03 de novembro de 2026

Ciclone extratropical traz ventos fortes: quais veículos correm mais risco na estrada?

Formação do sistema deve intensificar temporais no Sul do país; motocicletas, veículos altos e conjuntos com reboque estão entre os mais vulneráveis às rajadas laterais.


Por Mariana Czerwonka Publicado 03/11/2026 às 11h00
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Ventos fortes na estrada
Veículos altos e motocicletas são mais sensíveis às rajadas laterais; com previsão de vento severo, adiar a viagem pode ser a decisão mais segura. Foto: criação de IA.

A formação de uma frente fria entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, associada ao desenvolvimento de um ciclone extratropical próximo à costa, deve provocar temporais, chuva intensa, granizo e fortes rajadas de vento no Sul do Brasil entre esta terça-feira (3) e quinta-feira (5). No Paraná, a previsão indica aumento da instabilidade na quarta-feira e formação do ciclone na quinta, com avanço de uma nova frente fria.

Em Santa Catarina, a Epagri/Ciram prevê temporais em todas as regiões, com rajadas superiores a 60 km/h e possibilidade de tempestades severas isoladas — classificação que inclui ventos acima de 90 km/h. O período de maior atenção se estende até a madrugada de quinta-feira, especialmente nas áreas próximas à divisa com o Paraná.

No Rio Grande do Sul, a Defesa Civil alertou para rajadas que podem superar 90 km/h, além de chuva volumosa e queda de granizo em diferentes regiões. As condições meteorológicas podem mudar rapidamente e, por isso, quem pretende viajar deve acompanhar os avisos atualizados dos órgãos oficiais.

Nas rodovias, o vento lateral pode deslocar o veículo dentro da faixa, comprometer sua estabilidade e surpreender o motorista, principalmente em pontes, áreas descampadas, saídas de túneis e trechos sem barreiras naturais.

Quais veículos ficam mais vulneráveis?

Embora as rajadas possam afetar qualquer veículo, alguns apresentam maior sensibilidade ao vento lateral.

Motocicletas

A motocicleta tem menor massa e apenas dois pontos de contato alinhados com o pavimento. Uma rajada repentina pode alterar sua trajetória e exigir uma correção rápida do motociclista.

O risco também aumenta ao passar ao lado de ônibus e caminhões. Esses veículos podem bloquear temporariamente o vento e, logo após a ultrapassagem, expor a motocicleta novamente à rajada. O DNIT recomenda reduzir a velocidade e ter atenção especial às correntes de ar produzidas ou interrompidas por veículos pesados.

Diante da previsão de ventos muito fortes, o mais seguro é adiar o deslocamento de motocicleta, sempre que possível.

Caminhões, ônibus, vans e motorhomes

Veículos altos possuem uma superfície lateral maior sobre a qual o vento pode atuar. Por isso, podem balançar, sair da trajetória ou, em situações extremas, apresentar risco de tombamento.

Caminhões-baú vazios merecem atenção especial. Embora continuem oferecendo uma ampla superfície ao vento, têm menos peso para resistir ao deslocamento lateral. Ônibus, vans e motorhomes também podem ser afetados, principalmente em trechos expostos.

O motorista deve diminuir a velocidade gradualmente, manter as duas mãos no volante e evitar correções bruscas.

Carros com reboques e trailers

Reboques, carretinhas e trailers podem começar a oscilar com as rajadas. O movimento do implemento pode interferir na estabilidade de todo o conjunto e dificultar o controle do veículo.

Antes de viajar, é necessário verificar o engate, os pneus, as luzes, as correntes de segurança e a distribuição da carga. Se o reboque começar a oscilar, o condutor não deve fazer movimentos bruscos no volante nem acelerar para tentar corrigir a trajetória.

Veículos com carga no teto

Bagagens, bicicletas e outros objetos transportados sobre o veículo aumentam a área exposta ao vento e podem alterar o centro de gravidade. Se estiverem mal fixados, ainda existe o risco de se soltarem e atingirem outros usuários da rodovia.

Caminhoneiros também devem verificar lonas, amarrações e portas do compartimento de carga. Uma lona solta pode funcionar como uma espécie de vela, além de se transformar em obstáculo na pista.

O perigo das rajadas inesperadas

Nem sempre o vento atua de maneira constante. O veículo pode atravessar um trecho protegido por árvores, construções ou barreiras e, logo depois, receber uma rajada lateral intensa.

Algo semelhante acontece durante a ultrapassagem de caminhões: o veículo pesado cria uma área temporariamente protegida do vento. Ao sair dessa área, o carro ou a motocicleta pode ser atingido repentinamente pela corrente lateral.

Por isso, o motorista deve segurar o volante com firmeza, reduzir a velocidade e fazer correções suaves. Girar excessivamente a direção para compensar o vento pode levar à perda de controle quando a rajada diminuir.

Como dirigir com segurança em situação de vento forte

Antes de pegar a estrada, a Polícia Rodoviária Federal recomenda consultar a previsão do tempo, avaliar as condições do percurso e verificar pneus, faróis, limpadores e demais itens do veículo.

Durante o trajeto, alguns cuidados são fundamentais:

  • Reduza a velocidade de maneira progressiva, sem frear bruscamente.
  • Mantenha as duas mãos no volante.
  • Aumente a distância em relação ao veículo da frente.
  • Evite ultrapassagens, principalmente de caminhões e ônibus.
  • Redobre a atenção em pontes, viadutos, áreas descampadas e saídas de túneis.
  • Observe galhos, placas, telhas e outros objetos que possam atingir a pista.
  • Não atravesse áreas alagadas nem pontes cobertas pela água.
  • Nunca utilize o celular para filmar o temporal enquanto dirige.

Acompanhe os alertas da Defesa Civil e dos órgãos rodoviários

Se as rajadas impedirem a manutenção segura da trajetória, o motorista deve procurar um posto de serviço, estacionamento ou outro local protegido fora da rodovia. O acostamento deve ser utilizado apenas em situações de emergência. Também é necessário evitar paradas sob árvores, placas, estruturas frágeis, pontes ou viadutos.

Em condições meteorológicas severas, adiar a viagem pode ser a decisão mais segura. Nenhum compromisso justifica permanecer na estrada quando o motorista já não consegue controlar o veículo com segurança.

Mariana Czerwonka
Mariana Czerwonka

Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

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