04 de agosto de 2026

Velocidade média pode virar multa no Brasil? Entenda como funciona o sistema

Tecnologia já é utilizada para monitorar o comportamento dos motoristas em rodovias brasileiras e pode ganhar respaldo legal no futuro. Hoje, porém, ela ainda não pode ser usada para aplicar multas.


Por Mariana Czerwonka Publicado 04/08/2026 às 12h00
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velocidade média
O objetivo não é fazer o motorista frear apenas diante de um radar, mas estimular uma condução segura durante todo o percurso. Foto: jarous para Depositphotos

Um sistema capaz de calcular a velocidade média dos veículos entre dois pontos de uma rodovia voltou ao centro das discussões sobre segurança viária no Brasil. A tecnologia, que já vem sendo utilizada em caráter educativo e para monitoramento de trechos perigosos, revelou recentemente que muitos motoristas reduzem a velocidade apenas ao passar por radares e voltam a acelerar logo depois.

Apesar disso, ainda não é possível autuar os condutores com base nesse cálculo. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê que a infração por excesso de velocidade seja constatada por equipamento medidor no momento da passagem do veículo. Para que a velocidade média possa gerar multas, será necessária uma mudança na legislação.

O assunto voltou à pauta após experiências realizadas em rodovias federais e reacendeu um debate antigo: seria mais eficiente fiscalizar a velocidade em um único ponto ou ao longo de todo o percurso?

A tecnologia já existe

Embora o tema tenha ganhado destaque recentemente, a tecnologia utilizada para calcular a velocidade média não é novidade.

Conforme o Portal do Trânsito mostrou em reportagem publicada anteriormente, muitos dos equipamentos atualmente utilizados nas rodovias já possuem capacidade técnica para registrar a passagem dos veículos em diferentes pontos e calcular a velocidade desenvolvida durante determinado trecho. O que impede a aplicação de multas não é uma limitação tecnológica, mas a ausência de previsão legal para esse tipo de fiscalização.

Hoje, os dados são utilizados para monitoramento, estudos sobre o comportamento dos condutores e ações educativas voltadas à segurança viária.

Como funciona o sistema?

O princípio é relativamente simples. Ao passar pelo primeiro ponto de monitoramento, o veículo tem sua placa identificada pelo sistema. O mesmo procedimento ocorre no segundo ponto de controle.

Conhecendo a distância entre os equipamentos e o tempo gasto para percorrer esse trecho, o sistema calcula a velocidade média desenvolvida pelo veículo.

Diferentemente do radar convencional, que registra a velocidade em um único instante, esse método permite verificar o comportamento do motorista durante todo o percurso monitorado.

O comportamento dos motoristas chamou atenção

Foi justamente esse tipo de monitoramento que revelou um dado preocupante em um trecho da BR-050, próximo a Uberaba (MG).

Segundo a concessionária responsável pela rodovia, aproximadamente 1,5 mil veículos ultrapassaram o limite de velocidade ao passar por um dos radares no primeiro semestre de 2026.

No entanto, quando se analisou a velocidade média entre dois equipamentos instalados a cerca de 11 quilômetros de distância, o número de ocorrências foi 66 vezes maior.

Os dados indicam que muitos motoristas diminuem a velocidade apenas nos locais onde sabem que existe fiscalização eletrônica, retomando velocidades superiores ao limite logo em seguida.

Além da BR-050, a tecnologia também passou a ser utilizada para monitoramento em trechos da Ponte Rio-Niterói, principalmente durante o período noturno.

Por que esse sistema ainda não gera multas?

Atualmente, a legislação brasileira não permite que se use a velocidade média para autuar motoristas.

Pelas regras em vigor,deve-se constatar a infração por excesso de velocidade por equipamento medidor no momento da passagem do veículo.

Isso significa que, embora o sistema consiga demonstrar que um motorista percorreu determinado trecho acima da velocidade permitida, essa informação ainda não possui validade para aplicação de penalidades administrativas.

No Congresso Nacional, entretanto, já existem propostas que discutem a possibilidade de alterar essa realidade.

Outros países já utilizam esse modelo

A fiscalização por velocidade média está longe de ser uma novidade no cenário internacional. Países europeus utilizam esse tipo de tecnologia há vários anos, especialmente em trechos com elevado índice de acidentes, túneis e rodovias onde se busca incentivar o respeito contínuo aos limites de velocidade.

Nesses locais, o objetivo não é fazer o motorista frear apenas diante de um radar, mas estimular uma condução segura durante todo o percurso.

O foco é mudar o comportamento, não apenas aplicar multas

O estudo realizado na BR-050 reforça uma constatação antiga dos especialistas em segurança viária: a simples presença de um radar costuma provocar uma redução momentânea da velocidade, mas nem sempre modifica o comportamento do motorista ao longo da viagem.

A proposta da fiscalização por velocidade média parte justamente da lógica inversa. Em vez de avaliar apenas um ponto da rodovia, busca incentivar o respeito permanente aos limites estabelecidos para aquele trecho.

Independentemente de uma futura mudança na legislação, a discussão reforça um aspecto importante da segurança viária: reduzir a velocidade apenas diante do radar não torna a viagem mais segura. O que efetivamente reduz o risco de sinistros é manter uma velocidade compatível com as condições da via durante todo o percurso.

Mariana Czerwonka
Mariana Czerwonka

Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

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