28 de junho de 2026

Maio Amarelo 2026: por que “Enxergar o outro” virou tema da campanha

Tema da campanha deste ano expõe um problema cotidiano: muita gente dirige olhando para a via, mas sem perceber as pessoas ao redor.


Por Redação Publicado 08/05/2026 às 08h15
Ouvir: 00:00
Maio Amarelo 2026 enxergar
O Maio Amarelo 2026 lembra que grandes transformações começam em atitudes pequenas. Foto: dadophotos para Depositphotos

O Maio Amarelo 2026 chega neste ano com uma mensagem direta e necessária: enxergar o outro pode salvar vidas. Em um país ainda marcado por altos índices de mortes e lesões no trânsito, a campanha aposta em algo simples na teoria, mas cada vez mais raro na prática: atenção genuína ao próximo.

A escolha do tema não aconteceu por acaso. O trânsito brasileiro convive diariamente com pressa, distração, impaciência e excesso de individualismo. Em muitas situações, o problema não é falta de visão, e sim falta de percepção.

Motoristas veem a faixa, mas não param para o pedestre. Enxergam a moto, mas mudam de faixa mesmo assim. Notam a bicicleta, mas passam raspando. Sabem do limite de velocidade, mas aceleram porque acreditam que “não vai acontecer nada”.

O verdadeiro significado da campanha

Quando o Maio Amarelo fala em enxergar o outro, a proposta vai além do sentido literal. O foco está em reconhecer que o trânsito é coletivo e que toda decisão individual afeta terceiros.

Cada freada brusca, cada ultrapassagem indevida, cada mensagem respondida no celular e cada gesto agressivo podem atingir alguém que sequer participou daquela escolha.

Na prática, a campanha convida a uma mudança de postura:

  • sair do modo automático;
  • reduzir atitudes egoístas;
  • antecipar riscos;
  • respeitar vulneráveis;
  • dirigir com empatia;
  • compreender que chegar alguns minutos antes nunca vale uma vida.

O Brasil ainda dirige como se estivesse sozinho

Boa parte dos conflitos viários nasce da falsa sensação de prioridade absoluta. Muitos condutores se comportam como se os demais fossem obstáculos, e não pessoas.

Isso aparece em cenas comuns:

  • veículo parado sobre faixa de pedestres;
  • estacionamento em calçada;
  • avanço para “fechar” cruzamento;
  • buzina como intimidação;
  • ultrapassagem perigosa para ganhar segundos;
  • disputa de espaço com motociclistas;
  • hostilidade contra ciclistas.

São comportamentos normalizados, mas que ajudam a explicar por que o trânsito segue tão violento.

O celular resume esse problema

Se existe um símbolo moderno da incapacidade de enxergar o outro, ele está na palma da mão. O uso do celular ao volante reúne distração visual, manual e mental.

Mesmo poucos segundos olhando para a tela podem impedir a percepção de:

  • uma criança atravessando;
  • uma moto surgindo no corredor;
  • um veículo freando à frente;
  • um semáforo fechando;
  • um ciclista desviando de obstáculo.

Em muitos sinistros, o problema não foi falta de reflexo. Foi falta de atenção.

Quem mais sofre quando ninguém enxerga ninguém

As consequências recaem principalmente sobre os usuários mais vulneráveis do sistema viário.

Pedestres

Dependem da prudência alheia para atravessar com segurança.

Motociclistas

Estão mais expostos a colisões laterais, pontos cegos e fechadas.

Ciclistas

Precisam dividir espaço com veículos maiores em ambiente muitas vezes hostil.

Idosos, crianças e PCDs

Exigem mais tempo, previsibilidade e respeito.

Celso Mariano: convivência também se aprende

Conforme Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, o tema de 2026 acerta ao tratar o trânsito como relação humana, e não apenas técnica de direção.

“Muita gente sabe acelerar, frear e estacionar, mas não aprendeu a conviver no trânsito. Segurança viária depende de perceber que há vidas ao redor o tempo todo”, afirma.

De acordo com ele, campanhas educativas precisam combater a cultura da pressa e da indiferença. “O maior erro é pensar apenas no próprio trajeto. Quando cada pessoa age assim, todos ficam em risco.”

Também cabe às cidades enxergar o cidadão

A mensagem vale igualmente para o poder público. Não basta pedir empatia do condutor se a infraestrutura ignora quem circula a pé, de bicicleta ou em transporte coletivo.

Enxergar o outro, na prática urbana, significa investir em:

  • calçadas acessíveis;
  • travessias seguras;
  • velocidades compatíveis;
  • sinalização eficiente;
  • ciclovias conectadas;
  • fiscalização consistente;
  • desenho viário que reduza erros fatais.

Uma mudança simples que pode salvar vidas

O Maio Amarelo 2026 lembra que grandes transformações começam em atitudes pequenas: esperar, dar passagem, reduzir velocidade, guardar o celular, respeitar a travessia e conter a agressividade.

“No trânsito, enxergar o outro não é gentileza. É responsabilidade”, conclui Mariano.

Redação
Redação

Matérias escritas pela equipe de Redação do Portal do Trânsito.

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *