17 de janeiro de 2026

Como o cérebro toma decisões ao volante: o que a neurociência revela

Entenda como o cérebro processa informações durante a direção e por que pequenas distrações podem gerar grandes riscos no trânsito. Neurociência aplicada à segurança viária.


Por Redação Publicado 17/01/2026 às 13h30
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Os avanços tecnológicos podem ser aliados, mas também trazem armadilhas. Foto: Nikodash para Depositphotos

A forma como conduzimos um veículo vai muito além da habilidade motora. Dirigir é um processo altamente complexo que envolve atenção, memória, percepção, tomada de decisão e resposta rápida a estímulos inesperados. A neurociência tem se dedicado a compreender como o cérebro se comporta ao volante — e os resultados explicam muitos dos erros, distrações e comportamentos arriscados que observamos nas ruas.

Para começar, é importante entender que dirigir exige a integração simultânea de diferentes áreas cerebrais. O córtex pré-frontal, responsável por decisões e planejamento, atua em conjunto com o sistema límbico, que regula emoções, e com o cerebelo, responsável pela coordenação motora. Quando esses sistemas trabalham em harmonia, a condução se torna fluida. Quando há sobrecarga, a performance cai drasticamente.

Um dos maiores desafios da direção moderna é a “atenção fragmentada”.

Estudos recentes mostram que o cérebro humano não consegue dividir o foco entre múltiplas tarefas simultâneas. Isso significa que atividades como mexer no celular, ajustar telas multimídia ou conversar de forma intensa prejudicam o processamento das informações da via, ainda que o motorista acredite que está “no controle”.

A neurociência mostra que a atenção funciona como um holofote: ilumina apenas uma parte do cenário por vez. Quanto mais estímulos competem por esse holofote, maior o risco de perder detalhes importantes — um pedestre, uma mudança no semáforo, um carro freando à frente. Essa limitação natural explica por que a distração é hoje uma das maiores causas de sinistros no trânsito.

Outro ponto crucial é a influência das emoções. O sistema límbico, especialmente a amígdala, desempenha papel decisivo em situações de estresse. Motoristas irritados, ansiosos ou apressados tendem a assumir comportamentos mais agressivos. O cérebro, em estado de alerta, interpreta pequenos estímulos como ameaças, resultando em reações impulsivas, como acelerar, “fechar” alguém ou assumir riscos desnecessários.

A memória de trabalho — que nos ajuda a manter informações momentâneas, como a rota que estamos seguindo — também tem limitações. Em vias desconhecidas, seu esforço aumenta, o que reduz a capacidade de prever movimentos de outros usuários. Por isso, viagens em locais novos exigem ainda mais atenção e tempo de resposta.

A neurociência também reforça a importância das pausas.

Estudos mostram que, após 90 minutos de atividade contínua, a capacidade de concentração começa a cair. A fadiga mental faz com que o cérebro responda mais lentamente, diminua a percepção de risco e reduza a precisão motora. Pequenos intervalos, hidratação e respiração profunda ajudam a restaurar o nível de alerta.

Por fim, os avanços tecnológicos podem ser aliados, mas também trazem armadilhas. Sistemas de assistência ao motorista (ADAS) oferecem suporte importante, porém podem gerar excesso de confiança. Quando o cérebro entende que o carro “faz tudo sozinho”, há tendência de relaxamento da atenção — e isso abre espaço para erros.

A neurociência confirma: o trânsito é um ambiente que exige foco, equilíbrio emocional e respeito aos limites cognitivos humanos. Reconhecer essas limitações é o primeiro passo para dirigir de forma mais segura e consciente.

Redação

Matérias escritas pela equipe de Redação do Portal do Trânsito.

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