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Brasileiros desafiam o perigo e usam o celular constantemente ao dirigir 

Brasileiros desafiam o perigo e usam o celular constantemente ao dirigir

Uso do celular no trânsitoA cena é muito comum: carros em zigue-zague, condutores atravessando vias preferenciais e até parando em sinal verde. A distração dos condutores aumentou muito com a popularização dos smartphones.

Para dirigir é preciso estar atento a várias situações, aos pedestres, aos outros veículos, ao trânsito ao redor e etc, mas quando a atenção é dividida com o celular, o risco de acidente cresce muito. Segundo estudo recente do NHTSA – Departamento de Trânsito dos Estados Unidos—a possibilidade de ocorrer um acidente aumenta em 400%, quando se utiliza o celular. Um risco muito maior do que o causado pela embriaguez, afirma a pesquisa.

“Não são só os olhos que são desviados do trânsito, o pensamento, o foco, a atenção e a concentração são desviadas junto, quando o condutor responde uma mensagem, navega na internet, faz ou recebe uma ligação”, explica Celso Alves Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito.

Dirigir usando o celular é uma infração de trânsito, considerada média, com multa de R$ 85,13 e acréscimo de quatro pontos na CNH, mas isso não intimida os condutores. Apesar de ser uma infração difícil de ser flagrada, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), somente em São Paulo, no mês de junho foram quase 13 mil multas a mais do que no mesmo período de 2014.

Essa já é a segunda infração mais cometida em todo País, perdendo apenas para o excesso de velocidade.  Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), desde 2012 mais de 80 mil multas por falar no celular ao volante foram aplicadas nas estradas. Conforme estatísticas, de cada dez mil pessoas que usam o celular enquanto dirigem apenas uma é flagrada.

Testes realizados com motoristas comprovam que ao desviar a visão do trânsito para desbloquear o celular por cinco segundos, estando a 50 km/h, o carro percorrerá cerca de 69m às cegas. Ao fazer uma ligação, o condutor desvia a atenção por oito segundos, estando o veículo a 80 km/h, serão 177,7m percorridos às cegas. Já escrever uma mensagem pode tirar a atenção do motorista por 24 segundos, se ele estiver a 70 km/h, serão 388m (equivalente a três campos de futebol) dirigindo sem saber o que está fazendo.

O uso de dispositivos móveis ao volante é um dos temas que será abordado no 11º Congresso Brasileiro Sobre Acidentes e Medicina de Tráfego, realizado pela ABRAMET em Gramado/RS, de  10 a 12 de setembro.

Segundo André Pedrinelli, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, qualquer dois segundos de distração para digitar uma letra sequer no celular são suficientes para causar um acidente. “Acidente que pode até provocar a morte de alguém”, ressalta ele, que acrescenta que morrem no Brasil, em média, 50 mil pessoas ao ano em acidentes de trânsito. “Como os carros estão cada vez mais seguros, o motorista até pode ter a vida poupada, mas certamente sofrerá sequelas.”

É preciso escolher, de acordo com ele, entre dirigir com total segurança e assumir todos os riscos pelo uso do celular ao volante. “O que vale mais estar vulnerável a um acidente de carro ou postar uma mensagem no Facebook alguns minutos depois?”, questiona Pedrinelli, que, como médico, orienta que as pessoas não usem em hipótese alguma o celular ao volante.

Algumas soluções tecnológicas poderiam auxiliar para que o motorista não se distraia com o celular e seus aplicativos enquanto dirige, como no caso de bloqueadores de sinal de celular no veículo. Mas, tais sistemas (“jammers”) interferem no sinal de rastreadores veiculares tanto por GPS quanto por celular podendo gerar mais riscos que benefícios.

A solução mais correta é barata é a conscientização e educação. O motorista deve ser educado para que no volante, durante a direção veicular, ele permaneça atento somente ao trânsito, com as duas mãos no volante e com todos os seus sentidos voltados para a atividade de dirigir. Desligar o celular ou colocá-lo em modo silencioso pode auxiliar para que não exista a “tentação” da distração chamando ou tocando a todo momento. “Conheço pessoas que inclusive colocam o celular no porta-malas enquanto estão dirigindo. Não escutando toques e avisos, fica mais fácil resistir a tentação de utilizar o celular enquanto se está ao volante”, conclui Mariano.

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