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Denúncias mostram que a troca desnecessária de peças segue como prática em pontos de vendas não especializados 

Denúncias mostram que a troca desnecessária de peças segue como prática em pontos de vendas não especializados
Foto: Arquivo Tecnodata.

Esse modelo comercial afeta negativamente o bolso do consumidor e a confiança no setor como um todo.

Julia Vilela – 

Assessora de Imprensa

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Foto: Arquivo Tecnodata.

Quem não passou pela situação de levar o carro para trocar o pneu, e se viu obrigado a trocar inúmeras peças, sem necessidade? Essa prática de fazer a substituição de peças que não precisariam ser trocadas é conhecida no mercado como “empurrometria”, método de venda aplicado há décadas por pontos de vendas não especializados, e que até hoje provoca terror não só em suas vítimas, mas também no setor como um todo e no meio ambiente.

“Esse tipo de postura de alguns comerciantes do segmento automotivo é nefasto para o setor, que tem sua imagem prejudicada mesmo sem ter esse tipo de prática em sua absoluta maioria. O meio ambiente também sofre com a ‘empurrometria’, mas o maior prejudicado é o consumidor, que paga um valor alto por algo desnecessário”, diz Dirceu Delamuta, presidente da Abrapneus.

Hoje o Ministério Público administra milhares de denúncias de consumidores buscando seus direitos depois de terem sofrido esse tipo de assédio financeiro ao entrar em uma loja para realizar uma troca e sair dela pagando um alto custo por serviços que não seriam necessários. Para se ter uma ideia, somente duas redes não especializadas são responsáveis por mais de 400 denúncias, o que mostra que a solução do problema está longe de ser resolvida pois depende da conscientização das empresas que permitem e até incentivam esse tipo prática, de que elas têm mais a perder do que a ganhar.

Esse tipo de situação pode ocorrer de diversas formas.

Uma delas tem início na venda de autopeças por pontos de vendas não especializados, como supermercados, lojas de departamento e Ecommerces, que só enxergam esses produtos como complemento de negócio e contribuem muito para que o problema siga existindo. Nesses casos, o cliente compra as peças com direito a instalação grátis. Ao chegar para a instalação, a loja, com equipamentos sem aferição e serviços de baixa qualidade, pratica a venda abusiva, a “empurrometria”, que em muitos casos envolve inclusive itens indevidos, remanufaturados e até roubados.

Sustentabilidade dos negócios

Alguns varejistas do segmento automotivo, que se preocupam com a sustentabilidade de seus próprios negócios e que trazem para sua realidade comercial a transparência com o consumidor, têm adotado iniciativas para coibir esse tipo de prática. O método mais adequado e recomendado de atendimento é fazer todos testes e medições que comprovem a real necessidade de substituição de peças no carro, e isso deve ser mostrado ao consumidor para que ele possa se certificar que a troca é realmente necessária.

“Somente dessa forma as lojas do varejo efetivamente demonstram a transparência do processo e conquistam a confiança do cliente, o que é fundamental nessa relação comercial. O consumidor deve exigir que sejam feitos o teste e a medição para comprovar a necessidade de troca”, afirma Delamuta.

Os pontos de vendas não especializados que seguem com a “empurrometria” demonstram visão míope da relação com o cliente. Eles até podem ganhar um pouco a mais num primeiro momento, mas certamente não fidelizam o consumidor, que nunca mais irá voltar a essas lojas após passar por essa experiência abusiva. “Essa prática de fazer trocas desnecessárias está com seus dias contados. Esses empresários precisam entender que fazer a coisa certa é simples, barato, rápido, eficiente e somente assim poderá ter um negócio sustentável a longo prazo. A Abrapneus está dedicada a reforçar esse conceito em toda cadeia. Em alertar o consumidor para não aceitar e denunciar esse tipo de prática abusiva e contribuir, no que for possível, para que o Ministério Público investigue os casos identificados”, conclui o presidente da Abrapneus.

Não seja mais uma vítima e ajude a acabar com esse problema. Caso seja vítima de um caso de “empurrometria”, denuncie para o Ministério Público, que irá investigar o caso.


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