02 de janeiro de 2026

Sistemas ADAS: como já estão mudando o comportamento do motorista

Sistemas ADAS estão cada vez mais presentes nos veículos. Veja como essas tecnologias influenciam o comportamento do motorista e quais cuidados são necessários.


Por Redação Publicado 02/01/2026 às 13h30
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Sistemas ADAS
Os sistemas avançados de assistência ao motorista, conhecidos como ADAS, deixaram de ser exclusividade de veículos de luxo. Foto: Karneg para Depositphotos

Os sistemas avançados de assistência ao motorista, conhecidos como ADAS (Advanced Driver Assistance Systems), deixaram de ser exclusividade de veículos de luxo e passaram a integrar modelos populares no Brasil. Frenagem automática de emergência, alerta de colisão, assistente de permanência em faixa e controle adaptativo de velocidade já fazem parte da rotina de muitos condutores.

Essas tecnologias têm potencial real de reduzir sinistros, especialmente aqueles causados por distração ou atraso na reação humana. No entanto, sua presença também está provocando uma mudança perceptível no comportamento dos motoristas — nem sempre positiva.

Um dos efeitos mais discutidos é o excesso de confiança. Ao perceber que o veículo “corrige” erros, alerta perigos e, em alguns casos, freia sozinho, parte dos condutores passa a reduzir o nível de atenção. A tecnologia, que deveria ser apoio, começa a ser vista como substituta da responsabilidade humana.

Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, chama atenção para esse risco.

“Os sistemas ADAS são importantes aliados da segurança, mas não podem ser encarados como piloto automático. Quando o motorista transfere a responsabilidade para a tecnologia, ele cria um novo tipo de risco.”

Outro ponto relevante é a limitação técnica desses sistemas.

Sensores podem falhar em chuva intensa, neblina, sujeira nas câmeras ou sinalização desgastada. Além disso, nem todos os ADAS funcionam da mesma forma; há diferenças significativas entre marcas e modelos, o que pode confundir o condutor.

A frenagem automática, por exemplo, atua dentro de determinados limites de velocidade e depende de leitura correta do ambiente. O assistente de faixa não substitui a atenção em curvas acentuadas ou vias mal sinalizadas. Quando o motorista desconhece essas limitações, cria expectativas irreais.

Celso Mariano reforça que a educação precisa acompanhar a tecnologia. “Não adianta colocar sistemas avançados no veículo se o motorista não entende como eles funcionam, quando atuam e quando deixam de atuar. Tecnologia sem educação não resolve o problema do trânsito.”

Há também impacto no aprendizado de novos condutores.

Motoristas iniciantes que já aprendem a dirigir com auxílio de tecnologias podem desenvolver menor percepção de risco e dependência excessiva dos alertas eletrônicos.

Por outro lado, quando bem utilizados, os ADAS contribuem para redução de colisões traseiras, atropelamentos e saídas de pista. O desafio está em integrar tecnologia e comportamento, reforçando que o motorista continua sendo o principal responsável pela condução.

À medida que esses sistemas se popularizam, será cada vez mais necessário investir em informação clara, treinamento e comunicação. O futuro da segurança viária passa pela tecnologia, mas não prescinde da atenção, do julgamento e da responsabilidade humana.

Redação

Matérias escritas pela equipe de Redação do Portal do Trânsito.

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