Maio Amarelo revela tema de 2027 e chama atenção para atitudes que se multiplicam no trânsito
Nova campanha destaca como o comportamento de motoristas, motociclistas, passageiros e pedestres pode influenciar outras pessoas e contribuir para a segurança viária.

O Maio Amarelo já definiu o tema de sua campanha para 2027. Com o mote “No trânsito, sua atitude vira referência”, o movimento pretende chamar a atenção para a influência que as escolhas individuais exercem sobre outras pessoas — tanto na reprodução de comportamentos seguros quanto na normalização de atitudes de risco.
O tema foi apresentado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), responsável pela idealização do movimento no Brasil. A proposta parte da ideia de que o comportamento no trânsito não afeta apenas quem pratica determinada ação. Ele também pode servir de exemplo para filhos, familiares, amigos, colegas de trabalho bem como para outras pessoas que compartilham as vias.
Respeitar a faixa de pedestres, reduzir a velocidade, utilizar corretamente o cinto de segurança, oferecer capacete ao passageiro da motocicleta e não dirigir após consumir bebida alcoólica estão entre os exemplos destacados pela campanha.
“A proposta do Maio Amarelo 2027 é lembrar que ninguém transita sozinho. Mesmo quando não percebemos, nossas escolhas estão sendo observadas e podem influenciar a atitude de outras pessoas. A campanha faz um convite para que cada cidadão reflita: que referência estou deixando no trânsito?”, afirma Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária.
Campanha propõe reflexão sobre o exemplo no trânsito
A mensagem escolhida para 2027 considera que as pessoas aprendem e adaptam seus comportamentos também por meio da observação.
No trânsito, isso significa que uma atitude pode ultrapassar o momento em que acontece. Uma criança que observa um adulto utilizando o cinto de segurança, por exemplo, tem contato com uma prática de proteção. Da mesma forma, comportamentos arriscados repetidos diante de outras pessoas podem transmitir a impressão de que são aceitáveis.
Conforme o Observatório, essa influência não se limita aos condutores. Passageiros, pedestres e demais usuários das vias também participam da construção de referências de convivência e segurança.
A proposta da campanha é estimular uma reflexão sobre o comportamento individual, sem perder de vista que a prevenção de mortes e lesões também depende de fiscalização, infraestrutura adequada, veículos seguros e políticas públicas permanentes.
Brasil registrou mais de 37 mil mortes no trânsito em 2024
A divulgação do tema ocorre em um cenário de crescimento da mortalidade no trânsito brasileiro.
De acordo com dados consolidados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), analisados pelo Observatório, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024. Foram 2.269 óbitos a mais do que em 2023, aumento de 6,5%.
O total equivale a uma média de aproximadamente 102 mortes por dia.
O levantamento aponta crescimento das mortes em diferentes grupos de usuários. Entre 2023 e 2024, a alta foi de 30,22% entre ocupantes de caminhões, 28,30% entre ocupantes de ônibus, 14,71% entre motociclistas e 3,70% entre ocupantes de automóveis.
Os homens representaram 82% das vítimas fatais. A faixa etária de 20 a 24 anos concentrou a maior quantidade de mortes, inclusive entre os motociclistas.
Os percentuais de crescimento mostram a evolução das mortes em cada grupo, mas não indicam, isoladamente, qual deles reúne o maior número absoluto de vítimas.
O que se tolera também pode virar referência
Além dos comportamentos praticados diretamente, a campanha de 2027 pretende abordar as atitudes de risco que são aceitas ou minimizadas por outras pessoas.
Um dos exemplos apresentados pelo Observatório é permitir que alguém dirija após consumir bebida alcoólica. A entidade também menciona situações em que passageiros deixam de questionar o uso do celular ao volante, a ausência do cinto de segurança ou o transporte de crianças sem o dispositivo adequado. “O mesmo ocorre quando ninguém questiona o uso do celular ao volante, a falta do cinto de segurança ou o transporte de crianças sem o dispositivo adequado. Quando um comportamento perigoso é repetido e socialmente aceito, ele passa a parecer normal e pode ser reproduzido por outras pessoas”, alerta Paulo Guimarães.
Nesse contexto, o movimento pretende incentivar atitudes que interrompam situações de risco antes que elas resultem em um sinistro.
“Mudar essa realidade também exige coragem para interromper o risco. Oferecer uma carona, chamar um transporte por aplicativo, guardar a chave do veículo ou dizer claramente que determinada conduta não é segura são atitudes de cuidado, não de julgamento. São escolhas que protegem vidas e estabelecem novas referências de convivência. Porque o que você faz tem consequências e vira referência. O que você tolera, também”, conclui Guimarães.
Segurança no trânsito também é uma questão de trabalho
O Observatório também relaciona a prevenção de sinistros à segurança e à saúde ocupacional.
Conforme estimativas utilizadas pela entidade, um em cada quatro acidentes de trabalho ocorre no trânsito, considerando tanto atividades realizadas durante a jornada quanto deslocamentos entre a residência e o local de trabalho.
O levantamento apresentado pelo ONSV aponta crescimento dos óbitos relacionados a acidentes de trabalho envolvendo transporte: foram 1.268 mortes em 2020, 1.521 em 2021 e 1.729 em 2022.
Em 2023, dos 2.538 óbitos por acidentes de trabalho considerados no levantamento, 1.964 foram associados a acidentes de transporte, o equivalente a 77,38% do total.
Os números reforçam a importância de incluir a segurança viária nas rotinas de empresas e trabalhadores que utilizam as vias em suas atividades, seja para transporte de cargas, entregas, deslocamento de passageiros ou outras funções.
Maio Amarelo 2027
Idealizado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, o Maio Amarelo reúne poder público, empresas, entidades e cidadãos em ações de conscientização e prevenção.
Com o tema de 2027, o movimento pretende ampliar a discussão sobre a influência social dos comportamentos no trânsito. A mensagem central é que uma escolha segura pode servir de referência para outras pessoas — assim como a tolerância a uma conduta perigosa pode contribuir para sua repetição.
A campanha será desenvolvida em um momento em que o Brasil se aproxima de 2030, prazo estabelecido para a meta nacional de redução das mortes no trânsito. Além das ações de conscientização, o avanço desse compromisso dependerá da continuidade de medidas de prevenção e do acompanhamento de seus resultados.
