CNH 2026: entenda o novo modelo de formação de condutores
CNH 2026 traz novo modelo de formação de condutores. Veja o que muda nas aulas, exames, custos e os desafios para quem vai tirar a habilitação.

Quem pretende tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em 2026 vai enfrentar um cenário completamente diferente daquele que vigorou no Brasil por mais de duas décadas. A Resolução Contran nº 1.020/25, publicada no fim de 2025, reformulou de forma profunda o processo de formação de condutores, alterando desde a forma de estudar até a quantidade mínima de aulas práticas exigidas antes do exame.
O novo modelo promete ampliar o acesso à CNH, reduzir custos e oferecer mais liberdade de escolha ao candidato. Ao mesmo tempo, acende um alerta importante: com menos exigências formais de formação, cresce o peso da responsabilidade individual e do papel fiscalizador do Estado. Para quem planeja iniciar a habilitação em 2026, entender essas mudanças é essencial para não ser pego de surpresa.
Um processo mais flexível — e menos padronizado
Uma das principais mudanças trazidas pela Resolução 1.020/25 é o fim da carga horária mínima nacional obrigatória para o curso teórico. A partir de agora, o candidato poderá escolher onde e como estudar: curso oferecido pelo órgão máximo executivo de trânsito da União, autoescolas, entidades de ensino a distância (EaD), Escolas Públicas de Trânsito ou outros órgãos do Sistema Nacional de Trânsito.
Não há mais um número fixo de horas-aula definido em resolução. Isso significa que o tempo de estudo deixa de ser padronizado e passa a depender da proposta pedagógica da instituição escolhida — e do empenho do próprio candidato. O exame teórico, por sua vez, permanece obrigatório e se torna o principal instrumento para aferir o domínio dos conteúdos.
O certificado deixa de ser sinônimo de aprendizado
Outro ponto relevante é que o certificado de conclusão do curso teórico passa a ter caráter meramente formal. Ele comprova que o candidato participou daquela etapa, mas não atesta conhecimento. A avaliação real continua sendo feita exclusivamente pelo exame teórico aplicado pelo Detran.
Na prática, isso reforça um movimento claro da nova norma: menos controle sobre o percurso formativo e mais foco no resultado final. Para quem não se preparar adequadamente, a flexibilidade pode se transformar em dificuldade já nas primeiras tentativas de prova.
Menos aulas práticas obrigatórias
Talvez a mudança que mais impacte quem vai tirar a CNH em 2026 seja a redução da carga mínima de aulas práticas. Para as categorias A e B, a Resolução 1.020/25 exige apenas duas horas mínimas de aulas práticas, registradas no Renach, para que o candidato esteja apto a realizar o exame de direção veicular.
Isso não significa que o candidato esteja limitado a esse número. Ele pode — e, em muitos casos, deve — realizar mais aulas.
No entanto, o patamar mínimo legal passa a ser muito inferior ao modelo anterior, o que gera preocupação sobre a real preparação de condutores iniciantes para o trânsito cotidiano.
Instrutor continua obrigatório, mas o modelo muda
Apesar de interpretações equivocadas que circularam após a publicação da norma, a formação prática não foi liberada sem instrutor. A resolução deixa claro que todas as aulas práticas devem ocorrer com acompanhamento e supervisão de instrutor de trânsito devidamente autorizado.
A diferença é que esse instrutor pode atuar de forma autônoma ou vinculado a uma autoescola. O veículo utilizado nas aulas também pode ser do próprio candidato ou de terceiros, desde que identificado conforme as regras e acompanhado por instrutor habilitado.
Essa mudança amplia as possibilidades e reduz custos, mas exige fiscalização rigorosa para evitar improvisos que coloquem em risco a segurança viária.
Exame prático ganha protagonismo
Com menos exigências formais ao longo da formação, o exame prático passa a ser o grande filtro do processo de habilitação. Ele será decisivo para verificar se o candidato reúne condições mínimas para conduzir com segurança em vias terrestres.
A prova será avaliada por uma comissão com três membros, seguirá um sistema de pontuação baseado nas infrações cometidas durante o percurso e poderá, inclusive, contar com monitoramento eletrônico. A interrupção do exame também está prevista em casos de incapacidade técnica ou instabilidade emocional.
De acordo com Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, esse protagonismo do exame prático merece atenção.
“Quando se reduz a formação e se aposta quase tudo na avaliação final, o risco é transformar o exame em um filtro insuficiente para compensar lacunas de aprendizado. Avaliar não substitui formar”, analisa.
Autoescolas deixam de ser caminho obrigatório
As autoescolas continuam existindo e desempenhando papel relevante, mas deixam de ser a única porta de entrada para a CNH. Elas passam a disputar espaço em um ambiente mais aberto, onde o candidato pode escolher diferentes formatos de aprendizagem.
O desafio para 2026 será a adaptação.
“As autoescolas que conseguirem demonstrar valor pedagógico real, indo além do ‘treinar para a prova’, terão espaço. Formação de qualidade não se mede apenas pelo resultado no exame, mas pelo comportamento do condutor depois”, avalia Mariano.
Custos menores, riscos maiores?
A promessa de redução de custos é um dos principais atrativos do novo modelo. Menos aulas obrigatórias, maior uso de EaD e possibilidade de usar veículo próprio tendem a baratear o processo inicial.
Por outro lado, há um risco concreto de economia ilusória. Um candidato mal preparado pode enfrentar reprovações sucessivas, necessidade de aulas extras e, pior, dificuldades reais ao ingressar no trânsito. O preço de uma formação insuficiente não aparece apenas na conta do Detran, mas nos índices de sinistros e na segurança coletiva.
O que quem vai tirar a CNH em 2026 precisa ter em mente
Para quem pretende iniciar a habilitação em 2026, o novo modelo traz liberdade, mas também exige maturidade, disciplina e responsabilidade. A formação deixa de seguir um roteiro único e passa a depender de escolhas individuais, em um país que já convive com altos índices de violência no trânsito.
Mais do que perguntar “como tirar a CNH mais rápido”, o desafio será refletir se o processo está, de fato, preparando novos condutores para conviver com segurança em um trânsito cada vez mais complexo.
