19 de agosto de 2026

Sequência de acidentes graves reacende alerta sobre segurança de veículos pesados nas rodovias

Dados da PRF mostram que 18,5 mil acidentes envolvendo veículos de carga deixaram 2.884 mortos nas rodovias federais brasileiras em 2024; Fenive alerta para importância da manutenção, fiscalização e inspeção veicular.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 19/08/2026 às 17h30
Ouvir: 00:00
Acidente-Serra-do-Mar-PR—mangueira-de-freio-isolada—PRF
Caminhão envolvido no engavetamento trafegava com a mangueira de freio isolada, o que é irregular. Foto: PRF

Uma sequência de sinistros graves registrada nos últimos dias em diferentes rodovias brasileiras volta a colocar em evidência a segurança dos veículos pesados que circulam pelo País. Em poucos dias, ocorrências envolvendo ônibus, caminhões e carretas no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná deixaram dezenas de mortos e feridos.

O episódio mais recente ocorreu na madrugada desta quarta-feira (19), na BR-373, em Ipiranga (PR). Uma colisão frontal entre um caminhão e um veículo da Secretaria de Saúde de Imbituva (PR) deixou ao menos 23 mortos e cinco feridos. Informações preliminares apontam que o caminhão teria invadido a pista contrária. As circunstâncias ainda estão sendo apuradas pelas autoridades.

A tragédia se soma a outros acidentes graves registrados desde domingo (16).

Na BR-040, em Petrópolis (RJ), o tombamento de um ônibus de turismo deixou dez mortos. Conforme a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a viagem era irregular. O veículo não estava autorizado a realizar transporte interestadual, uma vez que veículos que atuam de forma clandestina não passam por nenhum tipo de controle para autorização do transporte.

Também no domingo, uma ocorrência na BR-163, em Bandeirantes (MS), envolvendo duas carretas e três automóveis deixou quatro mortos e seis feridos. Uma das carretas transportava combustível e houve explosão após a colisão.

Na terça-feira (18), na Fernão Dias (BR-381), em Vargem (SP), um caminhão atingiu uma passarela, que desabou sobre um automóvel. Duas pessoas morreram e outras ficaram feridas.

No mesmo dia, no km 41 da BR-277, em Morretes (PR), um engavetamento envolvendo quatro carretas e seis automóveis deixou duas pessoas mortas e cinco gravemente feridas. Durante a apuração, a Polícia Rodoviária Federal identificou manipulação no sistema de freios da carreta apontada como responsável pelo início do acidente.

Os episódios recentes se somam a um cenário nacional preocupante.

Dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que, somente em 2024, foram registrados 18.511 acidentes envolvendo veículos de carga nas rodovias federais brasileiras. Foram 2.884 mortes e 19.451 pessoas feridas.

Para Daniel Bassoli, diretor executivo da Federação Nacional da Inspeção Veicular (FENIVE), a sequência de tragédias reforça a necessidade de olhar para a segurança viária de forma mais ampla. Assim, considerando tanto o comportamento dos condutores quanto as condições técnicas dos veículos.

“Quando falamos em segurança viária, precisamos falar de imprudência, velocidade, jornada dos motoristas e respeito às regras. Mas precisamos olhar também para o veículo que está na estrada. Caminhões e carretas operam com peso elevado e, quando existe uma irregularidade ou falha em sistemas essenciais como freios, pneus, suspensão ou direção, as consequências podem ser muito graves”, afirma Bassoli.

O diretor executivo destaca que não se trata de atribuir às falhas mecânicas a responsabilidade por todos os acidentes envolvendo veículos pesados. A própria PRF aponta o comportamento dos condutores entre os principais fatores relacionados às ocorrências. Para a FENIVE, entretanto, justamente por a segurança viária depender de diferentes fatores, as condições técnicas da frota não podem ficar fora das políticas de prevenção.

De acordo com um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), considerando estatísticas da própria PRF, falhas mecânicas são causas de sinistros com percentual muito semelhante aos registrados por consumo de substâncias proibidas.

O acidente registrado nesta terça-feira na BR-277, no Paraná, torna essa discussão ainda mais atual.

A constatação da PRF de que houve manipulação no sistema de freios da carreta envolvida no engavetamento mostra que irregularidades em componentes de segurança podem estar presentes em ocorrências de grande gravidade. “É exatamente para agir antes do acidente que existe a inspeção técnica veicular. A inspeção permite identificar alterações, irregularidades e condições que comprometem a segurança antes que o veículo esteja circulando pela rodovia. Não podemos esperar que um problema em um sistema de freios seja descoberto somente depois de uma tragédia”, ressalta Bassoli.

A FENIVE defende a implantação de uma política nacional efetiva de inspeção técnica veicular, prevista no Código de Trânsito Brasileiro, como parte de uma estratégia mais ampla de segurança viária, ao lado da manutenção preventiva, da fiscalização e da conscientização dos condutores.

“Em 2024, quase três mil pessoas morreram em acidentes envolvendo veículos de carga somente nas rodovias federais brasileiras. É um número que exige atenção. Segurança veicular não pode ser tratada apenas depois que o acidente acontece. Precisamos trabalhar com prevenção, e a inspeção é uma das ferramentas que o Brasil ainda precisa utilizar de forma efetiva”, conclui Bassoli.

Assessoria de Imprensa
Assessoria de Imprensa

Conteúdo enviado por Assessoria de Imprensa especializada. Para encaminhar a sua sugestão, basta enviar e-mail para contato@portaldotransito.com.br

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *