23 de outubro de 2026

Economistas e sociedade civil apresentam 10 propostas para reduzir custo de vida e desigualdades

Coalizão Vida em Conta defende Tarifa Zero nos transportes, imposto maior para super-ricos e crédito mais barato, entre outras medidas.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 21/10/2026 às 17h30
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Embarque no Ônibus Tarifa Zero reduzir custo de vida
A proposta de Tarifa Zero no transporte coletivo está entre as dez medidas apresentadas pela coalizão Vida em Conta para reduzir o custo de vida e as desigualdades no Brasil. Foto: criação de IA

Ao fim do mês, falta tempo e falta salário para muitos brasileiros. É a partir desse diagnóstico que a coalizão Vida em Conta, iniciativa que reúne cerca de 140 economistas e 70 organizações da sociedade civil, apresenta o documento 10 Propostas para um Novo Ciclo de Desenvolvimento no Brasil. O texto, divulgado em 20 de outubro, busca transformar as cinco frentes centrais elencadas nas Diretrizes para um Projeto de País Justo, Sustentável e Soberano em compromissos concretos para o próximo ciclo de governo, colocando a redução das desigualdades e a melhoria da qualidade de vida no centro das decisões econômicas. 

O documento, que será entregue às campanhas dos dois concorrentes à Presidência da República, reconhece avanços obtidos desde 2023, como o combate à fome e à pobreza, a queda da inflação, a geração de empregos, o crescimento econômico, a proteção ambiental, a retomada do investimento público e a maior projeção internacional do país. Mas alerta que desigualdades profundas, riscos climáticos crescentes e a dependência tecnológica e produtiva seguem como desafios estruturais. 

“Reduzir desigualdades requer investimento público e capacidade de implementar políticas de longo prazo. Em vez de retornar a uma agenda de encolhimento do papel estatal, o Brasil precisa usar seus instrumentos de planejamento, financiamento e investimento para ampliar serviços essenciais, reduzir o custo de vida, gerar empregos de qualidade e fortalecer suas capacidades produtivas e tecnológicas”, afirma Maiara Folly, diretora executiva da Plataforma CIPÓ, uma das organizações que articulam a coalizão Vida em Conta. 

Conheça as 10 propostas

1. Plano Nacional contra as Desigualdades

Estratégia permanente com metas e indicadores de renda, riqueza, gênero, raça e território, para orientar o planejamento, o orçamento e a avaliação das políticas públicas, com atenção especial às regiões e aos municípios mais vulneráveis. No exterior, o Brasil seguiria liderando a criação de um painel internacional sobre desigualdade, nos moldes do IPCC. 

2. Mobilidade urbana como direito e Tarifa Zero

Criação de um Fundo Nacional de Mobilidade Urbana para implantar progressivamente a Tarifa Zero no transporte coletivo, priorizando a ligação entre periferias e centros, a integração metropolitana e sistemas de baixa emissão. Entre as possíveis fontes de financiamento, o documento cita a adaptação do vale-transporte: em vez de custear diretamente o deslocamento de seus funcionários, os empregadores passariam a recolher uma contribuição vinculada à folha salarial, destinada ao fundo para financiar a gratuidade do sistema.

3. Política Nacional de Cuidados

Ampliação de creches, “cuidotecas”, centros-dia, espaços de alimentação e educação em tempo integral. O objetivo é reduzir a sobrecarga sobre as famílias, especialmente as mulheres. Além disso, valorizar quem trabalha com cuidado, com formação, proteção social e melhor remuneração. 

4. Tributação mais justa

Aumento da alíquota mínima efetiva do Imposto de Renda para os super-ricos, combate à evasão e aos privilégios fiscais e revisão de regimes especiais ligados a setores nocivos à saúde e ao meio ambiente. Dessa forma, preservando a simplificação para micro e pequenas empresas sem estimular a pejotização. 

5. Subsídios e gastos a serviço da transição ecológica

Revisão sistemática de subsídios e incentivos fiscais, condicionando-os à economia de baixo carbono e à revisão de incentivos a combustíveis fósseis. Os recursos apoiariam a adaptação climática em áreas urbanas vulneráveis e uma política industrial seletiva. Ou seja, com metas verificáveis e contrapartidas em empregos, além de infraestruturas digitais públicas e ferramentas para o cidadão acompanhar a origem e o destino do dinheiro público. 

6. Financiamento para saúde e educação

Recursos estáveis e suficientes para expandir e universalizar esses serviços, com regras fiscais compatíveis com seus pisos constitucionais. 

7. Fim da escala 6×1 sem perdas

Regulamentação da nova jornada sem redução salarial nem brechas que esvaziem a mudança. Ou seja, com condições para que o tempo liberado se converta em descanso, saúde, lazer e convívio. 

8. Salário mínimo com ganho real

Manutenção dos aumentos acima da inflação, preservando o piso nacional como referência para aposentadorias e benefícios sociais, aliada à redução do peso de moradia, energia e transporte no orçamento das famílias. 

9. Crédito mais barato

Fortalecimento dos bancos públicos para ampliar o acesso a financiamento em melhores condições para famílias, autônomos, microempreendedores e pequenos negócios. 

10. Acesso à terra e agricultura familiar

Política territorial que articule reforma agrária, combate à grilagem e integração dos cadastros de terras, fortalecendo a agricultura familiar e agroecológica, a segurança alimentar e a inovação em sementes, com instrumentos tributários para enfrentar a concentração fundiária. 

“Não existe contradição entre responsabilidade fiscal e bem-estar. A questão é quem paga e para onde vai o dinheiro. Hoje, quem ganha menos compromete mais da renda com impostos, transporte e juros. Corrigir isso, cobrando mais de quem está no topo e revendo subsídios ineficientes, é o que abre espaço para crescer com mais justiça”, afirma o economista Marco Antonio Rocha, professor da Unicamp e diretor do Transforma, outra organização responsável pela articulação da coalizão. 

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