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Violência no trânsito foi tema de evento inédito do Chega de Acidentes! e FGV-EAESP 

Movimento Chega de Acidentes! e Fundação Getúlio Vargas reuniram especialistas de trânsito, autoridades e representantes do terceiro setor em evento pela redução de vítimas da violência no trânsito No último dia 17 de novembro, no auditório da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, as principais autoridades ligadas ao trânsito e representantes do terceiro setor, reuniram-se para um evento pela redução de vítimas da violência no trânsito: o “Década de Ações para A Segurança Viária no Brasil – Marco Zero”. Nunca antes, tantas entidades e órgãos de governos estiveram representados em um mesmo seminário, para falar sobre as ações de que o País necessita para seguir as recomendações da ONU sobre a redução de acidentes de trânsito para os próximos dez anos. O Brasil ocupa o quinto lugar no mundo na quantidade total de fatalidades no trânsito, atrás apenas da Índia, China, Estados Unidos e Rússia, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Hoje o número de vítimas e mortes no trânsito brasileiro chega a 37 mil fatalidades/ano e 120 mil feridos internados/ano, de acordo com o Ministério da Saúde. Na platéia, cerca de 250 pessoas acompanharam as 18 palestras do evento, uma iniciativa da FGV-EAESP e do movimento Chega de Acidentes!, todas sucintas e objetivas, sobre a necessidade de ações em prol da segurança no trânsito. Jacow Grajew, professor da FGV, e José Antônio Oka, supervisor de segurança viária do CESVI, foram os anfitriões do encontro, que contou com abertura da diretora da fundação, Maria Tereza Leme Fleury, e do diretor de operações do CESVI BRASIL (Centro de Experimentação e Segurança Viária), José Aurelio Ramalho. “Há um ano, nos unimos para desenvolver o movimento Chega de Acidentes!”, revelou Ramalho. “Buscamos várias entidades envolvidas com este tema para ações voltadas para a segurança viária. O grande desafio para 2011 é desenvolver as metas para a redução de acidentes de trânsito. Na mídia, o acidente é tratado como fatalidade. Mas é responsabilidade do motorista. Já sabemos o que fazer. O grande desafio é estabelecer como fazer.” “Temos um centro ligado à sustentabilidade social e ambiental, um centro de saúde e um de administração pública ligado a órgãos municipais, estaduais e federais”, apontou Maria Tereza Fleury. “Por isso, este evento tem toda a relevância para nós. Porque, assim como a FGV, está mobilizando diversos setores da sociedade. O objetivo aqui é o de propor diretrizes para políticas nacionais e internacionais. Então, tem tudo a ver com o nosso projeto. Espero que realmente contribua para um crescimento mais sustentável do nosso país.” Um vídeo deu o tom de emoção ao evento, apresentando depoimentos de vítimas e parentes de vítimas de acidentes de trânsito. Outro vídeo que chamou a atenção dos presentes foi o gravado pelo jornalista Alexandre Garcia, da Rede Globo, especialmente para o evento. Na gravação, Garcia fala sobre os motivos que o levaram a ser um dos profissionais de imprensa mais atuantes em prol da segurança no trânsito. O evento foi encerrado com um manifesto do movimento Chega de Acidentes!, lido pelo ex-aluno da FGV Marcelo Neto Serra. Marcelo, que hoje é cadeirante, foi mais uma vítima da displicência e do excesso de velocidade no trânsito. A data do evento foi escolhida pela proximidade ao Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito, este ano em 21 de novembro. A ONU estabeleceu, em 2005, todo terceiro domingo do mês de novembro como um dia para realizar tributos às pessoas que morreram em virtude de acidentes de trânsito, além de suas famílias, e todos aqueles que de alguma forma tiveram suas vidas afetadas por essas tragédias. O manifesto está disponível no site www.chegadeacidentes.com.br, onde é possível assinar o abaixo-assinado de apoio à causa, e acessar a seção Tributo às vítimas de Trânsito para deixar homenagens às vítimas da violência no trânsito. O evento pode ser assistido na íntegra pelo link: http://fgv.rampms.com/chega_de_acidentes/ Palestras Confira, a seguir, os destaques nos pronunciamentos das autoridades presentes ao evento: – Alfredo Peres da Silva, diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito): “É significativo que este evento esteja sendo realizado não dentro de um órgão de trânsito, mas numa faculdade. Porque precisamos incorporar a sociedade nesse debate sobre o trânsito. Os políticos consideram segurança uma coisa chata de lidar, pois traz penalidades e restrições, fatores que não dão votos. Só que a insegurança no trânsito acabou trazendo consequências para a área da saúde e da previdência social, o que acendeu uma luz vermelha. Se os países do BRIC, entre os quais o Brasil, não cuidarem do seu trânsito, podem ter seu crescimento inviabilizado. E isso só é possível quando toda a sociedade está envolvida.” – Dr. Otaliba Libânio de Morais Neto, diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde, representando o Ministério da Saúde: “Nossa preocupação é dar soluções técnicas para o trânsito. A crise mundial de segurança viária só poderia ser enfrentada com a colaboração de diversos setores. Convido a todos para que possamos constituir um grupo de amigos do trânsito, para que façamos bonito diante dos outros países quando do início efetivo da Década de Ações, no dia 11 de maio de 2011.” – Antônio Galvão Álvares de Abreu, assessor da Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo: “Conseguimos chegar, nas rodovias de São Paulo, a uma qualidade extraordinária. Os veículos, cada vez mais, são equipados com itens de segurança. Onde está o problema, então? A causa, em 85% dos casos, está no comportamento da pessoa. Se o carro está sem manutenção, a culpa não é do veículo, mas de quem não faz a manutenção. A conscientização só vem com educação. E falta base nessa educação. É preciso introduzir, nos currículos escolares, matérias compatíveis com o comportamento de trânsito.” – Aílton Brasiliense Pires, presidente da ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos): “Cada um de nós é um sobrevivente, já passou por um apuro no trânsito. Essa loteria que jogamos diariamente é de uma complexidade tremenda. Precisamos ter um pacto com o divino de que, conosco, nunca vai acontecer nada. Temos que mudar essa mentalidade.” – Dr. Mauro Augusto Ribeiro, presidente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego): “Há 50 anos, médicos legistas fundaram a primeira associação internacional nesta área de trânsito. A Abramet completou 30 anos defendendo a saúde e a vida. E ainda temos capacidade de nos emocionar com um evento como este, com tanto engajamento de entidades e da universidade.” – Deputado Hugo Leal, vice-presidente da Frente Parlamentar pelo Trânsito Seguro: “Quero louvar essa iniciativa da FGV com as entidades que respondem pelo movimento Chega de Acidentes! Eu sei bem do papel que tenho, como deputado, nos próximos quatro anos. Todos sabemos o que precisa ser feito. Mas não adianta diagnóstico sem ação efetiva. O trânsito tem de ser política pública. Não peço um ministério de trânsito, mas algo que leve a questão à importância que ela exige. Se perdermos essa oportunidade que o mundo está colocando diante do Brasil, com a Década de Ações, temo pelo destino das futuras gerações desse país.” – Inspetor Álvares Simões, coordenador geral de operações da Polícia Rodoviária Federal: “O assunto trânsito ainda não chama a atenção da sociedade como deveria. O pior é saber que todos esses acidentes poderiam ser evitados. O que a Polícia Rodoviária Federal gostaria de fazer nos próximos dez anos é fortalecer o controle das rodovias com tecnologia de ponta e aumentar o controle de velocidade com atuação preventiva. Infelizmente, alguns órgãos só veem os equipamentos de controle de velocidade como geradores de orçamento em suas gestões. Também temos que mudar a legislação no que se refere ao controle de velocidade. Se está sinalizado, não precisa avisar o trecho em que está o radar; isto é ridículo! Radar virou sinônimo de lombada eletrônica.” – Eduardo Macabelli, diretor de operações da CET-SP: “Faça sol, faça chuva, vamos ter 700 interferências por dia no trânsito de São Paulo. Tivemos 1.280 mortes no ano passado. Temos como meta chegar aos níveis internacionais em 2014. Mas, sem conscientização e participação da população, não vamos conseguir atingir nossos objetivos.” – Horácio Melo, da AND (Associação Nacional dos Departamentos de Trânsito): “Não são números que morrem, são pessoas. O papel de formação do condutor não é pequeno. Temos reuniões cada vez mais técnicas, buscando soluções para uma melhor formação. Do ponto de vista histórico, fomos apresentados ao automóvel anteontem. Estamos aprendendo ainda. Na questão do mototáxi, em Goiás, a política venceu a técnica, e permitiram o mototáxi. Mas só morre um mototaxista por ano lá. Porque entenderam que, além do risco de perderem a vida, perdem o emprego. Agradecemos pelo convite e queremos que a AND seja cada vez mais participativa na construção do trânsito novo.” – Carlos Eduardo Cruz de Souza Lemos, vice-presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores): “O Brasil já é o quinto mercado mundial de veículos, e o sexto produtor. A legislação contempla avanços tecnológicos. Até 2014, os veículos brasileiros serão equipados com sistemas de segurança de ponta. Mas ainda temos um caminho longo a percorrer. De parte da indústria, duas sugestões: a primeira é dar efetividade a um registro de dados de trânsito, para um planejamento adequado das ações. A segunda é a implantação da inspeção técnica veicular, que realmente vá possibilitar a manutenção de segurança do veículo.” – Moacyr Duarte, diretor presidente da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias): “Há 15 anos que temos empresas privadas gerenciando rodovias. Mas a sociedade ainda não sabe o que pedir para as concessionárias. Lembrando que elas não têm poder de polícia. Essas rodovias concedidas ainda precisam de fiscalização mais efetiva. Excesso de peso é visto como dano ao pavimento, mas influi nas condições de frenagem e traz riscos à segurança de trânsito.” – Moacyr Alberto Paes, diretor executivo da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares): “Temos uma frota de 17 milhões de unidades de motocicletas. Mas, sempre que há um acidente envolvendo moto, fica a dúvida: quem foi culpado? Não há um estudo que comprove que foi o motorista ou o motociclista. A priori, o culpado é o motociclista. Quatro anos atrás, trouxemos especialistas do Japão para ensinarem a fazer análise de acidente com motociclista. Ninguém se interessou. Resultado: zero. Mas temos o estudo apostilado e disponível.” – Ricardo Xavier, diretor presidente da Seguradora Líder/DPVAT: “Agradeço pela oportunidade de incluir a Seguradora Líder dos consórcios do seguro DPVAT nas ações do movimento Chega de Acidentes! Parabenizamos algumas iniciativas, como a Lei Seca e a obrigatoriedade da cadeirinha. Iniciativas que foram bem aplicadas no Brasil, contrariando quem afirmava que isso não seria viável no País. Moro no Rio de Janeiro e sou testemunha das constantes ações do governo do Rio na fiscalização de motoristas alcoolizados. Pagamos cerca de mil indenizações por dia. As motos respondem por 61% dessas indenizações. O DPVAT é capaz de produzir estatísticas para análises de ações para o trânsito, e as colocamos à disposição do movimento Chega de Acidentes!” – Mauro César Batista, presidente do SindSeg-SP (Sindicato das Seguradoras de São Paulo): “Vemos que o Brasil está se preparando para sediar a Olimpíada e a Copa do Mundo. Como ficará nossa imagem? Se nada mudar, restará a desconfiança em relação a um país que não consegue reduzir seus acidentes de trânsito. O CESVI BRASIL é um investimento do mercado de seguros. Estamos preocupados com nossos resultados, mas exercemos a cidadania. Tomara que, após o encerramento deste evento, seja acionado o cronômetro para o início das ações efetivas, e que o Brasil dê um exemplo ao mundo.” – Maurício Broinizi Pereira, diretor executivo da Rede Nossa São Paulo: “Batalhamos há mais de três anos e nos somamos a este grande movimento para a redução das vítimas de trânsito. Queria fazer um questionamento à indústria automotiva: Não é difícil combater o excesso de velocidade, que provoca tantos acidentes, sendo que os jovens são influenciados negativamente pelos meios de comunicação? Digo isso porque os automóveis são mostrados, na publicidade, como aventura, emoção, velocidade… Ninguém fala sobre a segurança do automóvel, sobre comportamento seguro. Como impedir essa influência negativa na cabeça dos jovens?” – Fernando Diniz, presidente da ONG Trânsito Amigo: “Em se tratando de um evento como este, acho que a maior autoridade somos nós, vítimas, pais e parentes de vítimas de trânsito. Precisamos traçar metas e persegui-las, com um gerenciamento de recursos educado e inteligente. Meu filho teria completado 28 anos se não tivesse sido uma vítima do trânsito brasileiro. Ele, infelizmente, não teve como estar aqui. Mas eu estou, para falar por ele, e para pedir que tragédias como a dele não se repitam.”

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