19 de janeiro de 2026

São Paulo volta a registrar mais de mil mortes no trânsito e pedestres puxam alta

São Paulo registrou 1.034 mortes no trânsito em 2025, o segundo maior número da série do Infosiga. Atropelamentos cresceram 10% e pedestres lideram a alta.


Por Redação Publicado 19/01/2026 às 17h25
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mortes no trânsito São Paulo
Atropelamentos cresceram 10% e pedestres lideram a alta. Foto: Frederiksen para Depositphotos

O trânsito da maior cidade do país fechou 2025 com um dado que interrompe a tendência de queda observada em anos anteriores e reacende o alerta sobre segurança viária. Levantamento da plataforma estadual Infosiga mostra que a capital paulista contabilizou 1.034 mortes em acidentes de trânsito ao longo do ano — cinco a mais do que em 2024, quando foram registradas 1.029 vítimas fatais.

O resultado coloca 2025 como o segundo pior ano desde o início da série histórica, iniciada em 2015. Naquele primeiro levantamento, São Paulo havia registrado 1.101 mortes. Desde então, os números oscilaram, mas nunca mais haviam ultrapassado novamente a marca de mil até agora.

A composição das vítimas também ajuda a explicar o cenário.

Os motociclistas seguem como o grupo mais atingido nas ruas paulistanas. Eles representam 37% de todas as mortes registradas no ano, com predominância de homens jovens, especialmente na faixa entre 25 e 29 anos. Outro dado preocupante revelado pelo Infosiga é o dia da semana com maior concentração de ocorrências fatais: os domingos lideram, sobretudo em vias urbanas.

Embora o total de mortes envolvendo motos tenha apresentado uma pequena redução — de 481 em 2024 para 475 em 2025, queda de apenas 1% — o impacto desse grupo ainda é decisivo nas estatísticas gerais, reforçando a vulnerabilidade dos condutores de duas rodas no ambiente urbano.

Mas o crescimento mais expressivo não veio das motos.

Os pedestres foram os que mais perderam espaço na segurança das ruas. O número de atropelamentos fatais saltou 10% em apenas um ano, passando de 372 mortes em 2024 para 410 em 2025. Na prática, isso significa que quatro em cada dez vítimas fatais no trânsito paulistano são pessoas que sequer estavam conduzindo veículos.

Especialistas em mobilidade costumam apontar que esse tipo de avanço nos atropelamentos está diretamente relacionado a fatores como excesso de velocidade em áreas urbanas, travessias inseguras, iluminação deficiente e aumento da circulação de motocicletas e veículos em corredores de grande fluxo. A combinação desses elementos transforma o pedestre no elo mais frágil do sistema viário.

Em contrapartida, outras categorias apresentaram retração.

As mortes em acidentes com carros caíram de forma significativa: foram 85 óbitos em 2025, contra 100 no ano anterior, redução de 15%. Já entre ciclistas, a queda foi ainda maior, chegando a 20%, com os registros passando de 44 para 35 vítimas fatais.

Apesar dessas reduções, elas não foram suficientes para compensar o avanço dos atropelamentos e o peso ainda elevado das ocorrências envolvendo motocicletas. O resultado final é um retrato duro da capital: mais mortes, mais vulnerabilidade dos usuários não motorizados e uma estagnação na redução dos acidentes com motos.

Dados oficiais de registros de ocorrências alimentam o Infosiga que monitora os sinistros com vítimas fatais em todo o estado de São Paulo. Na capital, os números servem como um termômetro importante das políticas públicas de trânsito e revelam que, mesmo com campanhas educativas e fiscalização, a cidade ainda enfrenta desafios estruturais para proteger quem circula a pé e em veículos de menor proteção.

O avanço das mortes de pedestres em 2025 reforça uma constatação recorrente: a violência no trânsito urbano não se limita aos motoristas imprudentes, mas também reflete falhas no desenho das vias, na gestão da mobilidade e na prioridade dada aos modos mais seguros de deslocamento.

Enquanto motos seguem dominando as estatísticas e atropelamentos crescem, São Paulo volta a conviver com um patamar de mortes semelhante ao de uma década atrás. Ou seja, um sinal claro de que o trânsito da capital ainda está longe de ser seguro para todos.

Redação

Matérias escritas pela equipe de Redação do Portal do Trânsito.

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