10 de março de 2026

Brasil passa a mapear dados reais sobre emissões da mobilidade urbana em uma frota superior a 124 milhões de veículos

Monitoramento de deslocamentos pode apoiar planejamento urbano, políticas climáticas e relatórios de sustentabilidade.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 10/03/2026 às 17h19
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emissões no Brasil
Mesmo com mais de 124 milhões de veículos em circulação, o Brasil ainda depende majoritariamente de estimativas para medir as emissões associadas à mobilidade urbana. Foto: fightbegin para Depositphotos

O Brasil possui hoje mais de 124 milhões de veículos em circulação, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Apesar da dimensão dessa frota e do peso do transporte nas emissões urbanas, o país ainda possui pouca disponibilidade de dados estruturados sobre como a mobilidade acontece nas cidades e qual é o impacto real desses deslocamentos nas emissões de gases de efeito estufa.

Grande parte das análises sobre transporte e clima ainda é baseada em estimativas estatísticas ou modelos médios de consumo de combustível, sem monitoramento contínuo do comportamento real de mobilidade nas ruas.

Nesse contexto, uma iniciativa brasileira busca contribuir para a construção de uma infraestrutura de dados sobre mobilidade urbana baseada no uso real de veículos. A plataforma Mova Protocol transforma deslocamentos cotidianos em dados estruturados de mobilidade, permitindo acompanhar padrões de circulação, uso do transporte e eficiência operacional.

A tecnologia funciona por meio de um aplicativo que coleta informações operacionais de deslocamento, como quilometragem percorrida, frequência de trajetos e tempo de uso do veículo, mediante autorização do motorista. Esses registros passam por um sistema de validação técnica e são armazenados em uma infraestrutura digital que garante rastreabilidade e integridade das informações, permitindo gerar indicadores verificáveis sobre mobilidade urbana.

Segundo Augusto Bihre Letsch, CEO da Mova Protocol, ampliar a disponibilidade de dados estruturados sobre mobilidade é essencial para compreender o impacto ambiental do transporte no país.

“Hoje o Brasil possui uma das maiores frotas de veículos do mundo, mas ainda há pouca disponibilidade de dados sobre como esses deslocamentos acontecem no cotidiano das cidades. A partir do monitoramento do uso real da mobilidade, é possível gerar informações que apoiem estudos sobre emissões, planejamento urbano e políticas de transporte mais eficientes”, afirma.

Falta de dados limita planejamento urbano e políticas climáticas

O transporte urbano é um dos principais responsáveis pelas emissões nas cidades. Ainda assim, dados contínuos sobre deslocamentos e padrões de mobilidade ainda são escassos no país.

Para governos, a ausência de bases estruturadas dificulta o planejamento de infraestrutura de mobilidade, a expansão de redes de recarga elétrica e a avaliação do impacto de políticas públicas voltadas à redução de emissões.

Já para as empresas, a falta de dados operacionais sobre deslocamentos também representa um desafio para o cálculo de emissões associadas a logística, transporte corporativo e uso de frotas, aspectos cada vez mais relevantes em estratégias de sustentabilidade.

“Sem dados consistentes sobre mobilidade urbana, fica mais difícil entender onde estão os principais gargalos de transporte nas cidades, quais deslocamentos concentram maior impacto ambiental e quais políticas realmente ajudam a reduzir emissões”, explica Antônio Farias, diretor de produtos da Mova Protocol.

Esses registros permitem observar padrões de deslocamento e uso do transporte urbano, criando uma base de dados que pode apoiar estudos sobre mobilidade, eficiência no transporte e impacto ambiental. A expectativa da empresa é ampliar progressivamente essa base de informações, acompanhando a evolução da mobilidade urbana e o crescimento da eletromobilidade no país.

Integração com infraestrutura de recarga elétrica

A plataforma também prevê integração com redes de recarga elétrica, permitindo registrar dados sobre o uso de eletropostos e padrões de carregamento de veículos elétricos.

A iniciativa acompanha a expansão da mobilidade elétrica no Brasil e a necessidade de ampliar tanto a infraestrutura física de recarga quanto os sistemas de monitoramento associados ao uso desses veículos.

Dados e novas exigências de reporte climático

A disponibilidade de dados ambientais sobre mobilidade tende a ganhar relevância nos próximos anos. A partir de 2026, companhias abertas, securitizadoras e fundos de investimento passarão a reportar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, conforme estabelece a Resolução 193/2023 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A norma alinha o Brasil aos padrões internacionais do International Sustainability Standards Board (ISSB), que exigem maior transparência na divulgação de informações relacionadas a riscos climáticos e impacto ambiental.

Nesse contexto, dados estruturados sobre mobilidade e emissões podem se tornar insumos relevantes para relatórios de sustentabilidade, planejamento urbano e políticas de descarbonização no setor de transportes.

Assessoria de Imprensa

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