Esses comportamentos ao volante podem anteceder um acidente sem que o motorista perceba
Especialista alerta que fadiga, distração, excesso de velocidade e ultrapassagens perigosas estão entre os principais fatores de risco nas estradas.

Nem todo sinistro de trânsito acontece de forma imprevisível. Em muitos casos, há comportamentos e situações que aumentam gradualmente o risco de acidentes antes mesmo de qualquer colisão ocorrer.
Conforme especialistas em segurança no transporte, identificar esses sinais precocemente é uma das estratégias mais eficazes para prevenir ocorrências, especialmente nas rodovias, onde as consequências costumam ser mais graves.
Para Rebeca Ludovico, diretora de Vendas da Platform Science para o Brasil e América Latina, a prevenção depende cada vez mais da capacidade de reconhecer comportamentos inseguros antes que eles resultem em acidentes.
“Hoje já é possível detectar diversos sinais que antecedem um acidente, desde indícios de fadiga até momentos de distração ao volante. A tecnologia permite que esses comportamentos sejam identificados em tempo real, possibilitando uma intervenção imediata e reduzindo significativamente os riscos nas operações de transporte”, afirma.
A especialista destaca que a segurança viária não depende apenas das condições das rodovias ou dos veículos. O comportamento do motorista também exerce papel decisivo na prevenção de sinistros.
1. Fadiga e sonolência ao volante
O cansaço continua entre os fatores que mais preocupam especialistas em segurança viária.
O problema é que a fadiga costuma surgir de forma gradual, fazendo com que muitos motoristas não percebam a redução da atenção.
Entre os principais sinais estão:
- bocejos frequentes;
- piscadas prolongadas;
- dificuldade para manter velocidade constante;
- pequenas saídas da faixa de rolamento seguidas de correções bruscas.
De acordo com Ludovico, esses indícios não devem ser ignorados. “Quando o motorista apresenta micro-sonos ou demora mais para reagir a situações da via, o risco de acidente aumenta de forma exponencial. São sinais que não devem ser ignorados e ao detectar eles logo de cara, ajudariam reduzir o número de acidentes”, explica.
Ao perceber esses sintomas, a orientação é interromper a viagem em um local seguro e descansar antes de continuar o percurso.
2. Uso do celular e outras distrações
Olhar rapidamente para o celular pode parecer um hábito inofensivo, mas representa um dos principais fatores de risco nas rodovias.
Segundo a especialista, responder mensagens, verificar notificações ou realizar chamadas faz com que o motorista deixe de observar a via por tempo suficiente para comprometer sua capacidade de reação.
Além do telefone, outras distrações também aumentam o risco, como:
- ajustar equipamentos do veículo;
- procurar objetos dentro da cabine;
- desviar o olhar da pista por períodos prolongados.
A recomendação é manter toda a atenção voltada à condução durante o trajeto.
3. Excesso de velocidade
Mais do que ultrapassar o limite permitido, dirigir em velocidade incompatível com as condições da rodovia também representa um comportamento de risco.
Em situações de chuva, neblina, baixa visibilidade ou trânsito intenso, reduzir a velocidade é fundamental para manter distância segura dos demais veículos e ampliar o tempo de reação diante de imprevistos.
A velocidade adequada deve considerar não apenas a sinalização da via, mas também as condições do ambiente.
4. Ultrapassagens em locais inadequados
Ultrapassagens realizadas em trechos de pista simples ou com pouca visibilidade continuam entre as principais causas de colisões frontais graves.
De acordo com o a especialista, esse comportamento muitas vezes está relacionado à pressa para cumprir horários ou ao excesso de confiança do condutor.
Nessas situações, um erro de cálculo sobre a velocidade do veículo que trafega no sentido contrário pode resultar em acidentes de alta gravidade.
Prevenção começa antes do acidente
Para Rebeca Ludovico, um dos principais desafios da gestão da segurança é atuar antes que o sinistro aconteça.
“Quando a empresa consegue identificar padrões de comportamento antes que eles resultem em um acidente, ela transforma a gestão de segurança em uma ação preventiva, e não apenas corretiva. Esse é o caminho para reduzir sinistros, proteger vidas e aumentar a eficiência das operações”, orienta.
Embora o monitoramento por tecnologia seja cada vez mais utilizado pelas empresas de transporte, a especialista ressalta que a mudança de comportamento dos próprios motoristas continua sendo um dos pilares para tornar as rodovias mais seguras.
Pequenas atitudes, como respeitar os limites do próprio corpo, evitar distrações e dirigir de forma defensiva, continuam sendo as medidas mais eficazes para reduzir o risco de acidentes e preservar vidas.
