Menos carros, mais economia: carona corporativa avança nas empresas brasileiras
Modelo cresce com a consolidação do trabalho híbrido e passa a integrar as estratégias de mobilidade e gestão dos escritórios.

A carona corporativa vem conquistando espaço nas empresas como uma alternativa para reduzir custos de deslocamento e diminuir emissões de poluentes. Além disso, tornar a mobilidade dos colaboradores mais eficiente. Impulsionado pela consolidação do trabalho híbrido, o modelo deixa de ser apenas um benefício opcional e passa a integrar as estratégias de gestão dos ambientes corporativos.
Um estudo internacional conduzido por pesquisadores do BART Integrated Carpool to Transit Access Program aponta que programas estruturados de carona corporativa registram adesão crescente em diferentes países. Conforme o levantamento, mais de 60% dos colaboradores consultados demonstraram aderir ao compartilhamento de viagens em substituição ao uso individual do automóvel.
No Brasil, esse movimento começa a ganhar força à medida que as empresas buscam alternativas para organizar os deslocamentos dos funcionários e adaptar suas operações aos novos modelos de trabalho.
Mobilidade entra na estratégia das empresas
Para Gustavo Gracitelli, CXO da Deskbee, a mobilidade passou a ocupar um espaço importante nas decisões das organizações, especialmente após as mudanças provocadas pela pandemia.
“A mobilidade tem se tornado uma questão cada vez mais pertencente ao hall de pontos de atenção das empresas em relação aos seus funcionários e, dentro dessa dinâmica, as caronas corporativas ganham protagonismo como uma solução de caráter ganha-ganha”, afirma.
Segundo ele, a reorganização do trabalho presencial e híbrido fez com que as empresas passassem a olhar o deslocamento dos colaboradores como parte da experiência de trabalho.
Trabalho híbrido impulsiona o compartilhamento de viagens
A Deskbee incorporou recentemente a startup Bynd, especializada em caronas corporativas, com o objetivo de integrar a mobilidade às soluções de gestão do trabalho híbrido.
Antes da pandemia, a Bynd chegou a registrar cerca de 25 mil caronas por semana. Assim, demonstrando a demanda por sistemas organizados de compartilhamento de viagens entre colaboradores. Com a retomada gradual das atividades presenciais, esse volume começou a se recuperar.
A proposta é integrar a carona corporativa a outros serviços utilizados pelas empresas. Como, por exemplo, reservas de mesas, gestão de vagas de estacionamento e controle de acesso aos escritórios.
Benefícios vão além da economia
Embora a redução de custos e das emissões de gases poluentes seja um dos principais atrativos da carona corporativa, a iniciativa também pode trazer impactos positivos para a mobilidade urbana.
Ao reduzir o número de veículos circulando nos horários de pico, o compartilhamento de viagens pode contribuir para diminuir congestionamentos e otimizar o uso da infraestrutura viária.
Além disso, o contato entre colegas durante os deslocamentos pode fortalecer a integração das equipes em um cenário marcado pela adoção do trabalho híbrido.
“Desde o final da pandemia, estamos nos adaptando a um novo modelo de trabalho e a novas formas de ocupar e vivenciar os escritórios. Nesse contexto, a carona corporativa surge como uma solução que vai além da eficiência operacional, da redução de custos e das metas de sustentabilidade. Ela também favorece conexões entre colegas, fortalece vínculos em um período marcado pelo isolamento social e pode até estimular hábitos mais seguros no trânsito, já que compartilhar o trajeto tende a tornar a condução mais consciente. Com o apoio da tecnologia, é possível ampliar esses benefícios em escala. É o tão mencionado futuro do trabalho, cada vez mais presente no nosso dia a dia”, afirma Gracitelli.
Tendência acompanha transformação da mobilidade
O avanço da carona corporativa reflete uma mudança mais ampla na forma como empresas e trabalhadores encaram os deslocamentos diários.
Além da busca por maior eficiência operacional, cresce o interesse por soluções que conciliem sustentabilidade, qualidade de vida e melhor aproveitamento dos espaços urbanos.
Nesse contexto, iniciativas que incentivam o compartilhamento de viagens tendem a ganhar cada vez mais espaço, acompanhando a evolução das estratégias de mobilidade corporativa e das políticas voltadas à redução do uso do carro individual.
