21 de julho de 2026

Mundo reduz mortes no trânsito em 21%, mas desafio está longe do fim, alerta OMS

Novo relatório mostra queda nas mortes no trânsito entre 2011 e 2025, mas destaca que o ritmo ainda é insuficiente para cumprir a meta global de reduzir pela metade os óbitos até 2030.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 21/07/2026 às 13h30
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Apesar da redução global nas mortes no trânsito, a OMS alerta que ainda são necessárias ações mais intensas para cumprir a meta de reduzir os óbitos pela metade até 2030. Foto: Criação de IA

O número de mortes no trânsito caiu 21% em todo o mundo entre 2011 e 2025, mesmo com a entrada de mais de um bilhão de novos veículos em circulação. Apesar do avanço, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o ritmo da redução ainda não é suficiente para alcançar a meta que as Nações Unidas estabeleceu de reduzir pela metade as mortes e lesões graves no trânsito até 2030.

A OMS divulgou e apresentou os dados nesta semana durante a reunião de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre segurança viária. Conforme a entidade, cerca de 1,16 milhão de pessoas morreram em acidentes de trânsito em 2025, contra aproximadamente 1,26 milhão em 2010.

Conforme o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, os resultados mostram que políticas públicas voltadas à segurança no trânsito produzem efeitos concretos.

“Esse progresso mostra que a mudança é possível quando os países investem em sistemas seguros. Nos últimos 15 anos fizemos avanços reais na redução das mortes no trânsito, apesar do aumento da frota de veículos e das mudanças na forma como as pessoas se deslocam.”

Avanço foi desigual entre as regiões

Embora o cenário global seja positivo, o desempenho variou significativamente entre as regiões do mundo.

A Região Europeia registrou a maior redução nas mortes no trânsito, com queda de 36%. Já a região do Pacífico Ocidental reduziu os óbitos em 15%, enquanto o Sudeste Asiático apresentou diminuição de apenas 2%.

Nas Américas, a OMS afirma que não houve redução significativa no número de mortes no período analisado. Já a Região Africana registrou aumento de 17% nas fatalidades.

Motociclistas, pedestres e ciclistas continuam entre os mais vulneráveis

Outro ponto destacado pelo relatório é a crescente participação dos usuários mais vulneráveis nas estatísticas de mortes.

Mais da metade das vítimas fatais não estava dentro de um automóvel. Pedestres, ciclistas e, principalmente, motociclistas concentram uma parcela expressiva dos óbitos registrados em todo o mundo.

De acordo com a OMS, o número de motocicletas mais que triplicou entre 2011 e 2025, impulsionado, entre outros fatores, pela expansão dos serviços de entrega e transporte por aplicativos. Atualmente, os motociclistas representam quase um terço das mortes no trânsito em escala global.

Para Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção da Saúde e Prevenção da OMS, esse cenário exige mudanças na forma como se planejam as cidades.

“Mais da metade de todas as mortes no trânsito envolve pessoas que nem sequer estavam em um carro. Quando as vias são projetadas como se apenas os motoristas importassem, esses usuários ficam perigosamente expostos.”

Nova declaração reforça compromisso dos países

Durante a Assembleia Geral da ONU, os países-membros aprovaram uma nova declaração voltada à segurança viária.

O documento prevê que os governos fortaleçam suas estratégias nacionais com metas mensuráveis, orçamento específico, melhoria dos sistemas de coleta de dados, fiscalização mais eficiente e padrões mais rigorosos para veículos, infraestrutura e legislação. Também reforça a adoção da abordagem conhecida como Sistema Seguro (Safe System), que parte do princípio de que erros humanos são inevitáveis e, por isso, o sistema viário deve ser projetado para evitar que esses erros resultem em mortes ou lesões graves.

Desafio continua até 2030

Embora a redução global represente um avanço importante, a OMS ressalta que ainda há um longo caminho para atingir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

A organização defende que ampliar investimentos em infraestrutura segura, veículos mais seguros, fiscalização, redução de velocidade e combate à direção sob efeito de álcool são medidas essenciais para acelerar a queda das mortes no trânsito e preservar vidas nos próximos anos.

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