Fiscalização recorde, mortes persistentes: o balanço da Rodovida 2025/2026
Balanço da Operação Rodovida 2025/2026 aponta mais de 2 milhões de pessoas e veículos fiscalizados, 1.172 mortes e alta incidência de excesso de velocidade, álcool ao volante e infrações envolvendo veículos de carga.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentou, nesta semana, o balanço da Operação Rodovida 2025/2026, considerada a maior ação integrada de segurança viária do país. Iniciada em 18 de dezembro de 2025, a operação se estendeu por 66 dias e abrangeu os períodos de maior fluxo nas rodovias federais, como Natal, Ano Novo, férias escolares e Carnaval.
Ao todo, foram mais de 1,2 milhão de pessoas e 950 mil veículos fiscalizados, superando a marca de dois milhões de abordagens. O encerramento oficial ocorreu em Aracaju (SE), durante evento nacional que apresentou os principais indicadores operacionais da ação.
Infrações que mais contribuem para mortes no trânsito
Entre os dados divulgados, chamam atenção as infrações diretamente relacionadas à gravidade dos sinistros:
- 1,2 milhão de veículos flagrados em excesso de velocidade;
- 58,7 mil ultrapassagens irregulares;
- 11,1 mil autuações por embriaguez ao volante;
- 747 mil testes com etilômetro realizados.
Além disso, as equipes da PRF registraram:
- 9,6 mil motoristas usando celular ao volante;
- 54,5 mil pessoas sem cinto de segurança ou sem o uso da cadeirinha;
- 10,3 mil motociclistas ou passageiros sem capacete;
- 17,1 mil motoristas profissionais desrespeitando a Lei do Descanso.
Os números reforçam que, apesar da intensificação da fiscalização, comportamentos de risco continuam sendo recorrentes nas rodovias federais — especialmente em períodos de grande deslocamento.
Retrospectiva das operações temáticas
A Operação Rodovida foi composta por três grandes ações específicas.
Operação Natal (23 a 28 de dezembro)
Com foco no uso do cinto de segurança e dispositivos de retenção infantil, a ação registrou redução no número de sinistros e mortes em comparação com o Natal de 2024. Ainda assim, foram lavradas:
- 4.357 infrações por não uso do cinto;
- 770 autuações por ausência de cadeirinha.
Operação Ano Novo (30 de dezembro a 4 de janeiro)
O foco foi o combate à combinação álcool e direção. Foram realizados 61.426 testes de alcoolemia, com 789 condutores autuados por embriaguez, o que corresponde a 1,28% do total de testes.
Houve redução de sinistros graves e de feridos, mas aumento no número de mortes nas rodovias federais.
Operação Carnaval (13 a 18 de fevereiro)
Com foco em alcoolemia, excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas, o Carnaval de 2026 foi o mais violento da década nas rodovias federais.
Em apenas seis dias, 130 pessoas morreram em sinistros de trânsito. Houve aumento de 8,54% nos sinistros graves, sendo a maioria das vítimas ocupantes de automóveis e motocicletas.
Veículos de carga concentram quase metade das mortes
No período total da Rodovida (18 de dezembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026), foram registrados 13.228 sinistros, com 1.172 vítimas fatais.
Um dos dados mais relevantes envolve veículos de carga:
- 3.149 sinistros envolveram caminhões (23,81% do total);
- 514 mortes ocorreram nesses casos (43,93% das vítimas fatais).
Os tipos de ocorrência mais frequentes com veículos de carga foram:
- Colisão traseira (2.460);
- Saída de leito carroçável (2.157);
- Colisão transversal (1.634).
No entanto, as colisões frontais foram as que mais resultaram em mortes nesse grupo, com 288 óbitos.
Transporte de passageiros
Entre os sinistros:
- 394 envolveram veículos de transporte de passageiros (2,98%);
- 103 mortes ocorreram nesses casos (8,8% do total).
As ocorrências mais comuns foram:
- Colisão traseira (144);
- Colisão lateral no mesmo sentido (55);
- Colisão transversal (48).
Já os sinistros mais letais nesse segmento foram:
- Colisões frontais (41 mortes);
- Saídas de leito carroçável (22);
- Colisões traseiras (13).
Dados devem orientar novas estratégias
Conforme a PRF, os números do Programa Rodovida servem como base para estratégias futuras de segurança viária. Criada em 2011 pela PRF, a Operação Rodovida foi transformada em programa de governo em 2021 pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e integra as metas do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans).
O plano segue a diretriz da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelece como meta reduzir em pelo menos 50% o número de mortes no trânsito até 2030.
Embora os números de fiscalização sejam expressivos, os dados da Rodovida 2025/2026 mostram que o desafio da segurança viária no Brasil continua sendo, sobretudo, comportamental — com velocidade excessiva, álcool ao volante e ultrapassagens proibidas ainda entre os principais fatores associados à letalidade nas rodovias federais.
