04 de maio de 2026

Motociclistas invisíveis no trânsito: por que tantos sinistros ainda acontecem no Brasil

Com mais de 15 mil mortes em 2024, motociclistas lideram estatísticas fatais e expõem falhas de atenção, comportamento de risco e convivência nas vias.


Por Mariana Czerwonka Publicado 04/05/2026 às 08h15
Ouvir: 00:00
motociclista invisível
Cerca de quatro em cada dez mortes no trânsito no país envolveram pessoas em motocicletas. Foto: joasouza para Depositphotos

O tema do Maio Amarelo 2026 — No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas — dialoga diretamente com um dos retratos mais preocupantes da mobilidade brasileira: a alta mortalidade envolvendo motociclistas. Cada vez mais presentes no trânsito urbano e nas rodovias, as motos ganharam espaço como alternativa econômica, ferramenta de trabalho e solução para deslocamentos rápidos. Ao mesmo tempo, seguem entre as principais vítimas dos sinistros de trânsito.

Dados consolidados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024. Desse total, 15.459 eram motociclistas, o maior grupo entre todas as categorias de vítimas. Isso significa que cerca de quatro em cada dez mortes no trânsito no país envolveram pessoas em motocicletas.

Os números reforçam que o problema é complexo e não pode ser explicado por uma única causa. Infraestrutura deficiente, excesso de velocidade, falhas de fiscalização, comportamento de risco e convivência ruim entre modais ajudam a compor esse cenário.

A invisibilidade da moto é real, mas não explica tudo

Especialistas em segurança viária reconhecem que muitos condutores de carros, ônibus e caminhões deixam de perceber a aproximação das motos em tempo hábil. Mudanças bruscas de faixa, conversões sem atenção e ponto cego seguem entre causas recorrentes de colisões.

Entre os fatores ligados aos demais veículos estão:

  • troca de faixa sem checagem adequada;
  • conversões sem seta ou sem atenção ao retrovisor;
  • uso do celular ao volante;
  • abertura de portas sem olhar;
  • subestimação da velocidade da motocicleta;
  • distância lateral insuficiente.

Mas responsabilizar apenas outros condutores seria simplificar um problema que também envolve parte dos próprios motociclistas.

Quando o motociclista também assume riscos

A rotina urbana, especialmente em grandes cidades, mostra que muitos motociclistas circulam sob pressão de tempo, produtividade e pressa. Em alguns casos, isso se traduz em comportamentos perigosos que elevam o risco de quedas e colisões.

Entre eles:

  • excesso de velocidade;
  • costurar entre veículos;
  • circular em corredores com alta velocidade;
  • ultrapassagens arriscadas;
  • avanço de sinal vermelho;
  • frenagens bruscas;
  • condução sem equipamentos adequados;
  • desrespeito à sinalização.

Em setores como entregas rápidas, por exemplo, o modelo de remuneração pode incentivar correria e decisões arriscadas no trânsito.

De acordo com Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, o debate precisa ser equilibrado.

“Não existe solução baseada em culpar apenas um grupo. O motociclista precisa ser respeitado, mas também precisa adotar condução segura. O trânsito exige responsabilidade compartilhada”, explica.

Vulnerabilidade física amplia consequências

Mesmo quando o erro inicial parte de outro veículo ou do próprio motociclista, as consequências para quem está na moto costumam ser mais graves. Diferentemente do carro, a motocicleta não oferece carroceria protetora, cintos ou airbags.

Por isso, impactos relativamente comuns no ambiente urbano podem gerar:

  • fraturas graves;
  • traumatismos;
  • incapacidade temporária ou permanente;
  • mortes.

O que pode reduzir os sinistros com motos

A redução das mortes passa por ações combinadas para:

Motoristas de outros veículos

  • checar retrovisores e ponto cego;
  • sinalizar manobras;
  • respeitar distância lateral;
  • evitar distrações ao volante.

Motociclistas

  • reduzir velocidade;
  • evitar manobras agressivas;
  • respeitar sinalização;
  • usar capacete corretamente afivelado;
  • manter pneus e freios em bom estado;
  • pilotar de forma previsível.

Poder público

  • engenharia viária segura;
  • pavimento de qualidade;
  • campanhas educativas permanentes;
  • fiscalização inteligente;
  • políticas específicas para mobilidade por moto.

Maio Amarelo 2026 pede convivência real

Enxergar o outro, como propõe o Maio Amarelo, vale para todos: motorista que precisa notar a moto ao lado, motociclista que deve reconhecer limites de risco e poder público que precisa enxergar a gravidade da crise.

“Salvar vidas no trânsito depende menos de disputa entre categorias e mais de responsabilidade coletiva”, finaliza Celso Mariano.

Mariana Czerwonka

Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *