02 de fevereiro de 2026

Série de acidentes no Vale do Paraíba: o que está por trás da escalada de tragédias nas rodovias?

A concentração de ocorrências fatais em um curto período acendeu um sinal de alerta sobre as condições de segurança viária na região.


Por Mariana Czerwonka Publicado 12/08/2025 às 13h30
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acidentes Vale do Paraiba
Trecho da Rodovia Presidente Dutra em São José dos Campos. Foto: Pesquisa CNT de Rodovias 2024

Pelo menos dez pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito registrados entre os dias 1º e 4 de agosto de 2025 na região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo. A concentração de ocorrências fatais em um curto período acendeu um sinal de alerta sobre as condições de segurança viária na região e reacendeu o debate sobre prevenção, fiscalização e infraestrutura.

Grande parte dos acidentes aconteceu na Rodovia Presidente Dutra, uma das mais movimentadas do país, que cruza a região ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Os casos envolveram desde colisões frontais e atropelamentos até capotamentos com veículos pesados, como caminhões. Os dados, ainda que parciais, refletem uma tendência preocupante: o número de mortes nas rodovias paulistas vem crescendo em 2025, com o primeiro semestre já sendo apontado como o mais letal desde 2016.

“Infelizmente, esses números não nos surpreendem. A combinação entre excesso de velocidade, desatenção, falta de infraestrutura adequada e comportamento de risco continua sendo devastadora”, afirma Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal.

Causas

Conforme o levantamento mais recente do Infosiga-SP, cerca de 90% dos acidentes fatais no estado têm como causa principal falhas humanas. Ainda assim, a responsabilidade pela segurança não pode recair unicamente sobre o condutor. Fatores como sinalização deficiente, falta de manutenção nas pistas, ausência de passarelas e trechos mal iluminados também agravam os riscos.

Um dos casos que mais chamou atenção ocorreu em São José dos Campos, onde um caminhão perdeu o controle e colidiu contra um viaduto, deixando rastro de destruição e interrompendo o tráfego por horas. Em outra ocorrência, um pedestre foi atropelado em um trecho mal iluminado, sem faixas de travessia visíveis.

Para Celso Mariano, a análise desses eventos deve ir além da estatística. “Cada uma dessas vidas perdidas representa uma família destruída. Precisamos entender o que está falhando sistemicamente: se são os projetos das vias, a ausência de engenharia de tráfego, a precariedade da fiscalização ou a negligência com campanhas de educação”, pontua.

A situação no Vale do Paraíba é emblemática por ocorrer em uma região com intenso fluxo de veículos e histórico de acidentes. Mas poderia ter acontecido em qualquer outra região do país. Por isso, o episódio exige uma resposta nacional, com reforço da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, revisão dos pontos críticos pelas concessionárias e ações integradas entre prefeituras, Detrans e órgãos estaduais.

Enquanto isso, a população segue exposta à insegurança cotidiana nas estradas. E o Brasil, infelizmente, mantém sua posição entre os países com maior número de mortes no trânsito — um drama que só será revertido com políticas públicas consistentes, investimentos estruturais e, sobretudo, mudança de cultura.

Mariana Czerwonka

Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

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