14 de julho de 2026

Sono, desatenção e excesso de velocidade: veja o que mais mata nas rodovias federais

Ausência de reação, sono, uso de substâncias psicoativas e excesso de velocidade, dentre outras causas, foram responsáveis por 4.458 óbitos em 2025.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 14/07/2026 às 13h30
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Desatenção, fadiga, ansiedade, impulsividade e falta de preparo físico e mental são os maiores vilões da segurança viária. Foto: Divulgação PRF

Pelo menos 12 pessoas morrem todos os dias nas rodovias federais brasileiras por problemas relacionados à saúde mental e à imprudência do motorista. Ausência de reação, sono, uso de substâncias psicoativas e excesso de velocidade, dentre outras causas, foram responsáveis por 4.458 óbitos em 2025. Os dados do Anuário da Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelam que, do total de 6.043 mortes registradas nas rodovias federais, 74% tiveram origem em imprudência e questões de saúde do condutor. 

Especialistas da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans) explicam que a desatenção, fadiga, ansiedade, impulsividade e falta de preparo físico e mental são os maiores vilões da segurança viária.

“Um motorista com a saúde em dia, bem descansado e atento vale tanto quanto um veículo e uma rodovia em perfeito estado de conservação. O problema é que as pessoas gastam mais tempo revisando pneus e freios do que cuidando de si mesmas”, afirma Adalgisa Lopes, psicóloga especialista em Trânsito e presidente da Actrans.

O cenário se agrava quando se olha para a saúde mental dos brasileiros.

Uma pesquisa recente da USP revelou que o país bateu recorde de afastamentos no trabalho por transtornos mentais. Ansiedade e depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior e já ocupam o segundo lugar entre os motivos de afastamento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca o Brasil em primeiro lugar no ranking mundial de pessoas ansiosas: 18,6% da população convive com o transtorno. “A sociedade sabe que esse problema existe. Sabe que ele afeta as relações de trabalho, as relações pessoais, mas parece acreditar que isso não tem o poder de causar acidentes de trânsito. E esse é um erro que não podemos cometer”, comenta Adalgisa. 

A especialista conecta esses dados à realidade das estradas e explica que a fadiga não é apenas cansaço: é redução de reflexos, concentração e capacidade de julgamento. “Um motorista cansado, ansioso e estressado toma decisões impulsivas, erra nas manobras e não consegue reagir rápido em situações de risco. Sua capacidade de reação está comprometida, sua atenção está dividida e suas decisões podem ser impulsivas. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas se o motorista estivesse em melhor condição emocional.”

O aviso é especialmente relevante neste período de férias. 

“Muitas pessoas saem de férias justamente porque estão esgotadas, ansiosas ou deprimidas. Mas se você está nesse estado emocional, não está em condições de dirigir longas distâncias. Reconhecer isso é fundamental para sua segurança e a de todos na estrada”, alerta Giovanna Varoni, psicóloga do Trânsito e especialista em segurança viária.

Mitigação de riscos

Os especialistas da Actrans listam medidas práticas para reduzir riscos nas estradas e elas são muito simples. A primeira é ter uma boa noite de sono. Noites mal dormidas reduzem reflexos em até 30%. Se você não dormiu bem, não dirija. Escolha também o horário certo: entre 14h e 16h, e após 22h, o corpo naturalmente pede repouso. “Se sentir sonolência, pare e descanse. Cansaço reduz reflexos e julgamento, então evite dirigir se trabalhou demais na véspera da viagem ou considere revezar a direção com outro motorista”, ensina Giovanna.

Hidrate-se constantemente.

Desidratação causa fadiga mental e reduz concentração. Beber água a cada 30 ou 40 minutos de direção faz diferença real. Kelly Bessa, psicóloga do Trânsito e diretora da Actrans, recomenda ainda a ingestão de alimentos leves porque as refeições pesadas causam sonolência e desviam atenção. “A alimentação e hidratação adequada mantêm o corpo e a mente funcionando no melhor desempenho”, detalha Kelly.

Faça paradas a cada duas horas. Saia do carro, caminhe, alongue-se. Isso restaura circulação, reduz tensão muscular e reseta a atenção mental. Carlos Luiz Souza, vice-presidente da Actrans, explica que ansiedade, raiva e pressa aumentam erros de direção significativamente. “Não dirija se estiver nesse estado. Respire profundamente em situações de trânsito intenso e ouça músicas relaxantes para manter-se calmo.”

Não dirija em crise emocional. 

“O mais importante é não pegar a estrada se você estiver passando por um período de ansiedade ou depressão graves. Se for imprescindível, dirija apenas em horários de menor trânsito, em velocidades reduzidas e com paradas frequentes. Sua saúde mental é tão importante quanto a manutenção do seu carro”, completa Souza.

O cérebro comanda o carro

Assim como levamos o carro ao mecânico para manutenções preventivas e revisões antes de viagens, precisamos fazer a manutenção preventiva do nosso corpo e mente constantemente e antes de viajar. Um motorista descansado, hidratado, atento e emocionalmente equilibrado é a melhor proteção contra acidentes. “O carro é apenas uma máquina. Você é o piloto. Você comanda a máquina. E um piloto bem preparado faz toda a diferença”, finaliza Adalgisa.

Assessoria de Imprensa
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