Semáforo apagado: quem tem a preferência? Erro pode causar sinistros e até gerar multas
Quando a sinalização deixa de funcionar, muitos motoristas ficam em dúvida sobre quem deve passar primeiro. O Código de Trânsito Brasileiro traz regras específicas para essas situações.

Uma queda de energia, um defeito no equipamento ou uma manutenção inesperada podem deixar um cruzamento sem sinalização semafórica. Nesses momentos, é comum que motoristas hesitem, avancem ao mesmo tempo ou acreditem que a preferência continua sendo de quem trafega pela avenida principal. O problema é que essa interpretação nem sempre está correta e pode aumentar o risco de colisões.
Quando um semáforo está apagado ou operando apenas em modo de advertência, o cruzamento passa a ser tratado como se não houvesse controle semafórico. Nessa situação, entram em cena as regras gerais de circulação previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), além da sinalização vertical e horizontal existente no local.
A preferência depende da sinalização existente
A primeira providência do motorista deve ser observar se há placas de “PARE”, “Dê a Preferência” ou qualquer outra sinalização que estabeleça a prioridade de passagem.
Essas placas continuam valendo mesmo quando o semáforo deixa de funcionar. Portanto, quem estiver diante de um sinal de parada obrigatória deve respeitá-lo normalmente, independentemente de o equipamento luminoso estar apagado.
Se não houver qualquer sinalização regulamentando o cruzamento, aplica-se a regra geral prevista no CTB: a preferência é do veículo que se aproxima pela direita.
E se a via for uma avenida movimentada?
Esse é um dos erros mais frequentes no trânsito. Muitos condutores acreditam que uma avenida principal mantém automaticamente a preferência quando o semáforo deixa de funcionar. Na prática, isso só acontece se houver sinalização indicando essa prioridade.
Sem placas ou outra forma de regulamentação, a preferência deixa de ser determinada pelo volume de tráfego e passa a seguir as regras gerais de circulação previstas na legislação.
Semáforo piscando também exige atenção
Outra situação comum ocorre quando o equipamento entra em modo de advertência, exibindo apenas a luz amarela intermitente.
Nesse caso, o sinal não concede prioridade a nenhum dos sentidos da via. O objetivo é alertar os motoristas para que reduzam a velocidade, redobrem a atenção e atravessem o cruzamento apenas quando houver segurança.
Inclusive, decisões da Justiça já reconheceram que o semáforo em amarelo intermitente não estabelece preferência automática para nenhum condutor, exigindo cautela de todos os envolvidos.
A direção defensiva faz toda a diferença
Mesmo quando o motorista sabe que possui a preferência legal, isso não significa que possa atravessar o cruzamento sem reduzir a velocidade.
A direção defensiva recomenda diminuir a marcha, observar cuidadosamente todos os sentidos da via e manter contato visual, sempre que possível, com os demais condutores.
Essa postura é ainda mais importante porque muitos motoristas desconhecem as regras aplicáveis quando o semáforo está desligado, aumentando o risco de colisões laterais — um dos tipos de acidente mais graves em áreas urbanas.
Também é preciso atenção especial à presença de pedestres, ciclistas e motociclistas, usuários mais vulneráveis que podem estar atravessando a via ou ser menos visíveis em situações de chuva ou baixa luminosidade.
O que fazer ao encontrar um semáforo apagado?
Algumas atitudes ajudam a tornar a travessia mais segura:
- reduza a velocidade ao se aproximar do cruzamento;
- observe se existem placas de “PARE” ou “Dê a Preferência”;
- na ausência de sinalização, respeite a preferência de quem vem pela direita;
- nunca suponha que a avenida mais movimentada tem prioridade automaticamente;
- atravesse somente quando tiver certeza de que a manobra pode ser realizada com segurança.
Segurança deve vir antes da preferência
Embora o CTB estabeleça regras claras sobre prioridade de passagem, o princípio mais importante continua sendo a preservação da vida.
Em um cruzamento com o semáforo apagado, insistir na preferência sem avaliar o comportamento dos demais condutores pode resultar em acidentes graves. Por isso, mais importante do que saber quem tem o direito de passar primeiro é garantir que a travessia aconteça de forma segura.
A combinação entre conhecimento da legislação e direção defensiva continua sendo a melhor forma de evitar conflitos e proteger todos os usuários das vias.
