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Bebida aumenta custo do trânsito 

Quase 50% dos gastos do poder público com acidentes de trânsito poderiam ser evitados caso a combinação álcool e direção não fosse tão comum no país. A conclusão é de uma pesquisa desenvolvida por médicos psiquiatras e economistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que calculou os custos diretos e indiretos dos acidentes de trânsito nas vias urbanas de Porto Alegre. O estudo “Acidentes de Trânsito e Abuso de Álcool: qual o custo para a sociedade portoalegrense” mostra que as 6.664 vítimas de acidentes de trânsito em 2008 e as 155 mortes em 2007 custaram R$ 66 milhões para o poder público e a população de Porto Alegre. Pouco menos da metade deste valor – R$31,4 milhões – foi o custo dos acidentes atribuídos ao consumo de álcool. Para chegar ao montante, os pesquisadores somaram os gastos com médicos, resgate, internação, guinchos para a remoção de veículos, danos causados à propriedade, perda de produtividade gerada por morte prematura das vítimas e inabilidade por morbidade. Para o cálculo, foram utilizados os custos do Sistema Único de Saúde (SUS). Para a obtenção dos custos da perda de produtividade, 615 vítimas foram entrevistadas durante seis meses após o acidente. Embora a pesquisa não reflita a realidade de outras cidades brasileiras, já que todos os valores são específicos da capital gaúcha, o coordenador do estudo, professor e economista Sabino da Silva Pôrto Júnior, diz que, em maior ou menor grau, a situação e os custos são semelhantes em todos os municípios. “A pesquisa mostra a realidade de Porto Alegre, mas ela não é muito diferente de outras cidades”, afirma. Considerados um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes de trânsito são a segunda causa de mortalidade juvenil no Brasil. Para Pôrto Junior, os resultados revelam quantos recursos têm sido desperdiçados. “Os custos são muito elevados, principalmente para uma cidade como Porto Alegre. É um dinheiro que poderia ser usado na construção de creches, na melhoria do sitema de saúde”, diz o economista. Causas Financiada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), a pesquisa, segundo Pôrto Júnior, não tem a intenção de descobrir as causas dos acidentes, mas de mostrar o impacto deles sobre a sociedade. Para o professor, mesmo que a pesquisa tenha sido feita antes da aplicação da Lei Seca (em vigor desde junho de 2008), o cenário atual não é muito diferente. “Se a lei fosse aplicada efetivamente, teríamos alguma mudança no resultado. Mas não é o caso. É importante que haja uma fiscalização competente. Nos Estados Unidos, por exemplo, o condutor é obrigado a fazer o teste do bafômetro. No Brasil, não. É necessária uma mudança de cultura.” Na opinião dele, o álcool é um problema mais sério do que apenas um potencial causador de acidentes. “O álcool é subavaliado pela autoridades. A pesquisa limitou-se a calcular os custos no trânsito, mas ele causa prejuízos e custos que poderiam ser evitados”, diz o professor, que deu uma palestra ontem na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. Fonte: Gazeta do Povo

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