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16 de julho de 2024

Carro autônomo levará mais de cinco anos para chegar às ruas


Por Talita Inaba Publicado 28/05/2013 às 03h00 Atualizado 08/11/2022 às 23h38
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Notícias que envolvem carros autônomos ganharam mais atenção desde que o Google anunciou que desenvolvia, em seu laboratório, um veículo deste tipo. Além da empresa de Mountain View, outros automóveis que são conduzidos por computadores estão sendo criados por universidades e seus pesquisadores, entre eles, uma experiência ocorre no Brasil. A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) apresentou o seu modelo de carro autônomo há cerca de um mês, no programa da Ana Maria Braga, da Rede Globo. O caso acabou ganhando destaque de forma negativa, por conta de um acidente, ao vivo, envolvendo falha humana, o carro e a apresentadora global, que saiu do ar com o braço machucado. O professor Alberto Ferreira de Souza, um dos responsáveis pelo projeto nacional, conversou com INFO Online sobre o andamento da pesquisa, seu potencial e como serão as cidades com veículos autônomos. Como funciona o carro autônomo? – O automóvel possui vários aparelhos, entre lasers, câmeras e sensores de movimentos. As múltiplas câmeras constroem a representação da realidade em três dimensões. Os lasers do carro disparam 32 raios simultaneamente para fazer uma varredura do espaço. Com os dados capturados, o computador interno cria uma interpretação interna sobre o mundo externo. Após isso, o carro pode então navegar por esse “mundo externo”. Qual é a diferença do carro de vocês para outros projetos, como o do Google? – Para falar a verdade, o carro autônomo é somente uma parte sobre o nosso estudo de capacidade de cognição de imagens estáticas. O real objetivo da nossa pesquisa é estudar a cognição visual de imagens móveis. E quais são as outras pesquisas feitas sobre o tema? – Primeiro começamos colocando uma câmera em um robô, para entender o trajeto feito de um ponto “A” para o ponto “B”. Após isso, tentamos entender como a cognição humana entende imagens em movimento, já que essa é a realidade mais próxima da vida real, que leva em conta estradas, pedestres, leis de trânsito para se respeitar. Acreditamos que esse universo que envolve o motorista do carro é muito rico e aos mesmo tempo “duro”. Antes de apresentar o carro autônomo, nós apresentamos um algoritmo que reconhece placas de trânsito. Esse sistema foi o terceiro colocado em um concurso de inteligência artificial. Quantas pessoas participam deste projeto? – O projeto envolve 15 pessoas, entre professores e alunos. Por que aconteceu o acidente com a Ana Maria Braga? – Foi uma falha humana. Quem viu o programa, sabe que o carro funcionou perfeitamente bem. O problema aconteceu no momento que o computador foi passado do modo autônomo para o modo humano. O freio de mão não estava engatado e o carro estava em uma área íngreme. Esqueci de tomar as medidas de segurança, talvez por conta do meu nervosismo no momento. Apesar da repercussão negativa, a visibilidade do projeto aumentou? – Olha, eu não sei dizer. Mas eu fiquei muito feliz, a Ana estava super preocupada. Depois do acidente ela recebeu a gente super bem. Ela elogiou o processo e agradeceu. Eu sou fã da Ana Maria Braga. Essas coisas acontecem com tecnologias de alto nível. Vocês já conversam com montadoras ou investidores para desenvolver mais carros destes? – Ano passado nós conversamos com a Volkswagen. Pedimos o apoio deles e eles receberam a gente super bem, ofereceram carro para usar na pesquisa. Porém, eles não podiam nos ajudar na engenharia, tínhamos dinheiro pra comprar o carro, mas não conseguimos uma empresa que pudesse alterar o volante com joystick. Foi aí a gente comprou um carro da TORC, que desenvolve este tipo de tecnologia que precisávamos. Qual é o custo de um carro nestes moldes? – O carro custou US$ 40 mil. Além disso, as alterações do carro mais as soluções de energia custaram US$ 80 mil. Para os sensores, a gente gastou mais US$ 100. Todo o projeto deve custar em torno de R$ 500 mil. Quando um carro destes poderá ser encontrado nas ruas? – Olha, os mais otimistas acreditam quem em cinco anos. Eu sou pessimista, acho que ainda há muita sofisticação na relação homem/máquina. Por exemplo com a Ana Maria, o carro não podia ser passado do autônomo para o manual em um plano inclinado. Além disso, há outros fatores que precisam ser estudados. Toda essa evolução será progressiva. À medida que a sociedade aceitar, o carro autônomo será incorporado. Fonte: Exame.com

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