma oportunidade para refletir sobre o que estamos fazendo para reduzir acidentes. Não basta lembrar; é preciso agir para que menos pessoas sofram com acidentes evitáveis”, reforça Mariano.

Entre as soluções apontadas pelo especialista estão:

  • Infraestrutura segura: iluminação adequada, faixas de pedestre bem posicionadas, ciclovias e acostamentos protegidos;
  • Formação rigorosa de condutores: garantindo que todos estejam devidamente preparados antes de obter a CNH;
  • Educação no trânsito desde a infância: reforçando respeito às regras, comportamento responsável e cultura de segurança;
  • Fiscalização contínua e uso de tecnologia: radares educativos, monitoramento de velocidade e sistemas inteligentes de trânsito;
  • Políticas públicas integradas: transporte público eficiente, engenharia de tráfego, campanhas educativas contínuas e fiscalização efetiva.

“A redução de mortes no trânsito depende de políticas consistentes, fiscalização e formação adequada de condutores. Afrouxar regras seria um retrocesso perigoso. Cada medida aplicada com seriedade tem potencial para salvar vidas”, conclui Celso Mariano.

O especialista reforça que, sem medidas coordenadas e condutores bem preparados, o Brasil continuará registrando milhares de mortes todos os anos. O Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito, em 16 de novembro, serve como alerta e compromisso. Tanto governos, sociedade e motoristas devem se unir para prevenir acidentes e salvar vidas. Assim, lembrando que é possível evitar a perda de vidas com políticas sérias e prevenção adequada.

Mariana Czerwonka

Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

1 comentário

  • João Jerson da Silva Santiago
    16/11/2025 às 08:32

    Gostaria que as autoridades do nosso país vetasse essa medida que tira a obrigatoriedade dos candidatos a cnh nas auto escola. Isso é um absurdo, isso com certeza causará mais mortes no trânsito.

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