17 de junho de 2026

Crescimento dos carros eletrificados impulsiona instalação de carregadores residenciais no Brasil

Com mais de 300 mil veículos eletrificados em circulação, cresce a procura por carregadores domésticos e adaptações elétricas em residências e condomínios.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 16/06/2026 às 23h53
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carros eletrificados
Com o avanço dos carros eletrificados no Brasil, cada vez mais garagens residenciais passam a funcionar como pontos de recarga. Foto: Divulgação

O avanço dos carros eletrificados no Brasil está transformando não apenas a forma como os brasileiros se deslocam, mas também a maneira de abastecer seus veículos. Com o crescimento acelerado da frota de modelos plug-in, cada vez mais consumidores têm levado a infraestrutura de recarga para dentro de casa, convertendo garagens residenciais e de condomínios em verdadeiros “postos particulares”.

De acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), entre janeiro e maio de 2026 foram emplacados cerca de 167 mil veículos eletrificados no país. O número representa um crescimento de 135,21% em relação ao mesmo período de 2025.

O setor já vinha de um ano histórico. Em 2025, mais de 220 mil veículos eletrificados foram vendidos no Brasil, respondendo por aproximadamente 13% das vendas de veículos leves. A expectativa é que 2026 registre novos recordes, com potencial para superar a marca de 300 mil unidades comercializadas. Atualmente, a frota nacional desses veículos já ultrapassa 300 mil unidades em circulação.

Esse cenário tem impulsionado uma demanda crescente por soluções de recarga residencial, especialmente diante dos desafios relacionados à expansão da infraestrutura pública.

Garagens assumem novo papel

Embora a rede pública de abastecimento também esteja em expansão — o Brasil já conta com mais de 21 mil pontos ativos de recarga —, o carregamento em casa vem se consolidando como a alternativa mais prática para muitos proprietários de veículos eletrificados.

A possibilidade de deixar o veículo carregando durante a noite, aproveitando o período em que permanece estacionado, tem mudado a relação do consumidor com o abastecimento.

“Estamos vivendo uma mudança estrutural na relação do brasileiro com o automóvel. O abastecimento deixa de acontecer exclusivamente nos postos e passa a fazer parte da rotina dentro de casa. A garagem está se transformando em um posto particular”, afirma Júnior Miranda, CEO da GreenV, empresa que já instalou mais de 15 mil pontos de recarga residenciais pelo Brasil e atua nesse segmento.

Segundo o executivo, o crescimento da eletromobilidade também abre espaço para novos negócios. “O mercado de recarga residencial cresce na mesma velocidade dos veículos elétricos. Hoje já movimenta cerca de R$ 1 bilhão no Brasil e a tendência é ultrapassar R$ 3 bilhões nos próximos anos. É um ecossistema inteiro sendo criado ao redor da mobilidade elétrica”, destaca.

Adaptação elétrica exige planejamento

Com o aumento do interesse pelos carregadores domésticos, cresce também a preocupação dos consumidores em entender se a instalação elétrica da residência está preparada para receber esse tipo de equipamento.

Atualmente, existem diferentes opções de carregamento residencial. Utilizando uma tomada convencional com carregador portátil de 1,8 kW, o processo de recarga completa pode ultrapassar 24 horas, dependendo do veículo.

Já os chamados wallboxes — carregadores de parede instalados em circuitos adequados — operam com potências de 7,4 kW, 11 kW e até 22 kW. Nesses casos, o tempo de carregamento pode cair para um intervalo entre quatro e oito horas, variando conforme o modelo do automóvel.

A orientação é que a instalação seja precedida por uma análise técnica da infraestrutura elétrica do imóvel. “Ainda existe muita improvisação no mercado, e isso pode comprometer tanto a segurança quanto a eficiência do carregamento. O ideal é sempre realizar uma avaliação técnica da infraestrutura elétrica antes da instalação”, alerta Júnior Miranda.

Quanto custa instalar um carregador em casa?

A ampliação da oferta de equipamentos também tem contribuído para tornar essa tecnologia mais acessível.

Hoje, os carregadores residenciais custam entre R$ 2.500 e R$ 8.000. Já os gastos com a adequação elétrica e instalação podem variar entre R$ 2.000 e R$ 5.000, dependendo da complexidade do projeto.

Os valores tendem a variar conforme fatores como a distância entre o quadro elétrico e o ponto de instalação, necessidade de reforço na rede interna e características específicas de cada imóvel.

Energia solar ganha espaço

Além da praticidade, o custo operacional mais baixo continua sendo um dos principais atrativos dos veículos eletrificados.

Mesmo com o aumento do consumo de energia elétrica da residência, o custo por quilômetro rodado permanece significativamente inferior ao dos veículos movidos por combustíveis fósseis, segundo o setor.

Outro movimento apontado como tendência é a integração dos carregadores residenciais com sistemas de geração de energia solar. “O consumidor percebe que o carro elétrico não é apenas uma mudança de tecnologia, mas uma transformação completa na forma de consumir energia. Quando combinamos mobilidade elétrica com energia solar, o ganho econômico e ambiental se multiplica”, afirma o empresário.

Uma mudança que avança para além dos veículos

A expansão da eletromobilidade evidencia que os carros eletrificados estão deixando de ocupar um espaço restrito a nichos específicos e passam a integrar o cotidiano de um número cada vez maior de brasileiros.

Além de alterar hábitos de abastecimento, esse movimento também influencia o planejamento das residências e a forma como os consumidores se relacionam com o consumo de energia.

“Estamos diante de uma transformação sem volta. O carro elétrico deixou de ser uma aposta do futuro para se tornar parte da vida real dos brasileiros. E, junto com essa mudança, cresce também a necessidade de infraestrutura inteligente, segura e acessível dentro das residências. A mobilidade elétrica começa na garagem de casa. Quem entender isso agora estará conectado ao novo comportamento do consumidor e ao futuro da energia no Brasil”, finaliza Miranda.

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