06 de maio de 2026

Uber permitirá pedir corrida direto pelo Claude sem abrir o aplicativo

Parceria com o Claude permite solicitar corridas sem abrir o aplicativo e reforça tendência de integração dos serviços de mobilidade a outras plataformas digitais.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 06/05/2026 às 18h32
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Uber Claude
Na prática, a novidade encurta etapas do processo e leva o serviço para o ambiente em que o usuário já está tomando decisões. Foto: lzf para Depositphotos

A possibilidade de pedir uma corrida sem sequer abrir o aplicativo da Uber pode parecer apenas mais uma facilidade tecnológica. Mas, nos bastidores, a novidade revela uma mudança importante na forma como plataformas de mobilidade pretendem alcançar os usuários nos próximos anos.

A integração anunciada entre a Uber e o Claude — ferramenta de inteligência artificial da empresa Anthropic — permite que usuários consultem preços, estimem tempo de chegada e solicitem viagens diretamente dentro da conversa com a IA, sem precisar alternar entre aplicativos.

Na prática, a novidade encurta etapas do processo e leva o serviço para o ambiente em que o usuário já está tomando decisões. A funcionalidade utiliza os chamados connectors, sistema de integração do Claude com aplicativos e serviços externos.

A estratégia, porém, vai além da conveniência.

Disputa pelos canais digitais

O movimento mostra que empresas de transporte por aplicativo passaram a enxergar que depender exclusivamente do próprio app pode limitar alcance e competitividade.

Executivos da Uber já sinalizaram essa visão ao comentar a novidade. O CTO Praveen Neppalli Naga destacou o uso frequente das ferramentas da Anthropic pelos engenheiros da empresa. Já o vice-presidente de produto Amit Fulay resumiu a estratégia ao afirmar que a intenção é levar o serviço “para onde a decisão está sendo tomada”.

Ou seja: em vez de esperar que o usuário abra o aplicativo, a plataforma busca estar presente nos ambientes digitais onde a necessidade surge — seja em uma conversa com IA, em aplicativos parceiros ou até em plataformas de delivery.

Uber já vinha ampliando presença fora do próprio app

Essa não é a primeira experiência da Uber com inteligência artificial generativa. Em 2025, a empresa já havia iniciado testes de integração com o OpenAI por meio do ChatGPT.

Além disso, no Brasil, a empresa também expandiu sua atuação ao integrar serviços ao iFood, reforçando uma tendência observada no setor de mobilidade: os aplicativos deixam de ser a única porta de entrada para os serviços.

Conforme Vinícius Guahy, coordenador de conteúdo da empresa Machine, o cenário mostra uma disputa crescente por presença digital.

“A Uber entendeu muito bem que ganha o jogo quem tem os maiores e melhores canais de distribuição. O aplicativo Uber é um ótimo e gigantesco canal para eles distribuírem seus serviços, mas ela sabe que não é e nem pode ser o único e, por isso, vai fazendo parcerias como com as IAs generativas, com o iFood no Brasil e assim por diante”, destaca.

A Machine foi a responsável pelas informações e análise sobre a estratégia de distribuição adotada pelas plataformas.

Interior do país ainda depende de canais tradicionais

Enquanto gigantes da tecnologia apostam em IA e integração digital, aplicativos regionais continuam utilizando canais mais tradicionais para atender públicos que ainda têm dificuldade com aplicativos ou serviços online.

De acordo com Guahy, muitas empresas locais mantêm atendimento via telefone, WhatsApp e até estruturas físicas para solicitação de corridas.

“Aplicativos regionais seguem operando callcenter para atender um público que ainda não se digitalizou. É uma situação curiosa olhando de fora, mas as pessoas vão até a sede dessas empresas para solicitar um veículo.”

Ele cita como exemplo o aplicativo regional Cevi, do interior de São Paulo, que passou a oferecer totens e soluções semelhantes a “orelhões” em condomínios para permitir a solicitação de viagens 24 horas por dia.

O que muda para o usuário

Para o passageiro, a principal mudança é a redução de etapas até a contratação do serviço. Em vez de abrir o aplicativo, pesquisar endereço e confirmar dados manualmente, parte desse processo poderá acontecer de forma conversacional dentro de sistemas de IA.

A tendência acompanha um movimento mais amplo de integração entre mobilidade, inteligência artificial e plataformas digitais.

Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o avanço dessas integrações também levanta debates sobre privacidade de dados, dependência de grandes ecossistemas tecnológicos e concentração de serviços em poucas plataformas digitais.

No fim, a corrida não é apenas pelo passageiro — mas pelo espaço digital onde ele toma suas decisões.

Assessoria de Imprensa

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