30 de junho de 2026

8 mentiras sobre o trânsito que muita gente acredita

De informações passadas de geração em geração a interpretações equivocadas da legislação, alguns mitos sobre o trânsito continuam circulando entre os motoristas brasileiros e podem trazer consequências sérias.


Por Mariana Czerwonka Publicado 30/06/2026 às 12h00
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A city crossing with a semaphore. Orange light in semaphore – im
No trânsito, informações incorretas podem ser tão perigosas quanto comportamentos imprudentes. Foto: askoldsb para Depositphotos

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que é permitido acelerar ao ver o sinal amarelo, que dirigir descalço gera multa ou que existe uma “margem de tolerância” garantida para excesso de velocidade? Embora muitas dessas afirmações sejam repetidas há anos, nem todas correspondem ao que determina a legislação de trânsito brasileira.

No trânsito, informações incorretas podem ser tão perigosas quanto comportamentos imprudentes. Isso porque decisões tomadas com base em mitos ou interpretações equivocadas das regras podem aumentar o risco de acidentes, gerar infrações e comprometer a segurança de todos os usuários das vias.

A seguir, o Portal do Trânsito reúne algumas das principais mentiras sobre o trânsito que muitos brasileiros ainda acreditam ser verdade.

1. “O sinal amarelo é para acelerar e passar”

    Esse talvez seja um dos mitos mais populares do trânsito brasileiro. Na realidade, a luz amarela do semáforo indica advertência e sinaliza que a parada é iminente. O objetivo é alertar o condutor para que interrompa a travessia da via, desde que isso possa ser feito com segurança.

    Muitos motoristas interpretam o amarelo como uma espécie de “última chance” para atravessar o cruzamento. Essa atitude, porém, pode levar a frenagens bruscas, colisões traseiras e conflitos com veículos que iniciam o deslocamento após a abertura do sinal verde em outra direção.

    A recomendação é simples: ao visualizar o amarelo, o condutor deve avaliar se é possível parar com segurança. Se houver condições, a parada é a conduta mais adequada.

    2. “Dirigir descalço dá multa”

      Apesar de muito difundida, essa informação é falsa. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não proíbe que o motorista conduza um veículo descalço. O que a legislação veda é dirigir utilizando calçados que comprometam a utilização dos pedais.

      É o caso de chinelos soltos, tamancos ou qualquer calçado que possa escapar dos pés e interferir no controle do veículo.

      Ou seja, do ponto de vista legal, dirigir descalço é permitido. Em alguns casos, inclusive, pode ser mais seguro do que utilizar um calçado inadequado.

      3. “Existe uma tolerância garantida para excesso de velocidade”

        Muitos condutores acreditam que podem ultrapassar o limite de velocidade em até 10% sem sofrer penalidades. Na prática, não existe uma autorização legal para exceder a velocidade máxima da via.

        O que existe é a aplicação de margens técnicas previstas nas normas do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para compensar possíveis variações dos equipamentos de fiscalização.

        Considera-se essa margem no cálculo da velocidade medida, mas não é uma licença para dirigir acima do limite.

        4. “Quem bate atrás sempre está errado”

          Embora seja comum que o veículo que colide na traseira tenha responsabilidade pelo acidente, a análise não é automática. Cada ocorrência possui circunstâncias específicas que precisam ser avaliadas.

          Paradas bruscas sem justificativa, manobras inesperadas, problemas mecânicos ou outras situações podem influenciar na apuração das responsabilidades.

          Por isso, a afirmação de que quem bate atrás sempre é culpado não é uma verdade absoluta.

          5. “Ligar o pisca-alerta permite parar em qualquer lugar”

            Outro equívoco frequente é acreditar que o simples acionamento do pisca-alerta autoriza o estacionamento ou a parada em locais proibidos.

            O dispositivo tem função específica: alertar outros usuários da via sobre uma situação de emergência ou condição excepcional do veículo.

            Seu uso não transforma uma parada irregular em uma parada permitida.

            Mesmo com o pisca-alerta ligado, o motorista pode ser autuado caso esteja estacionado ou parado em local proibido.

            6. “Motociclistas podem circular em qualquer espaço entre os carros”

              O CTB permite que motocicletas realizem deslocamentos entre faixas de veículos em determinadas situações, especialmente quando o trânsito está lento ou parado.

              No entanto, isso não significa que se permita qualquer tipo de manobra.

              O motociclista deve manter velocidade compatível, observar as condições de segurança e respeitar os demais usuários da via.

              Manobras arriscadas, em alta velocidade ou sem espaço adequado continuam representando riscos elevados de sinistros.

              7. “Basta ter habilitação para dirigir qualquer veículo”

                A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) possui categorias específicas. Um condutor habilitado na categoria B, por exemplo, não está automaticamente autorizado a conduzir veículos que exijam categorias C, D ou E.

                Além disso, algumas atividades profissionais exigem cursos especializados previstos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

                Desconsiderar essas exigências pode resultar em infrações e problemas legais.

                8. “Acidente acontece apenas por imprudência”

                  A imprudência continua sendo um dos principais fatores associados aos sinistros de trânsito, mas não é o único.

                  Questões relacionadas à infraestrutura viária, sinalização inadequada, falhas mecânicas, condições climáticas e até fatores humanos, como fadiga e distração, também influenciam diretamente na ocorrência e na gravidade dos acidentes.

                  Para o especialista Celso Mariano, compreender a complexidade dos fatores envolvidos é fundamental para melhorar a segurança viária.

                  “Atribuir todos os acidentes exclusivamente ao comportamento do condutor simplifica um problema muito mais complexo. Um sistema de trânsito seguro depende de infraestrutura adequada, fiscalização eficiente, educação e veículos mais seguros”, analisa.

                  Informação correta também salva vidas

                  Em um cenário de circulação intensa de informações pelas redes sociais, nem tudo o que se repete milhares de vezes corresponde à realidade.

                  Conhecer a legislação, buscar fontes confiáveis e manter-se atualizado são atitudes que ajudam o motorista a tomar decisões mais seguras e evitar erros que podem custar caro.

                  De acordo com o especialista, no trânsito, acreditar em um mito pode parecer algo inofensivo.

                  “No entanto, em muitos casos, a diferença entre uma informação correta e uma falsa pode representar uma multa, um acidente ou até mesmo a preservação de vidas”, conclui Mariano.

                  Mariana Czerwonka
                  Mariana Czerwonka

                  Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

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