03 de março de 2026

DETRANs buscam inspiração nos EUA para acelerar digitalização e modernização dos serviços

Missão internacional organizada pela AND visitou órgãos de trânsito, universidades e empresas de tecnologia nos EUA para discutir digitalização, uso de dados e inovação nos DETRANs brasileiros.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 03/03/2026 às 13h30
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Detrans nos EUA
Durante cinco dias, a delegação visitou órgãos públicos, universidades e empresas de tecnologia nas cidades de São Francisco, Sacramento e Austin. Foto: Divulgação AND

Representantes de Departamentos Estaduais de Trânsito participaram, recentemente, de uma missão internacional aos Estados Unidos com o objetivo de conhecer experiências consolidadas em digitalização de serviços públicos, governança de dados e inovação em mobilidade. A iniciativa foi da Associação Nacional dos DETRANs (AND), em parceria com a Estônia Hub, e incluiu agendas técnicas na Califórnia e no Texas.

Durante cinco dias, a delegação visitou órgãos públicos, universidades e empresas de tecnologia nas cidades de São Francisco, Sacramento e Austin. A proposta foi aproximar lideranças brasileiras de ecossistemas reconhecidos internacionalmente pela aplicação de tecnologia na gestão pública e na área de transportes.

Digitalização e foco no cidadão

Em Sacramento, o grupo esteve no California Department of Motor Vehicles (DMV), órgão equivalente aos DETRANs brasileiros. Lá, houve a apresentação de práticas de digitalização de serviços, automação de processos e estratégias de melhoria da experiência do usuário.

Apontou-se a digitalização de atendimentos, a simplificação de etapas burocráticas e o uso de dados para orientar decisões administrativas como fatores determinantes para ampliar eficiência operacional e reduzir custos. O tema dialoga diretamente com os desafios enfrentados no Brasil, especialmente diante da crescente demanda por serviços online e integração entre bases de dados estaduais e federais.

Ainda na Califórnia, a delegação visitou a California State Transportation Agency (CalSTA), onde foram discutidos modelos de planejamento integrado de políticas públicas de transporte e coordenação entre diferentes órgãos governamentais.

Mobilidade urbana e integração tecnológica

Em São Francisco, os participantes conheceram experiências da San Francisco Municipal Transportation Agency (SFMTA), com foco em mobilidade urbana integrada, segurança viária e gestão de múltiplos modais de transporte.

A programação também incluiu agendas na Salesforce e no Google Visitor Center, onde houve o debate de temas como interoperabilidade de sistemas, plataformas digitais e uso estratégico de dados no relacionamento entre governo e cidadão.

Outro ponto destacado foi a conexão entre pesquisa acadêmica e formulação de políticas públicas. Na University of California, Berkeley, por meio do Institute of Transportation Studies (ITS), houve a apresentação de pesquisas voltadas à mobilidade, segurança viária e análise de dados em larga escala.

Infraestrutura e articulação institucional

A etapa no Texas incluiu encontros com o Texas Department of Transportation (TxDOT) e com o Austin Transportation and Public Works Department. Dessa forma, ampliando o debate sobre planejamento de infraestrutura, integração entre níveis de governo e execução de políticas públicas de transporte.

Na University of Texas at Austin, no Center for Transportation Research (CTR), foram discutidos testes de novas tecnologias e projetos de inovação aplicada à gestão pública.

O que isso significa para os DETRANs brasileiros?

Conforme o presidente da AND, Givaldo Vieira, os DETRANs atravessam um momento de transformação.

“Os DETRANs vivem um momento em que é fundamental avançar na digitalização, na integração de dados e na oferta de serviços mais eficientes e centrados no cidadão. Conhecer soluções já consolidadas amplia a visão estratégica e pode acelerar a modernização dos processos”, afirmou.

A missão apontou quatro eixos considerados prioritários:

  • transformação digital e ampliação de serviços online;
  • integração e governança de dados para tomada de decisão;
  • modernização institucional e inovação regulatória;
  • cooperação entre governo, academia e setor privado.

Para Raphael Fassoni, cofundador da Estônia Hub, a experiência demonstrou que, nos Estados Unidos, trata-se a inovação como prioridade estratégica no setor público. Ele destacou que temas como eletrificação de frotas, veículos autônomos e inteligência artificial já fazem parte da rotina de planejamento de transportes.

Desafios brasileiros

Embora o intercâmbio internacional seja relevante, especialistas costumam alertar que a aplicação de modelos estrangeiros exige adaptações à realidade brasileira. Diferenças estruturais, orçamento limitado, marcos regulatórios e desigualdades regionais são fatores que influenciam diretamente a implementação de soluções tecnológicas.

Nos últimos anos, os DETRANs brasileiros têm avançado em serviços digitais, como emissão de documentos eletrônicos, agendamentos online e consultas por aplicativo. No entanto, ainda existem gargalos relacionados à interoperabilidade entre sistemas estaduais, integração com bases nacionais e padronização de procedimentos.

A missão internacional, nesse contexto, pode contribuir como espaço de benchmarking e troca de experiências. O desafio, agora, será transformar os aprendizados em projetos concretos que resultem em melhoria efetiva para o cidadão — com mais transparência, agilidade e segurança viária.

A modernização dos serviços de trânsito é pauta recorrente no debate sobre mobilidade e gestão pública no Brasil.

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