Operação Rodovida mantém reforço nas rodovias federais até o Carnaval
Operação Rodovida segue até o Carnaval com foco na segurança viária. PRF alerta: mortes de motociclistas são 38% maiores que as de motoristas.

Mesmo com o encerramento dos deslocamentos intensos do Natal e do Ano Novo, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) mantém até o Carnaval as ações da Operação Rodovida, o maior programa de segurança viária do país. O objetivo é reduzir sinistros, mortes e feridos nas rodovias federais em um período que ainda concentra tráfego elevado, viagens de lazer, transporte de cargas e deslocamentos regionais.
A iniciativa combina fiscalização reforçada e ações educativas em trechos estratégicos das rodovias, buscando enfrentar um cenário que segue preocupante, especialmente para motociclistas — hoje o grupo mais vulnerável no trânsito brasileiro.
Motociclistas seguem liderando estatísticas de mortes
No balanço apresentado pela PRF no lançamento desta edição da Rodovida, os dados revelam que, em 2025, o número de condutores de motocicletas mortos em sinistros de trânsito nas rodovias federais foi 38% maior do que o total de óbitos de motoristas de automóveis.
As estatísticas mostram que o problema não é pontual. Em 2023, foram registradas 1.560 mortes de motociclistas; em 2024, o número subiu para 1.754. Já em 2025, considerando o período de janeiro a novembro, 1.594 motociclistas perderam a vida nas rodovias federais.
No mesmo intervalo, as mortes de condutores de automóveis ficaram abaixo desses números: 1.319 em 2023, 1.333 em 2024 e 1.151 em 2025 (janeiro a novembro).
Além da letalidade, também houve aumento no volume de ocorrências. De janeiro a novembro de 2025, a PRF contabilizou 29.317 sinistros de trânsito envolvendo motocicletas, contra 28.894 no mesmo período de 2024.
Comportamento do condutor é fator central
De acordo com o levantamento da PRF, as principais causas dos sinistros com motocicletas em 2025 estão diretamente relacionadas à conduta dos condutores. A ausência de reação lidera o ranking, com 4.538 ocorrências, seguida pela reação tardia ou ineficiente (4.098) e por acessar a via sem observar a presença de outros veículos (3.860).
Outro dado que reforça a gravidade do cenário é a condução irregular. No mesmo período, mais de 32,5 milhões de pessoas eram proprietárias de motocicletas no país. No entanto, 17,2 milhões não possuíam Carteira Nacional de Habilitação (CNH) categoria A, obrigatória para conduzir esse tipo de veículo.
O crescimento acelerado da frota também pressiona o sistema viário. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito indicam que, em outubro de 2024, o Brasil já somava 34,2 milhões de motocicletas em circulação. Ou seja, isso equivale a 28% de todos os veículos do país.
Rodovida segue até o Carnaval
Criada em 2011, a Operação Rodovida foi transformada em programa de governo em 2021. Além disso, passou a integrar de forma permanente as ações de segurança viária em todo o país. Durante o período da operação, órgãos responsáveis pela fiscalização em vias urbanas e rurais atuam de forma coordenada para reduzir a violência no trânsito.
As metas estão alinhadas ao Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, que segue as diretrizes da Organização das Nações Unidas. O compromisso é reduzir em pelo menos 50% o número de mortes no trânsito brasileiro até 2030.
Para a PRF, o reforço na fiscalização é essencial, mas a mudança de cenário depende, sobretudo, do comportamento dos condutores. O coordenador-geral de Segurança Viária da PRF, Jeferson Almeida, destaca que a atitude dos motociclistas é decisiva para reduzir a letalidade.
“É indispensável que os motociclistas estejam sempre atentos aos veículos e pessoas ao seu redor, e que sempre respeitem as normas de trânsito, como os limites de velocidade e as ultrapassagens em local permitido. Essas atitudes são importantes para reduzir a letalidade dos sinistros de trânsito envolvendo motociclistas no país.”
Com o Carnaval se aproximando, a Rodovida entra em uma fase decisiva. A expectativa da PRF é que a combinação de fiscalização contínua e conscientização ajude a evitar que estatísticas já tão elevadas se repitam nos próximos meses.
