Notícias

Notícias

"Fui ali rapidinho", "é que eu não vi" e as desculpas dos motoristas 

"Fui ali rapidinho", "é que eu não vi" e as desculpas dos motoristas
Pelo projeto, deixam de ser consideradas infrações puníveis todas aquelas em que o condutor puder sanar no local, como parar em local proibido. Foto: Arquivo Tecnodata.

Desculpas dos motoristas

O ‘jeitinho’ brasileiro nas ruas. O motorista sabe que está errado, mas ao invés de simplesmente admitir, não. Prefere negar ou inventar uma desculpa esfarrapada, daquelas que levam agentes de trânsito, funcionários do parquímetro e até policiais militares a se perguntar: será que eu tenho cara de bobo?

Os “fui ali só 5 minutinhos” é o campeão, segundo o agente de trânsito Renato Brito Alves, de 35 anos. Nas ruas há dois, ele fala do ‘problema’ em confundir as cores do semáforo, já que para os motoristas que passaram no vermelho, o sinal sempre está amarelo ainda. Uso de celulares à parte, as desculpas de quem foi ‘pego’ com o aparelho em mãos também são as mais variadas.

A tendência é negar de primeira. “Mas eu não estava falando, estava só vendo quem ligou. Ou então dizem que estavam só vendo as horas. Mas desconhecem que a infração de trânsito não é falar e sim usar o celular em trânsito”, comenta.

Quando o assunto é blitz, as desculpas crescem e muitas mães são colocadas à beira da morte. “Um monte de gente sempre está indo buscar a mãe no hospital”, relata.

O orientador de tráfego, Valdinei da Silva Santos, de 40 anos, é quem começa a rir logo de cara, quando escuta a pergunta do que ele já ouviu de justificativa. A sinalização é clara e o motorista pode até não se lembrar, mas ele desce do carro e precisa ‘passar’ pelo parquímetro para andar à rua. Ou seja, não tem como ele não ver o reloginho.

“É cada uma, olha as pessoas acham que a gente é burro. Esses dias mesmo chegou um carro com placa de Dourados e quando me viu notificando perguntou o que era o Flexpark que ele nunca tinha ouvido falar. Eu perguntei de qual cidade você é? Quando ele disse Dourados, eu falei você está de sacanagem comigo, porque em Dourados também tem e aliás é até o mesmo dono. Ele ficou todo sem graça”, relembra.

No cotidiano de fiscalizar que não conectou o chaveiro no parquímetro, Valdinei sempre chega, para um pouco, dando até chance para o motorista aparecer, mas é só abrir o bloco de notificações que os condutores aparecem e com as mais variadas desculpas. “Ai eu não te vi aí, mas como não me viu? Eu sou invisível agora? Foram só 5 minutinhos… Mentira, o cara estava era comendo salgado na lanchonete”, conta.

Agora o que chega até tirar gente do sério é ouvir motorista dizer que não conhece o parquímetro. “Até quem anda à pé sabe. É que eles acham que a gente multa, mas não. Isso é só uma notificação, mas neste trabalho a gente ouve tanta besteira”, desabafa.

Policial de trânsito há 10 anos, o sargento Adilson Soares de Oliveira, de 38 anos, já escuta o que o brasileiro tenta empurrar como verdade. “Todo mundo faz”. Quando a história é falta de documentos como licenciamento e a própria carteira de habilitação, se ouve que a condição está difícil ou então que falta tempo.

“Existe também os que sempre estão indo acudir alguém doente, ou os próprios condutores, geralmente mulheres, que dão a desculpa de que estão grávidas e passando mal”, completa.

Um caso em especial ele guarda na cabeça até hoje. De um condutor que tinha todos os documentos no bolso, exceto a CNH. “O cidadão inha tudo, até carteira de reservista e de trabalho e não estava com a CNH, veio dizendo que justamente aquele documento ele tinha esquecido na casa da sogra”.

A clássica das ruas são as promessas, diz ele. “Se você me liberar hoje, eu prometo que amanhã ou então semana que vem eu te mostro. Eu pago, eu tiro… Essa não cola”, adverte.

Mas a melhor das histórias é do policial militar Paulo Alberto Doreto. No caso não foi nem a desculpa que era esfarrapada, mas a justificativa verdadeira, embora errada, de um motorista para o excesso de velocidade foi de tamanha criatividade que vale fechar a matéria.

“Era serviço na avenida Afonso Pena quando um Minicooper passou a trocentos por hora. Nós fomos atrás, a gente só conseguiu abordar na altura da Cigcoe quando ele já estava voltando. Fechamos a via, aí ele parou. Quando eu abordei ele disse que tinha acabado de comprar o carro e que antes tinha um Camaro que não corria o tanto que ele queria. E naquele dia ele estava vendo se o Minicooper corria o suficiente para agradá-lo”. O condutor, claro, teve o carro apreendido e a CNH tomada pelos policiais.

Fonte: Campo Grande News


Artigos Recomendados Para Você

Deixe uma resposta

Campos obrigatórios *

Trocar a senha

Identifique-se para receber um e-mail com as instruções de nova senha.

[wp_user active='forgot']