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Estudo: para serem habitáveis no futuro, cidades terão que banir o uso de carros 

Estudo: para serem habitáveis no futuro, cidades terão que banir o uso de carros
Foto: Pixabay.com

Cidades sem carro: essa é a conclusão de um estudo publicado em artigo científico por pesquisadores da Universidade College de Londres.

Não há outra saída, afirma um grupo de urbanistas e ambientalistas, para que as cidades sejam habitáveis no futuro será preciso extinguir o uso de carros. Essa é a conclusão de um estudo publicado em artigo científico, publicado na Open Science, por pesquisadores da Universidade College de Londres.

De acordo com o grupo, globalmente, o número de carros produzidos está aumentando mais rapidamente do que a população. Foram 80 milhões de carros produzidos em 2019, enquanto a população aumentou em 78 milhões.

Tais dados exigem não apenas uma mudança no comportamento coletivo, como também um planejamento urbano visando a redução da dependência de carros. Dessa forma, promovendo menos viagens e viagens mais curtas, e encorajando caminhadas e ciclismo como principais meios de transporte local, avaliam os pesquisadores.

Ainda segundo o estudo, é necessário incentivar o uso do transporte público para viagens mais longas, e utilizar os carros apenas em emergências ou ocasiões especiais.

O autor principal, Dr. Rafael Prieto Curiel (Centro de Análise Espacial Avançada da UCL) argumenta que a cidade do futuro, com milhões de pessoas, não pode ser construída em torno de carros e sua infraestrutura cara. “Em algumas décadas, teremos cidades com 40 ou 50 milhões de habitantes, que podem se assemelhar a estacionamentos com 40 ou 50 milhões de carros. A ideia de que precisamos de carros vem de uma indústria muito poluente e de um marketing muito caro”, diz.

Caos para o trânsito e para o bolso

No modelo matemático de uso de automóveis, desenvolvido pelos pesquisadores, os residentes tiveram que usar o carro diariamente ou o transporte público, sendo que o principal fator de decisão – usar ou não o carro – foi o tempo que as viagens demoravam.

A metodologia permitiu testar cenários extremos, como o de uma cidade com 50 milhões de habitantes e 50 milhões de carros. Nesse exemplo, todos os moradores usam o carro diariamente para tentar minimizar o tempo de deslocamento. Além dos custos de infraestrutura, como avenidas, pontes e estacionamentos, eles registraram que a cidade teste literalmente trava com congestionamentos.

Diante dos dados, o relatório indica que melhorar a infraestrutura de transporte público melhoraria os custos básicos de tempo. Sendo assim, mais pessoas optariam por este meio de transporte em vez de dirigir o próprio carro. Contudo, o modelo mostrou que, mesmo sem melhorar a infraestrutura, os custos básicos podem ser controlados reduzindo-se o número de pessoas que podem dirigir de cada vez. Como exemplo, eles explicam que, se um grupo de pessoas tem permissão para dirigir uma semana e deve usar outros meios de transporte na próxima, o tempo médio de deslocamento reduziria em até 25%.

Por fim, a equipe identificou que a redução do uso dos carros nas cidades depende principalmente de oferecer aos cidadãos mais opções de viagens. Além disso, a proposta de estabelecimentos comerciais e de serviços locais.

Garantir a compreensão dos custos do uso do automóvel também pode ajudar a fazer escolhas certas. Nesse sentido, intervenções, como cobrança por congestionamento, pedágios e controles de viagem e estacionamento podem ajudar ainda mais a desencorajar o uso do carro.

“Atualmente, grande parte dos terrenos das cidades destina-se aos automóveis. Se o nosso objetivo é ter cidades mais habitáveis e sustentáveis, devemos tomar parte desse terreno e destiná-lo a meios de transporte alternativos. Por exemplo: a pé, de bicicleta e de transporte público”, afirma o professor Humberto Ramírez, da Universidade Gustave Eiffel, um dos autores desse estudo.


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