05 de abril de 2026

Abril Verde acende alerta para acidentes de trânsito relacionados ao trabalho no Brasil

Abril Verde alerta para um problema pouco discutido: muitos acidentes de trânsito são, na verdade, acidentes de trabalho. Entenda por que esse debate é fundamental para a segurança viária no Brasil.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 05/04/2026 às 08h15
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Abril verde
O debate sobre trânsito como ambiente de trabalho ainda é pouco explorado no Brasil. Foto: CeriBreeze para Depositphotos

Os acidentes de trânsito não impactam apenas as estatísticas gerais de sinistros e mortes nas vias brasileiras. Uma parte significativa dessas ocorrências está diretamente ligada ao trabalho — e esse é um tema que começa a ganhar mais espaço nas políticas públicas de saúde e segurança.

Dentro da campanha Abril Verde 2026, o Governo de Mato Grosso do Sul promove, no dia 7 de abril, o seminário “Acidentes no Trânsito Relacionados ao Trabalho: Vigilância, Prevenção e Proteção da Vida do Trabalhador e da Trabalhadora”. O evento reunirá especialistas, instituições públicas, representantes dos trabalhadores e profissionais das áreas de saúde, trânsito, transporte e segurança pública para discutir o tema.

Embora o seminário seja estadual, o assunto é nacional e cada vez mais urgente.

Acidentes de trânsito também são acidentes de trabalho

Muita gente não faz essa associação, mas uma parcela importante dos acidentes de trabalho acontece justamente no trânsito. Motoristas, motociclistas, caminhoneiros, entregadores, profissionais do transporte coletivo e trabalhadores por aplicativo têm as ruas e rodovias como ambiente de trabalho — e, portanto, estão expostos diariamente aos riscos viários.

Dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Mato Grosso do Sul indicam que cerca de 40% dos acidentes de trabalho identificados por monitoramento da mídia estão relacionados ao trânsito, o que mostra a dimensão do problema.

Esse cenário envolve fatores conhecidos: jornadas prolongadas, pressão por produtividade, prazos apertados, fadiga, estresse, além de condições inadequadas de trabalho e, muitas vezes, de manutenção dos veículos.

Ou seja, não se trata apenas de um problema de trânsito, mas também de saúde pública e de relações de trabalho.

Novo cenário aumenta a exposição ao risco

O crescimento da logística, do transporte de cargas, do turismo e, principalmente, do trabalho por aplicativo tem colocado cada vez mais pessoas nas ruas e rodovias durante longos períodos do dia.

Esse novo cenário aumenta a exposição ao risco de sinistros e reforça a necessidade de políticas públicas integradas.

Conforme a secretária-adjunta de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, Crhistinne Maymone, o tema ainda recebe pouca visibilidade.

“Os acidentes de trânsito relacionados ao trabalho são uma realidade que muitas vezes passa despercebida. Precisamos trazer esse tema para o centro das discussões, especialmente diante de um cenário de crescimento econômico, expansão logística e novas formas de trabalho”, afirma.

A fala reforça um ponto importante: muitos acidentes registrados como acidentes de trânsito deveriam também ser analisados como acidentes de trabalho. Ou seja, isso muda a forma de prevenção, notificação e acompanhamento desses casos.

Integração entre saúde, trânsito e trabalho

Um dos principais objetivos do seminário é justamente aproximar diferentes áreas — saúde, trânsito, transporte e segurança pública — para construir estratégias de prevenção mais eficazes.

A gerente de Comunicação e Informação da Coordenadoria de Vigilância em Saúde do Trabalhador, Bel Silva, destaca que a primeira etapa é dar visibilidade ao problema.

“Muitos acidentes de trânsito são, na verdade, acidentes de trabalho. Com esse novo cenário, essa realidade tende a crescer, e precisamos fortalecer as ações de prevenção”, pontua.

A proposta é melhorar a identificação desses acidentes e ampliar a notificação. Além disso, desenvolver políticas de prevenção voltadas especificamente para trabalhadores que passam grande parte da jornada no trânsito.

Um debate que precisa avançar

Quando se fala em segurança viária, normalmente o foco está no comportamento do condutor, na fiscalização ou na infraestrutura das vias. Tudo isso é fundamental, mas o debate sobre trânsito como ambiente de trabalho ainda é pouco explorado no Brasil.

Discutir jornadas de trabalho, metas de entrega, tempo de descanso, pressão por produtividade e remuneração por corrida ou entrega também é discutir segurança no trânsito.

Isso porque, muitas vezes, o risco não está apenas na via, mas no modelo de trabalho ao qual o profissional está submetido.

Trazer esse tema para o centro das discussões, como propõe a campanha Abril Verde, é um passo importante para entender que reduzir mortes e feridos no trânsito também passa por repensar a forma como o trabalho sobre rodas está organizado no país.

Assessoria de Imprensa

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