Carro elétrico pode custar 77% menos por quilômetro rodado; veja a comparação
Levantamento realizado em Goiás aponta gasto estimado de R$ 15 para percorrer 100 quilômetros com veículo elétrico, contra R$ 65 com gasolina e R$ 53 com etanol.

Quanto custa percorrer 100 quilômetros com um carro elétrico? E quanto o motorista gastaria para fazer o mesmo trajeto utilizando gasolina ou etanol? Com o crescimento da oferta de veículos eletrificados no Brasil, essas perguntas ganham importância para quem está pensando em trocar de automóvel ou simplesmente quer entender as diferenças entre as tecnologias.
Um levantamento do Grupo Saga, realizado com base nos modelos 100% elétricos comercializados pela empresa em Goiás, aponta que o custo estimado para percorrer 100 quilômetros com um veículo elétrico é de aproximadamente R$ 15, considerando a recarga residencial.
Para efeito de comparação, um automóvel a combustão que percorra dez quilômetros por litro teria um gasto aproximado de R$ 65 com gasolina ou R$ 53 com etanol para percorrer a mesma distância.
Nesse cenário, a economia do elétrico chega a aproximadamente 77% em relação à gasolina e 72% na comparação com o etanol.
A diferença chama atenção, mas o resultado depende de fatores como o consumo do veículo, a tarifa de energia elétrica, o preço dos combustíveis e a forma de utilização do automóvel.
Quanto custa rodar 100 quilômetros com cada tipo de veículo?
A comparação apresentada pelo Grupo Saga considera um veículo a combustão com consumo médio de dez quilômetros por litro e um modelo elétrico abastecido por meio de recarga residencial.
Os custos estimados são os seguintes:
| Tipo de veículo | Custo para 100 km |
|---|---|
| Elétrico, com recarga residencial | R$ 15 |
| A combustão, utilizando etanol | R$ 53 |
| A combustão, utilizando gasolina | R$ 65 |
A diferença representa uma economia aproximada de R$ 50 a cada 100 quilômetros percorridos quando o elétrico é comparado ao veículo abastecido com gasolina.
Em um percurso de mil quilômetros, por exemplo, os gastos estimados seriam de R$ 150 com energia elétrica, R$ 530 com etanol e R$ 650 com gasolina, mantendo as mesmas condições de consumo e preço.
Isso significa uma diferença de R$ 500 entre o elétrico e o veículo a gasolina nesse percurso.
“Quando analisamos o custo por quilômetro rodado, os veículos 100% elétricos apresentam uma diferença significativa em relação aos modelos a combustão. A economia efetiva depende de fatores como o modelo escolhido, a tarifa de energia e as condições de uso, mas a recarga residencial pode representar uma redução importante no gasto com deslocamento”, explica Francine Carossi, diretora da Saga BYD e Denza.
Quanto custa carregar completamente um carro elétrico em casa?
Conforme o levantamento, uma recarga completa dos modelos elétricos considerados custa aproximadamente R$ 40 em Goiás.
O cálculo utiliza como referência uma tarifa residencial de energia elétrica de cerca de R$ 1,16 por quilowatt-hora (kWh), em Goiânia.
A autonomia dos veículos analisados varia de 250 a 291 quilômetros por carga, conforme o modelo e as condições de utilização.
Na prática, o custo de uma recarga completa precisa ser analisado em conjunto com a capacidade da bateria, a eficiência energética e a autonomia do veículo.
Isso porque dois carros elétricos podem apresentar gastos diferentes para percorrer a mesma distância, mesmo quando são abastecidos pela mesma tarifa de energia.
Além disso, fatores como velocidade, relevo, uso do ar-condicionado e estilo de condução podem influenciar o consumo energético e a autonomia.
Recarregar em casa ou em postos públicos faz diferença no bolso?
Sim. A forma de recarga pode alterar significativamente o custo de utilização de um veículo elétrico.
Em Goiânia, enquanto a tarifa residencial utilizada no levantamento é de aproximadamente R$ 1,16 por kWh, o valor informado para carregadores públicos varia entre R$ 2,00 e R$ 2,40 por kWh, especialmente nos pontos de recarga rápida.
Isso significa que a energia adquirida em um carregador público pode custar consideravelmente mais do que a utilizada em uma residência.
A diferença está relacionada ao modelo de cobrança dos serviços, à infraestrutura disponível e à conveniência oferecida pelos pontos de recarga.
Para motoristas que conseguem carregar o veículo em casa, especialmente durante a noite, a recarga residencial pode representar uma vantagem econômica.
Já quem depende exclusivamente de carregadores públicos precisa considerar os valores cobrados em cada estabelecimento e a disponibilidade de pontos próximos aos trajetos habituais.
“Para quem tem possibilidade de carregar o veículo em casa, esse fator pode contribuir para tornar o custo de uso mais competitivo. Os carregadores públicos cumprem um papel importante para quem precisa recarregar durante o trajeto ou busca maior agilidade, mas é necessário considerar o preço do kWh em cada ponto”, afirma Francine.
A economia é igual em todo o Brasil?
Os custos de utilização de um carro elétrico variam conforme a região. As tarifas de energia elétrica não são iguais em todos os estados e podem sofrer alterações conforme a distribuidora, os tributos e as condições tarifárias aplicáveis.
Da mesma forma, os preços da gasolina e do etanol apresentam diferenças regionais.
Outro fator importante é a eficiência do próprio veículo. Modelos com características diferentes podem consumir quantidades distintas de energia para percorrer a mesma distância.
Por isso, a comparação mais adequada é aquela que considera os preços praticados na região onde o motorista mora e os dados de consumo dos veículos que pretende avaliar.
Também é importante observar que a economia com energia ou combustível não representa, necessariamente, uma economia equivalente no custo total de propriedade.
O preço de aquisição, o seguro, a manutenção, a depreciação e a eventual instalação de equipamentos de recarga residencial também precisam entrar na conta.
Autonomia deve ser considerada antes da compra
Além do custo por quilômetro, a autonomia é um dos aspectos mais importantes para quem considera adquirir um veículo 100% elétrico.
No levantamento do Grupo Saga, os modelos analisados apresentam autonomia entre 250 e 291 quilômetros por carga.
Para motoristas que utilizam o automóvel principalmente em trajetos urbanos, essa distância pode atender a diferentes rotinas de deslocamento, dependendo da quilometragem percorrida diariamente.
Já para quem costuma realizar viagens longas, é necessário avaliar a localização dos pontos de recarga ao longo do percurso, o tempo necessário para carregar a bateria e a autonomia disponível em diferentes condições de uso.
O planejamento também deve considerar que a autonomia efetiva pode variar em relação aos valores de referência divulgados para cada modelo.
Mercado de veículos eletrificados cresce no Brasil
O interesse pelos veículos elétricos acompanha a expansão do mercado de eletrificados no país.
De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia apresentados no levantamento, o número de licenciamentos desses veículos passou de 1,9 mil em 2020 para mais de 215 mil em 2024.
A categoria reúne diferentes tecnologias de eletrificação, incluindo veículos híbridos, e não apenas modelos totalmente elétricos.
A ampliação da oferta de automóveis e o desenvolvimento da infraestrutura de recarga contribuem para colocar novas alternativas à disposição dos consumidores.
Entretanto, a escolha entre um veículo elétrico, híbrido ou a combustão depende das necessidades individuais de cada motorista.
“A escolha deve considerar o perfil de utilização do veículo, a distância percorrida no dia a dia e as possibilidades de recarga. Esses fatores ajudam o motorista a entender os custos de uso e a identificar a alternativa mais adequada à sua rotina”, finaliza Francine.
Vale a pena trocar um carro a combustão por um elétrico?
A possibilidade de gastar menos por quilômetro rodado é uma das principais vantagens econômicas dos veículos 100% elétricos, especialmente para quem dispõe de recarga residencial.
No cenário apresentado pelo Grupo Saga, o gasto com energia para percorrer 100 quilômetros representa menos de um quarto do custo estimado com gasolina.
Mas a decisão de compra deve ir além dessa comparação.
Motoristas que percorrem grandes distâncias diariamente podem perceber uma diferença expressiva nas despesas com energia e combustível ao longo do tempo. Por outro lado, o investimento inicial e a disponibilidade de infraestrutura de recarga também influenciam a viabilidade da escolha.
Antes de decidir, o consumidor deve calcular sua quilometragem média mensal, verificar a tarifa de energia da residência, comparar o consumo dos modelos disponíveis e considerar os demais custos de utilização.
A principal conclusão é que o carro elétrico pode oferecer uma redução significativa no gasto por quilômetro rodado, mas a economia real depende da combinação entre veículo, rotina e condições de recarga.
