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Sergipe lidera índice de atropelamentos 

Taxa elevada de mortes por atropelamento surpreende Ligatrauma

Com taxa de 2,88 por cada grupo de cem mil habitantes, Sergipe lidera a estatística em se tratando de mortes provocadas por atropelamentos no trânsito, tendo vítimas crianças e adolescentes com idade de até 14 anos. Os dados são revelados em estudo realizado pela Organização Não Governamental (ONG) Criança Segurança, tendo como base os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Já em se tratando de óbitos causados por acidentes de trânsito de forma mais generalizada, o estudo da Criança Segurança indica que Sergipe desponta em sétima colocação no ranking, com taxa de 5,5 para cada grupo de 100 mil habitantes de faixa etária inferior a 15 anos.

Em âmbito geral, a pesquisa revela que os acidentes de trânsito predominam, com 40%, entre as causas de mortes acidentais de crianças e adolescentes menores de 15 anos, em todo o país, representando cerca de 98% do total de acidentes de transporte.

Por estado

Conheça os Estados que apresentam maiores incidências de mortes por atropelamento, entre a população com idade inferior a 15 anos:

 

Surpresa e otimismo

Os dados são surpreendentes, na ótica da pesquisadora Edilene Curvelo Hora, coordenadora da Liga Acadêmica do Trauma da Universidade Federal de Sergipe (Litrauma), com doutorado em enfermagem na área de trauma pela USP. “São surpreendentes os números em relação à criança”, observa. Otimista, ela acredita que os índices cairão nas próximas pesquisas, fruto de algumas ações que estão sendo implementadas por órgãos responsáveis pelo trânsito em Sergipe, a exemplo da criação do Comitê Municipal de Mobilização pela Saúde, Segurança e Paz no Trânsito (Comsepat), criado pela prefeitura de Aracaju em período, segundo observa a pesquisadora, posterior ao estudo da ONG Criança Segura. Ela avalia que os principais fatores que contribuem para as estatísticas estão associados ao crescimento da frota de veículos e à falta de regulamento para uso de ciclomotores.

A frota, conforma analisa, é considerada desproporcional ao número de habitantes. “Não se pode liberar o uso de ciclomotores, tem que haver uma regulamentação”, diz. “A ausência de regulamentação favorece o não uso do capacete, a condução por menores de idade ou por pessoas sem habilitação, que desconhecem as leis de trânsito e ignoram a direção defensiva e tudo isso contribui com os acidentes”, conceitua. A pesquisadora Edilene Curvelo observa ainda que em Aracaju, o maior potencial, em se tratando de crianças e adolescentes vulneráveis a acidentes de trânsito, está concentrado na periferia da cidade. “Onde as crianças costumam trafegar pelas ruas sozinhas, em especial no trajeto da escola”, observa.

Ela aponta também como fator que contribui para a ocorrência de acidentes de acidentes de trânsito, a ausência de infraestrutura, calçadas não adequadas para os pedestres e a escassez de área de lazer. Recentemente, a coordenadora da Litrauma da UFS atuou como orientadora de um trabalho de mestrado apresentado por Andrea Centenaro Vaez, aluna do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Saúde do Departamento de Medicina da UFS, que aponta que os acidentes de trânsito ocupam o primeiro lugar, com 51% dos casos, relativos a vítimas de violência [sem definir faixa etária], entre a população atendida no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) no mês de novembro do ano passado. No período, foram atendidas 504 vítimas de acidentes e violência, entre os quais o sexo masculino é predominante, com 79,8% das ocorrências. Em 35,9% das ocorrências, as vítimas estavam em atividade de lazer e recreação, contra 16,4% seguindo para o trabalho e 12,4% no trajeto da residência.

Conforme a pesquisa do projeto de mestrado, 43,9% das ocorrências receberam atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), enquanto 23,2% das vítimas chegaram ao Huse em ambulâncias e 19,2% em transporte particular. Curioso é que um expressivo número de vítimas confessou ingestão de bebidas alcoólicas (29,2%) ou de drogas ilícitas (6,2%), no momento em que se envolveram em situação de acidente ou de violência. Acidentes com motocicleta predominam com 70,4% das ocorrências, seguido por bicicletas (11,7%) e, em terceira colocação, aparece o automóvel com 8,6% dos casos.

A pesquisa indica que, entre aqueles que se envolveram em acidentes com motocicletas, 45,9% não usavam capacete. E em se tratando de violência, o agressor geralmente é alguém próximo da vítima: 36,5% dos casos o agressor é conhecido da vítima e em 26% dos casos o agressor é alguém da própria família. A coordenadora da Litrauma da UFS explica que o trabalho se concentrou entre os sobreviventes de acidentes e cenas de violência que deram entrada no Hospital de Urgência de Sergipe, entre os dias 1º a 30 de novembro do ano passado.

Diante dos dados estatísticos, a professora Edilene Curvelo pretende implementar projeto de educação em escolas públicas e particulares para despertar a consciência e transformar estudantes em agentes multiplicadores de informações que tragam paz no trânsito e contribuam para reduzir a incidência de acidentes. “A palavra chave é educação, é necessário mudar o comportamento das pessoas”, considera. “É um trabalho árduo, contínuo, difícil. É preciso mobilizar toda a população de forma que cada indivíduo, que cada cidadão se comprometa para reduzir estes dados estatísticos”, considera.

Fonte: Infonet


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