Uber testa cobrança de motoristas por corridas recusadas na Europa
Nova “taxa de despacho” está sendo testada em Malmö, na Suécia, e Basileia, na Suíça; até o momento, não há indicação de adoção da cobrança no Brasil.
Uber passa a cobrar por corrida recusada em teste na Europa. Entenda!

A Uber começou a testar em duas cidades europeias uma mudança que altera a forma como motoristas conectados ao aplicativo recebem solicitações de viagens. Em Malmö, na Suécia, e Basileia, na Suíça, os condutores passam a pagar uma chamada “taxa de despacho” por corrida enviada pelo aplicativo, mesmo quando decidem não aceitar a viagem.
A cobrança não está em vigor no Brasil e, até o momento, não há indicação de que o modelo será adotado no país. Trata-se de um teste realizado nesses dois mercados, mas que chama atenção por mudar uma dinâmica importante do trabalho nas plataformas: permanecer online e receber uma solicitação de corrida pode passar a ter um custo, mesmo sem a realização da viagem.
Em Malmö, a cobrança é de 2 coroas suecas por chamada, valor equivalente a aproximadamente R$ 1,03. Na Basileia, a taxa é de 0,30 franco suíço, cerca de R$ 1,88.
Conforme a Uber, a medida busca priorizar motoristas mais próximos dos passageiros e diminuir o tempo de espera até o embarque.
A empresa também orienta os condutores a permanecerem offline quando não estiverem disponíveis para realizar viagens, período em que a taxa não é cobrada.
Tempo de espera está entre os motivos para cancelamentos
A tentativa de diminuir a espera ocorre em um contexto no qual os primeiros minutos depois da solicitação podem ser decisivos para a realização da corrida.
Levantamento da Machine aponta que 48,09% das desistências estão relacionadas à espera. Mudanças de planos correspondem a outros 18,8%, enquanto situações nas quais o motorista não aparece representam 4,92%.
A maior concentração de cancelamentos ocorre nos primeiros minutos após o pedido, especialmente no intervalo entre um e quatro minutos.
“Os dados indicam que a experiência inicial do usuário define o sucesso da corrida. Pequenas variações de segundos podem determinar se um passageiro cancela ou permanece, o que impacta diretamente a satisfação e a receita da plataforma”, diz Vinícius Guahy, coordenador de conteúdo e comunidade da Machine.
Os números, entretanto, não permitem concluir que a nova cobrança da Uber diminuirá os cancelamentos. Eles ajudam a dimensionar uma das questões que a empresa pretende enfrentar com a experiência realizada nas duas cidades.
O que muda para o motorista durante o teste
A principal diferença está na relação entre permanecer disponível no aplicativo e decidir se aceita ou não uma solicitação.
Até então, o motorista poderia permanecer conectado, receber as ofertas de viagens e avaliar cada uma delas sem que a simples recusa provocasse um custo financeiro direto. Nos locais onde o novo modelo está sendo testado, essa lógica muda.
A cobrança também funciona de maneira diferente nas duas cidades.
Em Malmö, a Uber afirma que devolverá aos motoristas os valores arrecadados com as taxas, fazendo a distribuição de acordo com as corridas concluídas.
Já na Basileia, não haverá essa devolução. Como contrapartida, a comissão cobrada pela empresa cairá de 25% para 23% nas categorias UberX e UberXL.
Teste não vale para motoristas brasileiros
Para quem trabalha com transporte por aplicativo no Brasil, é importante reforçar que não houve anúncio de implantação da taxa no mercado brasileiro.
O teste europeu, porém, chama atenção por introduzir uma nova forma de administrar a disponibilidade dos motoristas nas plataformas. Se modelos semelhantes forem ampliados futuramente para outros mercados, a discussão poderá envolver não apenas o funcionamento dos aplicativos, mas também os custos associados à permanência do condutor conectado e disponível para trabalhar.
Por enquanto, portanto, a mudança deve ser entendida pelo motorista brasileiro como uma experiência da Uber restrita a Malmö e Basileia, e não como uma nova regra do aplicativo no Brasil.
