Falta de transporte ainda faz pacientes perderem consultas no SUS
Parceria para oferecer transporte gratuito levou 36 mil mulheres a exames e cirurgias do SUS. Caso mostra como a mobilidade influencia diretamente o acesso à saúde no Brasil.

A dificuldade de deslocamento ainda é um dos motivos que fazem pacientes faltarem a consultas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). E esse é um problema que não está ligado apenas à saúde, mas também à mobilidade urbana e ao acesso ao transporte.
Uma parceria entre a empresa de mobilidade 99 e o Ministério da Saúde mostrou, na prática, o impacto que o transporte pode ter no acesso ao atendimento médico. Durante um mutirão nacional de exames e cirurgias que aconteceu nos dias 21 e 22 de março, foram oferecidos vouchers de transporte gratuito para pacientes da rede pública. Ao todo, mais de 36 mil mulheres de 40 cidades brasileiras receberam o benefício.
Transporte como fator de acesso à saúde
A iniciativa integrou o programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, e teve como objetivo reduzir faltas em consultas, exames e cirurgias por falta de transporte — um problema mais comum do que se imagina, principalmente para pacientes que vivem longe dos hospitais ou não têm acesso fácil ao transporte público.
Houve a disponibilização de 73,6 mil vouchers de deslocamento (ida e volta), no valor de até R$ 150, para garantir que as pacientes conseguissem chegar aos hospitais e clínicas onde os procedimentos estavam agendados. O mutirão envolveu mais de 940 hospitais públicos, universitários, privados e filantrópicos em todo o país.
De acordo com Fernando Paes, Diretor Sênior de Políticas Públicas e Relações Governamentais da 99, a iniciativa buscou justamente reduzir uma barreira que muitas vezes impede o atendimento.
“Essa parceria contribui para a nossa missão de ampliar o acesso de brasileiros e brasileiras à mobilidade. Com ela, reafirmamos nosso compromisso em facilitar o dia a dia das pacientes e garantir que ninguém deixe de ser atendido por falta de transporte — sobretudo as mulheres, que representam mais de 60% das usuárias do nosso app de mobilidade. Temos orgulho de ter contribuído para a participação delas em uma iniciativa pioneira de saúde pública”, afirmou.
Mobilidade também é política pública
Embora muitas vezes o debate sobre trânsito e mobilidade fique restrito a congestionamentos, infraestrutura viária ou fiscalização, ações como essa mostram que o transporte também tem impacto direto em áreas como saúde, educação e acesso a serviços públicos.
Quando uma pessoa falta a uma consulta por não ter como chegar ao hospital, o problema não é apenas da saúde — é também de mobilidade urbana.
Nesse caso, houve a distribuição dos vouchers pelos próprios hospitais, que entravam em contato com as pacientes para confirmar os agendamentos e orientavam sobre como usar o aplicativo e o cupom de transporte para o deslocamento até a unidade de atendimento.
Conforme a empresa, a iniciativa reforça um debate importante: garantir acesso ao transporte também é garantir acesso a direitos básicos, como saúde, trabalho e educação.
Em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde muitas pessoas moram longe dos grandes centros assim como dos serviços públicos, pensar mobilidade não é apenas pensar em trânsito — é pensar em acesso e qualidade de vida.
