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Em oito anos, número de motoristas entre 60 e 74 anos cresce 88,15% 

Em oito anos, número de motoristas entre 60 e 74 anos cresce 88,15%

Não existe idade certa para dirigir. Prova disso é que se torna cada vez mais comum encontrar idosos circulando em seus veículos pela cidade. A população está envelhecendo. No entanto, diferentemente de outros tempos, os idosos estão mais independentes. Eles vivem mais e com melhor qualidade. Uma das características dessa autossuficiência é o fato de dirigirem o seu próprio veículo. Hoje com 73 anos, a aposentada Irismar Luna Goes dirige desde os 52. Ela não abre mão de pegar, constantemente, o seu fusquinha de 1994, adquirido há dez anos, e ir ao supermercado, embora reclame do trânsito da Capital. O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) aponta que, em oito anos, o número de pessoas com Carteira Nacional de Habilitação (CNH), com idade entre 60 e 74 anos, cresceu 88% no Ceará. Enquanto em 2004 eram 73.992 habilitados, em outubro deste ano, a soma chegou a 139.235. Na faixa etária de 75 a 99 anos, o aumento foi maior. Passou de 17.370, em 2004, para 44.616, em outubro de 2012, um aumento de 156,85%. Desde os 52 anos, a aposentada Irismar Luna Goes, hoje com 73 anos, dirige. Por causa do trânsito caótico de Fortaleza, ela evita se locomover para pontos distantes. Ainda assim, não abre mão de pegar o seu Fusquinha de 1994, adquirido há dez anos, e ir ao supermercado. “Idade não quer dizer nada. Para mim, não faz diferença nenhuma de quando comecei a dirigir para agora. Pego o carro e saio”, diz. Aos 74 anos, a aposentada Yara Guerra continua fazendo o que lhe “dá na telha”, inclusive dirigir. Moradora da Praia do Icaraí, em Caucaia, Yara conta que pega a estrada praticamente todos os dias para cumprir compromissos na Capital. A cada 15 dias, sobe a Serra de Baturité, onde aproveita para descansar. É ela mesma quem vai dirigindo e, no retorno, prefere pegar estrada de noite. No ano passado, foi e voltou para Natal, no Rio Grande do Norte, dirigindo. “Adoro dirigir. Apesar do trânsito estar muito louco, dirigir para mim é um lazer. Não gosto de ninguém dirigindo por mim, fico mais confiante quando eu estou no comando”, destaca. A aposentada comenta que costuma ver muita imprudência no trânsito. “Os motoristas são muito impacientes e descontrolados. Quase sempre estão com pressa. Procuro dar lugar para os apressados. Prefiro que eles passem de mim”, afirma. Confiante, Yara diz que pretende dirigir até completar os 100 anos. “É uma atividade que me dá muito prazer”, ressalta. Diz ainda que se considera ótima motorista e que quem anda com ela costumam fazer elogios. Habilitada há 46 anos, se orgulha de dizer que nunca se envolveu em acidentes de trânsito. Previsões Projeções da década de 1990 previam que, em 2025, o Brasil se tornaria a sexta população com maior número de idosos. Charlys Barbosa Nogueira, geriatra e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), lembra que, em Fortaleza, 10% da população tem 60 anos ou mais. O especialista comenta que a população idosa no Brasil cresce em uma velocidade duas vezes maior que a população geral. “O País está em franco processo de envelhecimento. Cada vez temos mais pessoas que chegam à faixa etária idosa de forma totalmente independente”, diz. O brasileiro está investindo mais na prevenção de doenças, no tratamento precoce das patologias que aparecem e tem mais acesso à saúde, o que faz com que a população viva mais e com melhor qualidade. Apesar disso, o especialista enfatiza que o idoso precisa reconhecer que possui algumas limitações. Por isso, para prevenir acidentes de trânsito, ressalta a necessidade de intervir preventivamente na saúde com avaliações de visão e memória. “Pacientes com quadro de memória podem sofrer mais acidentes. Eles têm de fazer uma avaliação geral periódica e não apenas quando forem tirar a carteira de motorista. São medidas importantes para que eles possam continuar dirigindo de forma independente”, recomenda. Por dirigirem mais lentamente e de forma defensiva, os idosos são, constantemente, desrespeitados no trânsito. Como, geralmente, possuem redução da acuidade visual, o médico recomenda que evitem dirigir à noite. Charlys chama atenção, ainda, para a importância de as pessoas se conscientizarem que, com o envelhecimento da população, é preciso respeitar ainda mais os idosos no trânsito. “Entender que a população está envelhecendo faz com que a sociedade se conscientize para respeitar a figura do idoso neste momento. Compreender que eles dirigem mais lentamente por causa dos seus reflexos, que são mais lentos, mas não aumentam o número de acidentes por isso. É importante que a gente vislumbre naquele idoso o que vamos ser em um futuro próximo”, alerta o especialista. Para quem tem mais de 65 anos, o prazo de validade da habilitação reduz de cinco para três anos. O diretor de Habilitação do Detran, João Bezerra, diz que o artigo 4º, da Resolução 168, determina que quando houver algum indício de deficiência física ou mental, o médico pode reduzir ainda mais o prazo de validade da carteira. “Fica a critério do perito examinador”, afirma. Fonte: Diário do Nordeste

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