Mortes de pedestres no Brasil: dados recentes reforçam alerta sobre segurança nas travessias
Atropelamentos foram quase um quarto das mortes em rodovias concedidas no último feriado; no país, dados do DATASUS registram mais de 5,6 mil pedestres mortos em 2024.

As mortes de pedestres continuam expondo a necessidade de proteger quem caminha nas cidades e nas rodovias brasileiras. Um balanço divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 14 de outubro mostra que os atropelamentos responderam por 23,1% das 39 mortes registradas nas rodovias federais concedidas acompanhadas pela agência entre 9 e 12 de outubro — quase uma em cada quatro vítimas fatais.
O dado recente se soma a um panorama nacional preocupante. Em 2024, 5.682 pedestres morreram no trânsito brasileiro, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponibilizados pelo DATASUS. Foram, em média, aproximadamente 15,5 mortes por dia.
Os números reforçam uma questão que ultrapassa os cuidados no momento de atravessar: a segurança de quem anda a pé depende também das velocidades praticadas, da atenção dos condutores e das condições oferecidas para caminhar.
Balanço recente mostra o peso dos atropelamentos
No levantamento da ANTT, foram contabilizados 1.489 sinistros de trânsito durante os quatro dias do feriado de Nossa Senhora Aparecida. Os atropelamentos tiveram a maior participação entre os tipos de ocorrência com mortes apresentados pela agência, seguidos pelas colisões frontais em pistas simples, responsáveis por 20,5% dos óbitos.
Esse recorte abrange as rodovias federais concedidas incluídas no balanço. Não representa todas as estradas brasileiras nem permite, isoladamente, afirmar que o risco de atropelamento aumentou em relação a outro feriado.
Ainda assim, a participação dos pedestres entre as vítimas mostra por que a prevenção nas rodovias precisa considerar também quem utiliza as margens e atravessa a pista.
Brasil perde mais de 5,6 mil pedestres em um ano
O número nacional de 5.682 mortes em 2024, já apresentado pelo Portal do Trânsito em reportagem sobre os dados consolidados de mortalidade, dimensiona a persistência do problema.
Por trás desses registros estão deslocamentos cotidianos: o caminho para o trabalho, a escola, o ponto de ônibus, o comércio ou um serviço de saúde. Proteger esses percursos exige observar tanto o comportamento no trânsito quanto a infraestrutura disponível. Ou seja, a segurança de quem caminha depende de respeito à prioridade desses usuários e de ambientes adequados, com calçadas acessíveis e sinalização.
Nas rodovias federais, mortes cresceram em 2026
Outro levantamento, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), aponta aumento dos atropelamentos e das mortes no primeiro semestre deste ano.
Entre janeiro e junho de 2026, a instituição registrou 1.658 atropelamentos de pessoas e 498 mortes nas rodovias federais. No mesmo período de 2025, foram 1.456 ocorrências e 438 mortes. A comparação representa crescimento de aproximadamente 13,9% nos atropelamentos e 13,7% nos óbitos.
Os três levantamentos têm períodos e abrangências diferentes. O DATASUS apresenta o panorama nacional de mortalidade; a PRF reúne ocorrências nas rodovias federais; e o balanço da ANTT contempla rodovias federais concedidas no período informado. Os totais não devem ser somados.
A proteção começa antes da faixa de pedestres
Concentrar a discussão apenas no instante da travessia deixa de fora parte importante do deslocamento. A pessoa precisa conseguir chegar ao local de atravessar por um caminho acessível e seguro.
Calçadas interrompidas, obstáculos, falta de iluminação e acessos inadequados dificultam esse percurso. Para crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, essas condições podem representar barreiras ainda maiores.
O tema já foi discutido pelo Portal na reportagem “Pedestres invisíveis: os esquecidos das políticas de segurança no trânsito”. Na ocasião, Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, destacou:
“Em teoria, o pedestre deveria ser o protagonista das políticas de segurança viária, mas na prática, segue como o elo mais frágil e desprotegido.”
Planejar a segurança de quem caminha significa avaliar a continuidade das calçadas, a localização das travessias, a acessibilidade e o tempo necessário para atravessar.
Condutores precisam reconhecer o risco com antecedência
A presença de pessoas próximas à pista exige atenção antes mesmo de uma tentativa de travessia. A PRF orienta reduzir a velocidade e redobrar a atenção ao identificar pedestres nos acostamentos, perto de passarelas ou às margens das rodovias.
Manter os faróis funcionando corretamente e ajustar a condução em locais de visibilidade reduzida também fazem parte da prevenção. A orientação é especialmente relevante onde há circulação frequente de pessoas.
Para quem caminha, a PRF recomenda utilizar as estruturas destinadas à travessia. Em condições de pouca luz, roupas claras e uma lanterna podem ajudar na visibilidade. Esses cuidados precisam estar acompanhados de infraestrutura adequada e condução segura.
Os dados precisam orientar intervenções
Identificar os locais dos atropelamentos, os horários e as condições das vias permite direcionar medidas de prevenção. Essa análise deve considerar os trajetos que as pessoas efetivamente utilizam e as dificuldades encontradas no caminho.
Entre as medidas defendidas por Celso Mariano estão calçadas acessíveis, redução da velocidade em áreas com circulação de pedestres, sinalização visível e tempos semafóricos adequados.
O balanço recente das rodovias e os registros nacionais mostram a dimensão das vidas perdidas. Transformar esses números em prevenção exige que caminhar com segurança seja um critério permanente das decisões sobre o trânsito.
