Veja como a ergonomia das viaturas pode ajudar policiais em serviço
Nova tendência na transformação de veículos policiais busca reduzir a fadiga dos agentes, facilitar o acesso aos equipamentos e aumentar a segurança durante as operações.

Durante muito tempo, a transformação de viaturas policiais esteve focada principalmente na instalação de equipamentos como sinalizadores, compartimentos, sistemas de comunicação e blindagem. Agora, uma nova tendência começa a ganhar espaço: a ergonomia, ou seja, projetar o interior das viaturas levando em consideração a rotina de trabalho dos policiais.
A proposta é que a viatura deixe de ser apenas um meio de transporte e passe a funcionar como um ambiente de trabalho mais seguro, confortável e funcional. Inspirada em soluções já adotadas em outros países, essa abordagem incorpora conceitos de ergonomia, acessibilidade e organização do espaço interno para facilitar a atuação dos agentes durante o serviço.
Conforme Jonatas Matos, presidente do Grupo Raytec, empresa especializada em transformação automotiva, o policial permanece embarcado por longos períodos e precisa acessar diversos equipamentos em situações que exigem rapidez.
“O policial permanece embarcado por longos períodos, utiliza diversos equipamentos simultaneamente e precisa responder rapidamente a situações de emergência. Pensar a ergonomia da viatura significa aumentar a eficiência operacional, reduzir o desgaste físico e contribuir para uma atuação mais segura”, avalia.
Organização da cabine pode reduzir distrações
A preocupação com a ergonomia das viaturas acompanha uma tendência observada internacionalmente.
Um estudo publicado em 2024 na revista científica Machines, intitulado Designing an Experimental Platform to Assess Ergonomic Factors and Distraction Index in Law Enforcement Vehicles during Mission-Based Routes, desenvolvido por pesquisadores do National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), dos Estados Unidos, concluiu que o posicionamento inadequado dos equipamentos embarcados pode aumentar a distração dos policiais durante a condução, comprometendo a segurança operacional.
Como resposta, os pesquisadores propõem que o desenvolvimento das viaturas passe a priorizar a chamada interface entre motorista e veículo (Driver-Vehicle Interface – DVI), considerando fatores como ergonomia, disposição dos comandos e facilidade de acesso aos equipamentos.
De acordo com Jonatas Matos, essa mudança já influencia o desenvolvimento de novos projetos. “Essa tendência observada em outros países melhorou a percepção das fabricantes em relação ao posicionamento intuitivo dos comandos e melhor organização do espaço interno, melhorias que passaram a integrar os projetos desde a fase de engenharia”, compartilha.
Engenharia voltada para quem utiliza a viatura
Conforme o Grupo Raytec, a transformação automotiva vem incorporando soluções que combinam engenharia aplicada, resistência e funcionalidade para diferentes aplicações, como viaturas policiais, ambulâncias, veículos blindados, unidades refrigeradas, minibuses VIP e projetos especiais.
A proposta é desenvolver veículos que atendam às exigências técnicas das corporações sem deixar de considerar as necessidades dos profissionais que permanecem longos períodos em operação.
De acordo com o presidente da empresa, essa evolução representa uma mudança de conceito no setor. “A evolução da transformação automotiva passa por compreender que homem, missão e máquina precisam funcionar de forma integrada. Durante muito tempo, esse trabalho foi visto apenas como uma adaptação técnica do veículo. Hoje, ele precisa considerar também quem está por trás do volante. Uma viatura eficiente é aquela que permite ao policial atuar com mais segurança, conforto e agilidade. Quando conseguimos unir engenharia, tecnologia e ergonomia, entregamos um veículo que não apenas atende às especificações da corporação, mas também contribui para o desempenho e o bem-estar de quem está em operação todos os dias”, conclui.
Ergonomia pode contribuir para a segurança operacional
A organização dos comandos, a disposição dos equipamentos e a facilidade de acesso aos recursos utilizados durante o patrulhamento são fatores que vêm ganhando importância nos projetos de transformação de viaturas.
A proposta é reduzir o desgaste físico dos policiais, minimizar distrações durante a condução e tornar o ambiente interno mais funcional para quem precisa tomar decisões rápidas em situações de emergência.
Embora a incorporação de tecnologias continue sendo um aspecto importante na transformação veicular, a tendência observada no setor aponta para uma abordagem que considera também a experiência do profissional que utiliza a viatura diariamente.
