Alta do diesel pressiona custos do transporte e pode impactar preço de produtos no Paraná, alerta SETCEPAR
Qualquer variação no custo do combustível tende a influenciar diretamente o valor do frete e, consequentemente, o preço final de diversos produtos.

O recente aumento do preço do diesel, impulsionado pela elevação do ICMS nacional sobre o combustível em janeiro de 2026 e pela instabilidade no mercado internacional de petróleo causada pelos conflitos no Oriente Médio, já começa a pressionar os custos do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) no Brasil. Na última semana, distribuidores indicam reajustes superiores a 10% no diesel S10, o que representa aproximadamente R$ 0,60 por litro e amplia a preocupação do setor com os reflexos sobre o frete e o custo de produtos em toda a cadeia produtiva.
A alta ocorre em um momento de sensibilidade para o setor logístico. Além do aumento da carga tributária, as tensões envolvendo o Irã e a região estratégica do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, elevaram os custos de importação de combustíveis e trouxeram volatilidade ao mercado de energia, pressionando os preços no Brasil.
De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (SETCEPAR), Silvio Kasnodzei, o aumento do combustível impacta diretamente a estrutura de custos das empresas transportadoras.
“O diesel é o principal insumo da nossa atividade e representa cerca de 35% do custo do frete. Quando há uma elevação nesse nível, o impacto é imediato na operação das transportadoras e inevitavelmente acaba se refletindo em toda a cadeia logística”, afirma.
O transporte rodoviário responde por 65% da movimentação de mercadorias no país, conectando a produção industrial, agrícola e comercial aos centros consumidores.
Por isso, qualquer variação no custo do combustível tende a influenciar diretamente o valor do frete e, consequentemente, o preço final de diversos produtos.
Segundo Kasnodzei, o setor acompanha o cenário com atenção e destaca a importância de mecanismos de recomposição de frete para manter o equilíbrio econômico das operações. “Quando há aumentos expressivos no preço do diesel, é fundamental que existam mecanismos de ajuste, como o gatilho do diesel nos contratos de transporte. Sem essa recomposição, as empresas ficam expostas a uma pressão de custos que compromete a sustentabilidade das operações”.
Para o presidente do SETCEPAR, o momento exige acompanhamento constante do cenário econômico e energético internacional.
“O transporte rodoviário de cargas é essencial para o abastecimento do país. Garantir condições para a sustentabilidade das operações significa também preservar a eficiência da logística e a regularidade no abastecimento da economia”, conclui.
